17/12/2009

Diploma

Essa c...h...u...v...a... Nublada.
Do outro lado da vidraça.
Chove.
Biquini cavadão.
Se molhar. Na chuva.
Eu na chuva.
Nós na chuva.
Singing in the rain.
Que brega.
Tira a roupa e sente.
A chuva.
O meu pinto.
O meu pinto quente.
Tem pinto no quintal ao lado.
O meu é maior.

Que raios! Que não caem.
Que raio. De poema.

Dizer que sou jornalista agora eu também posso.
(tudo naquele que me fortalece)
Porque ser poeta eu já podia.

Lembrete Mental

Não esquecer que temos que fazer 1 parada no Posto Buenos Aires (Registro BR 116, km 449), próximo a Registro/SP , onde vamos pegar uma menina, que já foi combinado.

06/11/2009

Discotecagem Indie Brasil

Mandando notícias aos amigos

Amanhã, sábado dia 07/11, acontece a festa de abertura do Festival Demo Sul 2009, em Londrina (PR). Estou trabalhando no Festival, desde o fim de maio e mudei-me para Londrina esta semana, terça, donde pisei a cidade com o pé esquerdo, mas depois comento aos mais chegados, pois vim falar das bandas que vou discotecar na festa, segue o puro creme da cena independente nacional, com algum breve comentário.

(as negritadas são as músicas e ou bandas realmente muito boas)


- THAT OLD SPELL - CASSIM & BARBÁRIA
Cassim lançou um EP este ano via Midsummer Madness, esteve há pouco tocando na gringa e especialmente esta música atinge a veia em cheio, duvido que você, rockeiro (a), discorde.

- BAD NEWS - TRILOBIT

Trio-banda-alienígena que tive o (des)prazer de acompanhar uma turnê de quatro shows no estado de SP, cujo relato está no Over Música. Sobretudo pra quem é jornalista/mídia, esta faixa é indispensável.
  
- CAN YOU DANCE BOY - THE NAME
Baixe o EP "Assonance" no myspace do trio-banda e descubra o que é o pós-punk-dançante.

- DEIXE-SE ACREDITAR - MOMBOJÓ

- CUMM ON - FORGOTTEN. BOYS

- VENUS CASSINO - RETROFOGUETES
A faixa que mais gosto do disco lançado este ano (entrevista), segundo da banda, outro destaque nacional do surf-rock.

- YOU BETCHA - BUTCHER´S ORQUESTRA

- AGENTE ZERO - ALMIGHTY DEVIL DOGS
Banda do querido amigo Nardi, que indico não perder os shows, que são do cacete. Ano que vem estará com o disco deestréia na manga. E já recebeu convite pra tocar no Psycocarnival, em fevereiro 2010.

- EL HUECO - JULIANA R
Essa música é demais. A guria lançou um disco com canções folk, uma em cada língua

- O PROCESSO - B NEGÃO

- BEATS E BATUQUES - MERCADO DE PEIXE
Infelizmente a banda bauruense parou de tocar (cada um pra um lado) Tive o prazer de ver um show na praça Ruy Barbosa em Bauru, em 05 ou 06, que a galera, em êxtase, invadiu o coreto da praça, magina se eu não estava entre os festeiros.

- OS URUBUS SÓ PENSAM EM TE COMER - CIDADÃO INSTIGADO
Sensacional. Efeitos fódas.

HELL - VENDO 147
Quinteto instrumental do rock, com dois bateristas tocando o mesmo instrumento. Entrevistei-os para o Over Música.

- CIDADE INVISÍVEL e GATO QUE LATE - PATA DE ELEFANTE
Suspeitíssimo pra comentar. Agradeço ao Mel por tê-la me apresentado. 

- PERO e CASTELO DE PEDRAS - BURRO MORTO
Descrevo assim o som do Burro: composições instrumentais, cimentadas no rock, mas com uma amálgama densa de disparos sonoros sensoriais que apontam para elementos orgânicos, vez ou outra passando pelo jazz, pelo afrobeat, um groove bem acentuado, despejando por sobre estes um balde transbordando de peso, ondulações, delays, cores, metais, efeitos, nuvens, filtros, ambiências, formando assim uma camada sobre a outra e mais outra que, lá na frente, desemboca finalmente em um psicodelismo fino, bem tramado, por vezes (muitas) ácido, carregado de fumaça, um emaranhado de ondas sonoras que deixam o sujeito flutuante.  

- C´MON GIRL - SWEET FUNNY ADAMS
Outra que esteve na gringa recenemente, manda um indie rock meio Franz que faz a cabeça. Ao vivo deve ser fóda.

- FUNERAL - BINÁRIO

- AÇÃO e AUTODESTRUIÇÃO - AUTORAMAS
Não é à toa que anualmente toca em uma pá de países por aí.

- DEAD ROCKS (ESQUECI O SOM)
Melhor banda de surf-rock do Pais, na minha opinião. Baixe os discos no site da banda.

- BOSSA NOSTRA - NAÇÃO ZUMBI

- THE WALLRIDER - THE MULLET MONSTER MAFIA

- DÊ - CÉREBRO ELETRÔNICO
Letra absurda: Dê amor / Dê paixão / Dê espera / Dê esperma /  Dê prazer / Dê fogo / Dê uma nela / De carinho / De sacanagem / De sarro / De fato / Dê amor / Dê segurança /
De anca na anca dela
E amanheça de cabeça dentro dela

06/10/2009

Eu-carnívoro, a carne é fraca, o tráfico e a contradição do ser

Hoje, resolvi ver a parte sangrenta do noticiário. Nada de novo, de novo. Assalto a banco, a carro forte; bala perdida, criança morta, jovem morto; sequestro; arsenal bélico de exército encontrado em posse de pessoas ligadas ao tráfico de drogas. Aí eu fiquei pensando, encabulado. Tem um monte de amigos, lindos, que se ligam em causas sociais, políticas, construindo conteúdo, colaborando localmente em projetos maravilhosos, em debates, alertas, agindo etc. Até na internet.

E têm outros tão lindos quanto, que não comem carne para que, além de usufruir de uma vida mais saudável, o consumo seja reduzido, pois a criação de gado e o avanço agrícola, ligado a soja (o que é pior: visando ao mercado externo) são, de looooonge, os principais causadores do desmatamento no País (na Amazônia há cerca de 4 anos, havia uma média de 35 mil bois e apenas 22 mil pessoas) que continua avançando a níveis mega. Esse boi tratado com hormônios, antibióticos chega ao supermercado por um preço extremamente baixo, porque o custo do desmatamento e dos recursos hídricos desperdiçados, não está contido no valor final do produto "carne". Falando em água, a criação de gado em alta escala consume, manda ralo abaixo quantidades enormes de água potável. Os bichinhos precisam beber água e tomar banho, ficar limpinhos. Justo.

E o que isso tem a ver com o tráfico mesmo?
A encanação, filosofia barata é que vários desses mesmos amigos são caras que ajudam a manter o tráfico, porque consomem, vez ou outra, ou semanalmente, drogas, o principal produto que mantém  a lógica operante do tráfico de drogas, através de práticas criminosas como as citadas no início (pai nosso que estais no céu santificado seja o vosso nome venha a nós o vosso reino seja feita a tua vontade aqui na terra como no céu o pão nosso de cada dia nos dai hoje perdoai as nossas ofenças assim como nós perdoamos a quem nos têm ofendido e não os deixei cair em tentação mas livra-nos do mal, amém), sobretudo em grandes metrópoles, com ramificações interioranas, como sabemos.

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É bem possível que um tipo de revolução hoje aconteça de maneira individual. Pois o consumo, nada mais é do que o seu dinheiro investido no produto final, que carrega um monte de práticas e processos anteriores, cuja responsabilidade e incentivo também são de nossa responsabilidade.

Mas o ser humano é mesmo contraditório. E abrir mão de tudo na vida também não dá, seria desprazeroso demais. E você, o que acha?

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Assisti no fim da semana passada ao documentário "A carne é fraca"; fiquei pensando que ele fosse meio manipulador, mas o que  o vídeo faz é apresentar de maneira organizada e crua a realidade e os dados do processo de confinamento e criação do gado, do frango, do porco. Não sou vegetariano, mas resolvi que não vou mais consumir carne, por hora, pelo menos vermelha. Se o meu pai, ou você me convidar para um churrasco, é provável que - ainda que em pouca quantidade - eu coma carne, pois o consumo já aconteceu. A ideia é o não-consumo e não parar de me alimentar de. Do mesmo jeito que eu não invisto o MEU dinheiro comprando Coca-Cola, também não o farei com carne. Só isso.

Foi através da comunidade DOCUMENTÁRIOTECA que tive contato com "a carne é fraca", com o filme do post anterior e também com outros docs de variados temas, disponíveis no canal. Confere lá.

24/09/2009

Da castração a farsa

Retomando o tema "castração poética", que o curso técnico de jornalismo me proporcionou:


“A poesia tem um caráter duplamente ‘revolucionário’: primeiro porque vai contra o mundo-mercadoria que cada vez mais domina a face do planeta, e seu caráter lúdico torna-se transgressor: ela não pertence à lógica e ao mundo da compra-e-venda. A poesia é gratuita, ‘não tem finalidade’, sua utilidade é sua in-utilidade: mostrar ao mundo da produção e do consumo sua contra-face, oculta, sufocada – o mundo da imaginação e da sensibilidade, ‘incontrolável’ mundo dos sentimentos do qual a razão nunca vai tomar posse. Como disseram grandes poetas e escritores que sofreram nas prisões, a única coisa que nunca pode ser aprisionada é a imaginação. E a imaginação pode nos proporcionar a poesia mais profunda, as viagens mais alucinantes; mesmo na clausura mais recôndita do mundo (HAESBAERT, 2002, pág. 147)”.



Esta passagem foi retirada de um excelente artigo "Um brinde a farsa do Woodstock", sobre o grande evento musical do rock, onde Ugo Medeiros desmistifica o tripé lema "paz, amor e rock n roll", que é na verdade uma certeira e bem sucedida empreitada da indústria fonográfica, visando claro, ao lucro.

*PS. achei o artigo pesquisando no google a tag "jornalismo musical".


22/09/2009

Burro Morto é fóda!


Se alguém me perguntasse hoje, que som novo tenho ouvido, com certeza eu diria Burro Morto.
A banda é de João Pessoa (PB), faz um som instrumental, com uma pegada psicodélica forte.

Olha que massa a definição deles:

"Surgiu mutilado, teve seus retalhos re-costurados e agora percorre os caminhos sonoros atento às cores e nuances. Respira groove, enche os pulmões de psicodelia, entorta os compassos e regurgita melodias inusitadas.”

E se você não sabe o é que AFROBEAT, então aí está outro motivo para ouvir o EP de lançamento do grupo, "Varadouro". Faça o download completo aqui.
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Conheci o Burro Morto pesquisando bandas independentes na internet para a minha mais nova empreitada musical, o blog "Over Música", que deseja exaltar a cena alternativa musical, sobretudo aquela feita no braço, de maneira independente. Ficarei imensamente feliz com a sua visita  (:

* provavelmente este blog vai passar por mudanças no layout logo menos. Será a segunda alteração e, certamente, a definitiva.


21/09/2009

sing in the room

Da série: desejos psicodélicos bem possíveis


Depois, meio assim amolecido, meio assim meio calor, meio assim meio comido, curtindo uma sesta na cama, bem que  o sempre branco teto poderia ter-se aberto todinho, por inteiro, pra chuva cairnos, molhar, e limpar a nossa alma e encharcar o colchão de nós mesmos.

Nesse caso, se a chuvinha virasse tempestade, don t worry, eu arrancaria do bolso a minha capa do batman (é sério), que nos caberia a nós dois confortavelmente molhados.
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* esse negócio de curso técnico de jornalismo me castraram algumas habilidades (?) poéticas desenvolvidas no período paleozóico.

31/08/2009

Carta aos amigos próximos, que compartilham (e não abandonaram) a vida

É cara. a "vida" é/tá fóda. às vezes, mais fóda que vida. às vezes não sobra tempo pros ideais que a gente imaginou. um grupo fez uma pesquisa e perguntava às pessoas qual era o sonho, os planos dela para dali um, dois anos. Depois, o grupo retornava para saber se havia se consolidado. resultado: 80 - 90% dos planejamentos não eram alcançados; e, geralmente, a pessoa já estava trabalhando com algo aleatório, e já completamente desencanada do que havia pensado outrora. (porque é preciso vender-se para compor-se a mesa, a casa, o guarda-roupa, a noite).
mas quer saber? ainda é possível (sempre haverá horas "sobrando"): a não ser que o sonho tenha escorrido pro ralo, junto com partes de vc. se você não sonha, então já morreu. o que você tem sonhado pra sua vida??

eu acho que estamos no caminho certo.
pelo menos, ainda aquelas paradas todas que a gente sempre teve como "certas, éticas", verdadeiras e construtivas, estão vivas, reluzentes...

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ao invés de construir o que me disseram que era para construir quando eu fosse grande, estou tentando construir uma vida.
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essa falta, essa angústia, essa incerteza, essa falta-de-não-sei-o-que, que acontece contigo aí, é igual a que eu sinto aqui.
pero, o mais importante é estar feliz e a gente sabe, ah se sabe qual é o caminho. é por isso que as vezes tanto "sofre". o resto, é resto. mas nem tanto. porque tem os amigos. pense quantos te abrigariam, com o maior prazer. pense no seu alcance no mundo. você tem muitas cidades pra ir? porque aqui, você será sempre (muito) bem recebido, com tudo o que tem direito: comida boa, cama cherosa, lugares legais pra ir, cultura, debate, coisa fina, chuveiro quente e música boa pra ouvir enquanto a água cai e claro, o copo (sempre) cheio.
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posso não ter uma casa, mas tenho várias outras pra ir. posso não ter um carro, mas tenho um monte de gente querendo me dar carona.
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a diferença de uma recepção (aquela pessoa que lhe recebe na casa dela) entre um "rico" e um "pobre" é que um deles vai lhe oferecer o mais rápido que puder, comida, abrigo, porque ele sabe que as duas piores coisas (humilhantes) para alguém são: a fome e o frio.
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E se eu não quero mais comprar qualquer produto da coca-cola não é para você me desdizer aqui, ali, rotular, esnobar, sarrear: eu simplesmente não quero dar o MEU dinheiro para a coca. é SÓ isso. com o SEU dinheiro você consome o que mais lhe agradar. inclusive as casas bahia.

ver o sol, nascer, ou ir-se, revigora a alma. não é à toa que há tantas referências divinas a Ele


você tem olhado para o céu??
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espero (de coração) que esteja tudo bem, com todos vocês. espero ansioso uma próxima visita sua; e, assim que eu puder, prometo que vou voando vê-lo.
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*hoje, perdi o meu celular e todos os contatos que estavam naquele chip.
mas, na mesmíssima hora, "apareceu-me" uma mão, com um aparelho celular sobre ela.
é uma merda, mas é (bem) menos merda quando você consegue enxergar que pode escolher (valorizar): ficar se lamentando/fritando-se horas, ou saber que isso não significa absolutamente nada. é você quem manda. sempre.
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*postagem aleatória, logo retorno ao blog, contando o porque do meu sumiço por aqui.

18/07/2009

Curta metragem "O Cheiro"

No segundo semestre de 2007 em Bauru, junto com a Bruna Ferrari, Paula Pulga, Gabriela Virdes e a Flávia Oliveira - produzi um documentário que tratava a questão setor imobiliário X Floresta Água Comprida. A questão ganhou, inclusive, uma campanha permanente da ONG Vidágua e do Amigos da Terra BR. Foi com este doc que descobri o vídeo.

Mas desde então só voltei a filmar este ano, primeiro com a ideia de um doc sobre as mazelas da Telefônica e o setor de telefonia em geral.

A segunda empreitada aconteceu nas últimas duas semanas quando demos início às filmagens do curta-metragam "O Cheiro". O filme nasceu deste pequeno conto, "o cheiro da vulva", segunda publicação deste blog. Escrevi um roteiro e enviei, entre outros, para um amigão de Campinas que gosta demais de cinema, o Ângelo Selingardi (o Shun ou Coca, para os mais chegados). Ele me respondeu, "cara, seu filme está sem sentido, as coisas não se ligam, eu faria diferente". Na primeira descrição que o Ângelo fez de uma das cenas, foi o suficiente para eu sacar que ele era um profissional do ramo...

Resumindo, misturei as várias ideias do Ângelo com as minhas poucas e redigi um novo roteiro. Passei o novo roteiro adiante e ele ganhou contribuições significativas, como uma da Marina Paschoalli. Além disso, ganhei a adesão e a empolgação da Flávia Oliveira, que abraçou a causa como se fosse dela e filmou praticamente 90% das tomadas do filme. Sem falar dos seus toques artísticos, essenciais para a estética desejada.

João Lucas, durante as filmagens na república Panco, pagando de cozinheiro, de avental e tudo

Assim, com uma equipe extremamente enxuta, eu, a Flávia e os dois atores João Lucas Folcato e Priza Sayuri (e grande elenco), em quatro nos viramos como pudemos para realizar o filme. Algumas pessoas chegaram a dizer que ajudariam, mas na hora "H" desapareceram. Contudo, vencido o último obstáculo (a câmera), começamos a gravar num meio de tarde da terça-feira, dia 07/07, na república Panco, em Bauru.

Conseguimos também apoio de duas locações, o Armazen Bar e o Crepe Diem, que agradeço desde agora.

Sobre a estória do curta (que não se liga em quase nada com o micro-conto que o inspirou)
O filme acontece em dois planos, um real cujo personagem principal está em uma cozinha, preparando uma carne para o seu almoço. O segundo plano, imaginário, acontece dentro da cabeça do personagem, enquanto ele cozinha, e se passa em um bar, um restaurante e um quarto. A partir de um conflito que acontece inicialmente no bar, com uma garota, a estória se desenrola, sempre alternando os dois planos.

A estética do filme, ideia do Ângelo, foi a de prestigiar planos detalhes, em linguagem técnica, significa que filmamos os personagens e suas ações bem de perto, preferindo partes de seus corpos para compor e ligar as ideias, a mensagem desejada em cada cena. Acho que este elemento é o mais legal do filme.

Temos alguns vídeos tipo "making of" para quem ficou curioso. Segue abaixo.



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Este mostra a Flávia fazendo uma tomada por de trás dos pratos; o resultado ficou bem legal.






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Postando com um pouco de pressa, agradeço o interesse das pessoas que apoiaram e conversaram diretamente comigo e principalmente dos atores, cuja dedicação me surpreendeu. Assim como em relação ao doc da Telefônica, trarei outras notícias a respeito de "O Cheiro".
Obrigado!

10/07/2009

E você, já pegou no portão seus panfletos de hoje?

Panfletos jogados na rua refletem o período de campanhas eleitorais

Prezado leitor, o que é que a gente pode fazer com esse amontoado de panfletos que chegam às nossas “casas”? Já repararam que em datas comemorativas e feriados, eles aumentam?

Será que é possível comunicar as grandes redes, lojas, ou os grandes supermercados que alguns de nós não queremos seus panfletos, ou os “livrinhos” de ofertas? Parto da premissa de que não é agradável receber o que não foi solicitado.

Veja, não é “revolta”, a causa é nobre. Imagino que grande parte dos panfletos não chega às mãos dos munícipes, foi o que constatei observando o assunto (e os papéis jogados) durante um tempo, no bairro onde moro. Na sexta, 10/7, contei 17 panfletos descartados em apenas uma quadra, alguns já bem velhos, outros, de empresas diferentes, amontoados. Alguns deles estavam pertinho do bueiro do esgoto...

A intenção é tentar encontrar um meio termo, pois, de um lado, os panfletos ajudam o consumidor a adquirir produtos mais baratos, mas, estes papéis (que um dia foram árvores) não devem se transformar em sujeira urbana. As ruas, os canteiros da cidade já são sujos em demasia, com todo o respeito a quem trabalha no setor; não é culpa destes trabalhadores, mas da população que, no geral, não possui bons hábitos por onde caminha.

Seguindo o raciocínio, talvez o mais correto por parte de quem contrata estes serviços de distribuição ou de quem o executa e espalha várias mil unidades pela cidade, seria fazer uma espécie de supervisão das ruas, ou mesmo respeitar quem não deseja receber os panfletos, porque, do jeito como está, o processo possivelmente mais polui do que “informa”. É muito simples, empregatício até, entregar panfletos nas casas, sem qualquer responsabilidade para com o destino final.

*****

Procurando fotos na web, encontrei o blog Poluição Eleitoral, de onde a foto desta postagem foi emprestada; o Poluição Eleitoral realiza um trabalho muito interessante, cliquem.

Este texto foi enviado também para o Jornal da Cidade, jornal local de Bauru, cidade que o motivou, por isso tive que, com a ajuda da Flávia Oliveira (a De2, para os mais chegados), elaborar um tom menos "crítico" em relação ao texto original.

01/07/2009

Amadorismo, polícia, chuva e ameaças

No início semana passada, a Anatel proibiu a Telefônica de comercializar o "speedy", pois a empresa não está conseguindo manter o serviço com qualidade, além de apresentar falhas e aumento considerado de reclamações dos usuários.

Pesquisando na internet, observei muitos relatos de falta de cuidado e desatenção com os usuários, além de vários problemas e processos não resolvidos, sem falar de um abuso e outro, como a cobrança ilegal de uma multa de recisão de contrato que, no caso de serviço de banda larga, não existe - garantiu-me um funcionário da Anatel.


Como a empresa também parecia me ignorar ou, me tratar com descaso em várias tentativas de relatar/solucionar equívocos claros da minha conta telefônica de Bauru, na sexta-feira (26-06), convidei o amigo Luccas Barrossa (o Egg, pra quem for mais chegado) para gravar uma espécie de mini-documentário sobre a Telefônica/Telefonia no País. Passamos boa parte da tarde daquela sexta que ameaçava chover, em frente à sede da empresa em Bauru, o antigo prédio da Telesp, colhendo depoimentos de clientes, cujo relato trago agora.


I Etapa: amadorismo, polícia, chuva e ameaças

Não demorou nem dez minutos para aparecer alguém com histórico de problemas, sem conseguir uma resolução rápida. A dona Sônia de Almeida, inclusive, tinha ido à empresa no dia anterior (25-06), onde cronometrou um tempo de espera de uma hora e meia. Sem obter uma solução, ela retornou com o marido e o neto (?) na sexta e esperou mais uma hora e quarenta minutos para ser atendida: "bom, agora disseram que vai resolver, temos que esperar, pelo menos aqui [na unidade física da empresa] o atendimento é melhor, porque o call center deles não dá", disse na saída do atendimento. Segundo a dona Sônia, o problema de sua conta é cobrança indevida, valores "completamente equivocados", narra.

Enquanto aguardávamos por mais pessoas, o Luccas resolveu pegar um take do comunicado da Anatel, colado no vidro da empresa, sobre a proibição da venda de speedy. Foi o que mais tarde descobriríamos, motivou um funcionário a chamar a polícia.

PM gente boa: O que os senhores estão fazendo aqui mesmo?
- Olha, nada de mais. Estamos colhendo alguns depoimentos de clientes desta empresa para um documentário.
PM do mal: vocês são estudantes?
- Não, eu sou jornalista e o Luccas estuda Rádio e TV aqui em Bauru.

Conversa vai conversa vem, dúvidas nossas, inquéritos deles...

PM gente boa: veja, vcs não estão cometendo nenhum tipo de crime aqui. O que acontece é que aparecem duas pessoas com uma câmera, filmando a empresa, conversando e filmando os clientes da empresa, eles chamaram o 190. E o que nos foi passado é o seguinte: vcs não podem filmar a agência, mas na rua pode, então por favor.

Na sequência, surgiu uma funcionária dizendo que devíamos ter pedido autorização, ter ao menos conversado com a empresa (amadorismo), que estávamos filmando dentro da Telefônica, que isso era ilegal etc etc; fato que foi desmentido para os policiais: as cenas gravadas, mostraram que não havia nada de mais. Então, todos voltaram a seus postos.

Mas, não deu tempo de nos acomodarmos, a PM que havia estacionado a viatura em frente ao prédio da empresa, ficou ali mais uns 10 minutos. Foi ela sair e a funcionária chegar novamente.

Funcionária: De onde vcs são, pretendem publicar isso?
- Ahan.
F: E de onde vcs são mesmo?
- Não somos de nenhuma empresa, é uma iniciativa pessoal, vamos produzir de maneira independente.
F: Bom, a minha supervisora, que não está, mandou eu dar o recado para vcs. Ela disse que é proibido publicar qualquer material sem autorização da empresa. Se for publicado, há multa e vcs vão ter muita dor de cabeça, é sério.

Embora um tisquinho preocupados, continuamos firmes o nosso trabalho, afinal estamos lidando com um time tricampeão: a Telefônica, pelo terceiro ano conscutivo, é a vencedora em reclamações no Procon. Porém, tivemos o cuidado de, com o alerta da segurança pública municipal, gravar a 2 metros de onde estávamos antes.

Mais 3 pessoas deram depoimento. A última foi uma senhora de 74 anos, vigorosa e elegante, "motorista das boas", garantiu-me, reclamava do absurdo que era passar "carão" em tentativas frustradas de fazer compras, pois seu nome constava no SPC, sem que ela tivesse a devida notificação da Telefônica. Debaixo de uma chuva fina, extrapolando as seis horas da tarde, a professora aposentada Jarde Alves Bueno relatou com a maior disposição, se indignou com o "descaso de uma empresa desse porte dar trabalho para uma senhora, ficar dirigindo para lá e para cá, sem resolver nada.." e nos desejou boa sorte.

Obrigado senhora Jarde, nós até vamos precisar. Mas, talvez, a senhora precise mais.

A chuva fina pouco molhava, o dia já não tinha mais luz e nublava, fome. Tomamos o rumo de casa, com essa estória pra contar...
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Hoje (02-07) eu e o Luccas fomos ao Procon, realizar outra entrevista para este projeto. E foi impressionante a maneira como fomos recebidos, muito bem, as pessoas naquele lugar (poupa tempo) trabalham com extremo senso de ajudar o máximo que podem. Colaborou demais para o projeto. Para quem se interessou, continuarei relatando as etapas deste doc na sequência da vida.

26/06/2009

LOVE

Como ainda não fui dormir, vamos falar do dia 25. E, como na postagem anterior, falando em música, no dia 25/06 de 1967 (desculpem o monopólio) os Beatles participaram de uma transmissão na TV ao vivo, em escala mundial, para 26 países.


Por meio de um convite da BBC de Londres, direto do estúdio Abbey Road, os Beatles estavam diante do desafio de cantar algo que comunicasse em todas as línguas. Tinham em mãos a chance de tocar para um montão de gente, o que lhes desse na teia. Aterrissariam em milhares de telas via satélite, bastava escolher um tema, a ser expresso numa canção. Paul e Lennon compuseram algumas músicas e uma de Lennon foi eleita. Escolheram o amor. A música virou single e um dos principais temas do filme Yellow Submarine.

Aproveitando (mesmo) a brecha só pra dizer

vamos amar.
Vi-va o amor, gente.


23/06/2009

"Sem a música, a vida seria um erro." (Nietzsche)

Seguindo (**com muito atraso) a postagem "Solta o Som", em comemoração ao dia 21 de junho, dia mundial da música, comento discos ou músicas de bandas que mais tenho ouvido ultimamente, no computador, registradas pelo software do Last FM; e em casa, da coleção de CDs.

Entre os discos que mais suponho terem saído de suas capinhas para o suporte, um disc man bem antigo, desprovido da novidade anti-choque, plugado no canal "auxiliar" de um aparelho de som nada compacto, de quatro canais (rádio, auxiliar, toca vinil e fita), com caixas grandonas, bem comum nas casas das avós, estão mais nacionais do que "gringas":


-Texas Flood, do Steve Ray Vaughan
-Medeski, Martin e Wood, um trio de jazz moderno, instrumental. Uma das bandas de que -mais me empolgo para falar e o
-Tiger Milk (1996), da dupla Belle & Sebastian


Este último, encontrei garimpango bagatelas num hipermercado, por R$4,99. Ficou dias guardado, lacrado e quando o pus para tocar fiquei surpreso, canções leves, de melodias grudentas, com violões folks, metais simples e ambientações coloridas como a quinta faixa "eletronic renaissance". Baixe-o agora (senha: rcd).


"Não sei uma nota de música. Nem preciso." (Elvis Presley)

Os nacionais, sobretudo os discos que não tenho no pc, que ganham destaque no aparelho de som típico dos anos 90, devem ser:


-o primeiro (e apenas este disco) dos gaúchos Superguidis;
-os 3 discos, mas sobretudo o primeiro e segundo do Sun Walk and the dog brothers;
-Futura e o Afrociberdelia, da Nação Zumbi (17 no ranking do Last);
-E os álbuns do Pato Fu, Televisão de Cachorro e Toda Cura para todo mal (23 no Last);


"Depois do silêncio, aquilo que mais aproximadamente exprime o inexprimível é a música." (Aldous Huxley)

Já dos registros cravados no Last Fm, o campeão de execuções em geral (desde junho de 2007), são os Beatles, com quase 600 audições. O disco Sg. Pepper´s, que não é nem o segundo preferido (Abbey Road e White Album, respectivamente), aparece como o mais tocado do quarteto; enquanto o disco inaugural do Franz Ferdinand na categoria "álbuns mais tocados" é o vencedor. Na verdade, ouvi muito este disco tempos atrás, agora quase nunca.

A segunda banda mais ouvida é Spoon. Esta, descoberta em 2007, da qual me tornei fã de maneira automática após ouvir o ga ga ga ga ga, disco de 07 (minha presença no festival Terra do ano passado deveu-se 50% graças ao quarteto inglês) teve dois fatores de alta rotatividade no pc: uma resenha e a proximidade do festival, em 08.

"Eu nasci com a música dentro de mim. Ela me era tão necessária quanto a comida ou a água." (Ray Charles)
Entretanto, o que ainda não deu tempo do Last registrar são discos bem rodados aqui nos últimos dois meses: Radiohead (Ok Computer e principalmente The bends), dois dicos noventistas do Red Hot Chilli Peppers, dos quais me identifiquei demais, justamente quando praticamente já havia deletado a banda da minha galeria de artistas preferidos: o One hot minute e Blood Sugar Sex Magic. Por último, acho que The Breeders, que conheci no palco, também no Terra de 08 e o som rockeiro-instrumental do trio Pata de Elefante, o qual já figura bem classificado na minha tabela geral do Last e que recomendo demais...

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Enquanto postava, antes mesmo de observar as tabelas do Last, a trilha que rolava era Beatles, seguido por Belle & Sebastian que fiquei com vontade de ouvir, após comentar aqui.

**Algumas pessoas como a Nely e a Vanessa, que propôs a blogabem, também a Mari Amorim cá vieram atrás desta postagem que só consegui realizar hoje, quase dois dias após o combinado.

17/06/2009

Bilhete eletrônico ao Mateus

Oi mano, e aí?

Ontem, tomando uma no bar da Rosa aqui em Bauru, eu e um amigo, que também admira o saldo da política externa do presidente Lula, iniciamos uma discussão com uma guria que tem 7 anos como professora de escola pública. Ela dá aula para crianças e é totalmente descrente com o governo, com a educação (mas isso nós também somos!) acha-o mais do mesmo, não concorda com os programas sociais, acredita que somos nós - que não estamos nem entre os ricos, nem entre os pobres - que paga por estes programas, como esse mais recente da casa própria, por exemplo. Também acha que o presidente só viaja e citou o caso "mensalão" que, num oportunismo mal caráter típico de oposições em geral, voltou a TV por meio de propaganda eleitoral. Eu a provoquei para que me dissesse do que exatamente se lembrava do caso. Ela lembrava apenas de nomes: Marcos Valério, Genuíno, Roberto Jefferson e "o cara ministro da Fazenda". Porém, não soube responder quem de fato, ao fim, havia sido julgado culpado no processo todo.

Nós dois, humildemente, tentamos destacar a política externa, de como era importante, dos negócios e de vários países com quem o Lula fechou negócio para o Brasil. E também saímos em defesa de alguns programas, ponderando algumas coisas claro, e para nós dois, que o Lula era o melhor governo que o País já teve em sua história, mas que isso não significava muito, pois esteve longe de ser coerente e longe de apresentar um caráter "mais revolucionário", por não tocar na questão de terras e tributação. Questionei em seguida, que outro governante poderia ter sido melhor; sua resposta: titubeou, pensou, pensou e, sem certeza, disse, "o JK!". Tudo começou por conta de um suposto voto em Dilma.

O saldo no fim não sei se houve, porque ela é do tipo de pessoa que não aceita discussões, sai falando alto e não revê posições. Chatice.

E hoje, aqui navegando via tuíter, a amiga Babi postou o link, seguida da mensagem "que absurdo", se referindo a reportagem da FSP sobre o "apoio" do presidente Lula ao Sarney.

Depois de ler, enxerga-se um pouco de exagero do título, já que o grosso da matéria aponta para outros caminhos. Porém, fiquei pensando, "logo o Sarney que mandou censurar blog brasileiro, por causa da campanha "xô Sarney", que a Alcinéia Cavalcanti abraçou e, por conta disso, após decisão judicial teve que fechá-lo (um zip.net). Assim, ela passou a abrigar seu blog no blogspot por ser um servidor "gringo".

A meu ver, e analisando o contexto de ausência de prestígio que o Senado carrega nos últimos tempos, o que o presidente fez foi apenas um comentário, não sei se apoio seja a melhor definição, por ponderar o histórico de vida do Sarney (que passa diversas vezes pela história da política nacional, inclusive a do Glauber Rocha) e, em seguida, sugere uma investigação. Todos sabem que a família do cara controla um conglomerado midiático que abriga afiliadas da rede Globo, rádio e jornais, mas não sei se isso vem ao caso aqui. E também do caráter elitista-monopolista de sua família no Maranhão e Amapá, é o tipo de situação que o presidente precisa dizer alguma coisa e, às vezes, acaba fazendo uma média. Mas algo me diz que esse cara, o Sarney, não é gente muito das boas...

Mas Mateus, queria saber, o que vc acha de tudo isso?
Não sei muito como analisar essa situação.
No mais, tudo na boa.

Grande abraço,
saudades,

gabriel.

16/06/2009

Tropa da PM vence guerrilheiros comunistas da USP


"A Força Pública de São Paulo em um ato de bravura e dedicação ímpar a Pátria, venceu com brilhantismo e galhardia a feroz batalha contra os guerrilheiros comunistas que haviam tomado de assalto a USP e lá estabelecido um núcleo guerrilheiro em pleno território da prosperidade e do altivo progresso econômico que é essa verdadeira Suíça brasileira."

De autoria do professor Hariovaldo é de longe o melhor texto que encontrei sobre o "confronto" que aconteceu na USP, semana passada. Leia na íntegra.

08/06/2009

De barquinho, pelo grande Mar

O mar é uma grande bolacha líquida de água e sal
Mas ele precisa estar limpinho
Como as lindas águas de Martim de Sá
Lá, o seu Maneco é marinheiro forte
Entra chuva e faça sol, Maneco é guerreiro
Cuida da água, do sal e de todo que habita Martim
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Quando estive em Martin de Sá, no fim de 2008 e nos primeiros dias de 2009, seu Maneco, o morador ilustre da Reserva Ecológica Juatinga, localizada em Paraty - RJ, já nos alertava para a irresponsabilidade de alguns meios de comunicação para com a Reserva.
Ressaltando apenas o caráter paradisíaco de Martim de Sá, esquecem de revelar os cuidados necessários para quem deseja conhecer a praia e de sua reduzida capacidade de abrigar tantas pessoas. Foi assim uma reportagem do Estadão que listava lugares alternativos para a passagem de ano.

A Reserva encheu e o seu Maneco, sempre atencioso, claro que não ia mandar ninguém embora, se virou como pôde para abrigar as barracas na área permitida.
Mas, durante o carnaval, parece que Martim de Sá tornou chamar atenção de turistas após aparição em jornal. O efeito é inevitável e, não fosse a falta de respeito e desmazelo para com a natureza e com o seu Maneco, não haveria problema.
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Aqui ainda é Paraty Mirim; daqui, apenas de barco é possível chegar em Pouso da Cajaíba


O local é realmente vislumbrante. Depois de seguir de carro, por um caminho, de estrada de terra, a partir de Paraty Mirim, você chega numa prainha (primeira foto). Daí, o acesso a Martim de Sá pode ser feito apenas de barco a partir de outra praia que também só se consegue chegar via barco: Pouso da Cajaíba. Desta praia, ou você pega uma trilha de mais ou menos uma hora e meia, ou encara algum barco local, que te levará até a Reserva Ecológica de Martim de Sá.

o percurso da primeira prainha até Pouso da Cajaíba é bem tranquilo

Recomendo a trilha, muito bem demarcada e, embora tenha longo trecho de subida, é recompensante quando você alcança a mata fechada e as derradeiras curvas que levam à Martim de Sá. Depois de algum perrengue, a sensação da chegada, transcende.
O barco te poupa energias, porém o mar aberto causa forte enjôo e tontura (nós fizemos o caminho da volta de barco). Além do mais, a trilha é de graça, ao passo que, com os barqueiros, gasta-se cerca de 20 a 30 reais, por pessoa.

Em Martim, o indispensável são lanternas e velas, pois a Reserva não tem energia elétrica (o que só reforça seu caráter de paraíso) e nem vende bebida alcóolica. Aos que torceram o nariz, digo que o contato com o mar não poderia ser pleno, com o efeito alcóolico. A bebida traria uma falsa impressão.

Há ainda algumas trilhas que podem ser feitas a partir da Reserva. Uma delas, leva ao "Poção", um complexo de águas, uma cachoeira e uma piscina natural fresquinha.

Foi nos arredores da Reserva que senti o mar na pele, sem o contato com a água. Pois, as águas abertas impressionam visualmente, o impacto dos olhos é o primeiro e mais óbvio. Ficar só nele, contudo, significa explorar nem 30% da natureza. Veja, esses são os primeiros raios solares de 2009:



Fechar os olhos e sentir o mar, com os ouvidos e com o tato, é sobrenatural. Mas não dá pra conseguir isso em qualquer lugar, uma praia lotada de turistas, de guardas-sol, reverte em perca de atenção, por isso, Martim de Sá merece um cuidado e respeito a sua condição de reserva ecológica, que muitas vezes é posta em segundo plano.





E para quem imaginou que passar um reveion em uma praia como essa, por exemplo, significa alto orçamento, está enganado. A viagem e estada de cinco dias em Martim de Sá (a partir de SP), com refeição e algum outro gasto incluso saiu em torno de 350,00 reais.


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Esse post é relativo ao dia mundial dos oceanos, dia 8 de junho, data criada no Eco-92, no RJ, mas oficializada pela ONU apenas este ano. A postagem coletiva foi idealizada pelo Faça a sua parte, a quem agradeço pela ótima idéia.

05/06/2009

O Dia Mundial do Meio Ambiente

A postagem de ontem, sobre a MP 458, foi para alertar acerca do risco da medida, em "legalizar" a grilagem de terras, assim como alguns ambientalistas vinham afirmando.

Porém, a MP foi aprovada. Recebi a notícia justamente hoje, no Dia Mundial do Meio Ambiente. Como eu disse ontem, agora resta a Marina Silva (PT/AC) pedir diretamente ao presidente Lula, para que ele vete a MP.

Não consegui preparar nada especial para a data de hoje, porém, o Mateus do Amaral, que bloga no Estação Querida, produziu uma série de posts que falam, em prosa e verso, sobre a temática ambiental, aproveitando a data de hoje.

Nós estávamos discutindo o assunto pela internet (a MP 458), pasmos com a declaração do Carlos Minc, dono da pasta do Ministério do Meio Ambiente (de que a medida é uma "vitória ambiental" - vide post anterior), e o Mateus chegou a seguinte conclusão:

- é uma vitória ambiental, mas em termos, porque por um lado vai evitar mais grilagem, diminuir violência etc. Mas regulariza a terra de meia dúzia de filho da mãe que grilou ou caçou gente para tomar a terra...


Foi hoje também no blog da Luma que tomei conhecimento de uma postagem coletiva muito legal,"um mar de histórias", iniciativa pelo blog Faça a sua Parte.

O Faça a sua Parte abriga, inclusive, um calendário verde, explicando as datas ambientais que rolam ao longo do ano; por meio delas, várias blogagens e postagens coletivas são realizadas. E segunda será um desses dias:

Dia 08 de junho, próxima segunda-feira, é o dia mundial dos oceanos. A proximidade da data com o dia do meio ambiente não deve ser coincidência, mas fato é que, cansados de tanta discussão sobre ambiente, a gente termina deixando de lado o dia 08 - e com isso, perde-se uma chance de ter mais pessoas conversando sobre o mar.

Assim, o Notícias Mentirosas vai participar da postagem "um mar de histórias", na segunda-feira, dia 8 de junho, dia mundial dos oceanos. E convida você blogueiro (ou não) a participar também! (:

Vamos agregar as histórias que os amigos e participantes enviarem entre dia 05 e 08 de junho e listar num post na segunda-feira. Convidamos então quem quiser participar a entrar nessa onda, compartilhar a sua história, compartilhar a sua história.
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abraços,
e ótimo fim de semana!

04/06/2009

A questão (MP 458) está no ar, é necessário respirá-la

A ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (PT/AC) é um dos poucos combatentes no Senado, ao lado de Eduardo Suplicy, a aprovação da Medida Provisória 458, batizada de "MP da grilagem" de terras na Amazônia. Marina fez ontem (03/6) discurso relembrando figuras como Chico Mendes e outras 258 mortes na região, fruto de conflitos agrários, após ativistas do Green Peace BR serem detidos em manifestação de entrega da faixa de "miss desmatamento" a senarora do DEM, Kátia Abreu.


ativista com máscara de foto de Katia Abreu; a senadora se negou a receber a faixa

É um assunto delicado, merece mais de 447 holofotes, pois se aprovada, permitirá à União transferir, sem licitação, terrenos de sua propriedade, de até 1,5 mil hectares, aos ocupantes das áreas na Amazônia Legal, além de "regularizar a apropriação ilegal do patrimônio público, caso de todas as terras griladas", explica o prof. Ariovaldo Umbelino, geólogo da USP em entrevista ao portal Eco Debate.

O ministro do MA Carlos Minc defende a medida, que ele chama de uma "vitória ambiental" ponderando que quem receber os títulos de terras não poderá realizar desmate da área, sob pena de multa; a medida seria portanto, para organizar a questão fundiária na região amazônica. Para outro ministro governista, Mangabeira Unger, tem havido uma distorção do que realmente é a 458: "a medida tem como objetivo coibir a grilagem promovida por máfias que se beneficiam da falta de regularização”. Unger disse também que é absurdo querer chamar de grileiros 500 mil famílias que residem em áreas urbanas e outras 400 mil que estão em áreas rurais".

Ambientalistas e sociedade civil parecem querer barrar a medida com furor. Marina pedirá pessoalmente ao presidente Lula o veto da lei, caso a MP seja aprovada no Senado. Nunca é demais lembrar que Marina Silva deixou o governo por "brigar demais" e "ser muito exagerada" em prol de questões ambientais. O ideal, em se tratando de terras amazônicas, seria a consulta e opinião populares, porém, isso praticamente não existe no Brasil.
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& Enquanto posto ouço: Ticon.

02/06/2009

*A vida pós-admirável mundo novo


Ainda bem que inventaram os apetrechos high techs, porque agora quando entro na minha sala e cozinha até tropeço de tanta coisa que comprei e já não tem mais dispensa pra enfiar.

Também agora quando ando na rua e ligo meu Mp3 super mega foda não conheço mais ninguém, me fecho no meu mundinho roquenroll: não vejo nada, não penso, não ouço, nada.

E ainda bem também (essas duas palavras já foram repetida n vezes e quando isso acontece temos que variar, escolher outra, para mostrar que temos técnicas apuradas e vasto vocabulário) que o big bode acabou. Mas ano que vem tem a edição número 27 para eu me divertir de novo; o Faustão me garantiu ontem que o último big broder foi o melhor em nível intelectual dos participantes. Logo, o próximo será ainda melhor, claro mano.

E eu pequei por empréstimo porque me apossei dos pensamentos transcritos num pornô-erótico que acabei de ler. Agora vou ter que me ajoelhar, rezar pedir misericórdia clemência da alma minha que desejou a mulhé do próximo e aqueles aparelhos maravilhosos todos da casa do meu primo médico. E tornei a pecar porque (de novo essa palavra) havia me engajado politicamente e, portanto, não poderia mais freqüentar aquele supermercado que compra carne de terras que usam trabalho escravo, mas edaí-foda-se, é só hoje, não vou a outro lugar, já estou aqui mesmo e a gasolina é cara, me faltam meios, emprego, cachaça, estou desculpado.

Perdão também mãe natureza por aquela fóda que eu dei no banheiro enquanto a água abundante e quentinha caía pro ralo. Ferrou, vida lazarenta e pobre que não tem nem vinte conto pra sorrir na balada. Agora eu to mal. Vou às compras, voltar com várias sacolas balançando, jogar tudo na cama, abrir uma por uma, que delícia e passar esse mal estar stress momentâneo, depois um lanchinho e.

E nem vai dar também para cachimbar porque foi proibido. E o índio acabou preso, queimado na sarjeta e o outro morreu num sorteio por causa da hiper-lotação e eu não vou querer isso pra mim, claro, afinal sou um rebelde sem causa que tem dinheiro pra sair, um carro que o meu pai me deu (filho homem tem que ter um carro seu) e vários outros investimentos: aulas de natação, plano de saúde e escola particular, outra de idiomas, curso de piano (o Word tá dizendo aqui que essa frase tem 64 palavras e ela deve ter apenas 60). E agora essa minha geração faz tudo pela internet, não luta por nada, debocha de quem pensa e manja tudo de jogos on-line, mas não sabe jogar mãe da rua. Sorte nossa que não teremos problemas com o sistema, porque já estamos inseridos nele, com uma falsa ilusão de consciência e. Estou sem ar, preciso tragar um cigarro pra acalmar, alguém tem um pra eu cerrar?

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* Com algumas pequenas mudanças, esse texto foi originalmente publicado em 2007, no Binóculo, quando o site estava na ativa. A escolha da imagem deve-se ao fato deste conversar com as críticas que Chaplin fez em "Tempos Modernos".

Enquanto posto ouço & Nação Zumbi &

25/05/2009

Sobre a Virada Cultural de Bauru 2009

Cheguei à abertura da Virada atrasado, só deu pra ver meia hora do show do Otto, um desperdício, em meia hora, para quem praticamente desconhecia o pernambucano, não deixou margem para dúvidas: um dos arquitetos contemporâneos da música brasileira.


Otto destacou a jovialidade da cidade, inclusive, a do prefeito Rodrigo Agostinho, arrancando risos de quem estava ali: “Bauru, Bauru... cidade jovem, legal essa cidade, cê viu, até o prefeito é mais jovem do que eu?”.


Otto gostaria que o show continuasse, ele olhava para o lado, onde se localizavam as pessoas da organização, e mantinha um diálogo, pra platéia ouvir: só mais uma é? Mais duas não pode?. Pôde. Amparado pelo seu samba pra Burro, groove/funk/rock-sabe-se-lá-o-que, colocou as pernas e os corpos pra dançar - inclusive aquela hiponga coroa, que sempre aparece nas festas de república e nos eventos culturais, vende seus artesanatos na praça Rui Barbosa, cerra uns cigarros e tal, sabe? - com “malandro que é malandro que é malandro demais”. Agradeceu efusivamente o convite, elogiou a idéia da Virada Cultural e foi-se, deixando seus músicos embalarem uma última vez o público. Mas, Otto voltaria.

Em seguida, uma apresentação bastante comentada por amigos. Não pela qualidade musical, ou novidade, mas pelo efeito “pitoresco” que a banda poderia causar: um cover de Queen. O show mal havia começado e o vocalista, devidamente fantasiado, de óculos escuros estilo Ray Ban e boina, imitando o Fred Mercury, levou um tombo, do nada. Em poucos minutos, a fantasia estava desfeita para dar vez às músicas pesadas do Queen. Mais vestimentas vieram nos clássicos da banda. O show foi bem rápido, coeso e parece ter agradado: para uma banda meio chata como o Queen, um cover foi bem acima do esperado.

A próxima parada seria então o Teatro Municipal, vinte minutos de caminhada que poderia ter sido postergada: a apresentação de dança CorpOuvido foi bem ruim. Vários elementos desconexos, misturados, sem foco, além de (o diferencial do grupo) as câmeras, posicionadas em vários lugares do palco (uma inclusive, bem acima dos dançarinos), terem sido pouco exploradas. Cerca de dez pessoas foram embora antes dos 20 minutos da apresentação. Um fiasco.

Às nove e quarenta, fomos tomar um lanche na Quermesse da Festa da Padroeira, na praça Rui Barbosa, antes do show da Pata de Elefante, as onze. Dois pastéis de pizza depois, retornamos aos assentos da primeira fila. Antes de começar, todos eram unânimes: shows no Teatro Municipal não são ideais, pois só há a opção de ficar sentado; apresentações de rock, menos ainda, porque é preciso fazer vibrar o corpo, dançar, e isso, só se consegue com liberdade corporal.

Fez-se um silêncio total quando a banda entrou. Como o som é instrumental, nenhuma palavra também, apenas um “foi” do Gustavo Telles, o batera. Desceram o braço, arrancaram gritos de “bravo, bravo!” logo de primeira. Só pra ter idéia, em uma das músicas, o Gustavo massacrava o instrumento e o bumbo parecia que iria cair. Um dos holdings então fez mágica: puxou o tapete e o conjunto todo deslizou, de onde tinha saído.

À frente, Gabriel e Daniel se revezaram na guitarra e baixo: não se sabe quem é melhor com o que, que música pode ser melhor que a outra, com cada um empunhando um instrumento e outro. Qual solo ou melodia é capaz de fazer vibrar mais o que no corpo não vê, mas sente. E aí, o fato é que o rock ´n roll que pulsava daqueles acordes e canções agressivas fazia agitar os pés, as mãos no ar, as pernas e, sobretudo, as cabeças, já que só se podia estar sentado. A acústica, entretanto, favorecia bastante o tipo de som da Pata de Elefante. Foi uma catarse, como era de se esperar das comentadas apresentações viscerais da banda. “Eu queria sair correndo, queria explodir, sair correndo e dar um peitão na galera!!”, contou-me uma amiga. Rárárá.

Daniel (à esquerda) empunha o baixo, na primeira metade do show; depois, a guitarra


O trio gaúcho foi-se sem o bis do que seria o melhor show da Virada, já que não vi o Cordel do Fogo, suposto concorrente. Agora, era esperar o próximo show: Cérebro Eletrônico. Ele veio, mas não foi exatamente um show.

O cenário do palco é colorido e enfeitado. Logo nas primeiras músicas há sons de brinquedos, arminhas, espadas com luz e até um extintor de fumaça, misturados aos instrumentos, tipo como o Tom Zé faz. Muito maluco. Mas sem a mesma autenticidade do Tom, embora com resultados interessantes. Mas. Resumindo, o show foi mediano, talvez porque o som da banda seja mediano. Uma e outra música boa, mas nada de super. Um colega (o Emo ou Paulo Roberto, como queiram) comentou que as músicas do primeiro EP do Cérebro Eletrônico são legais, porém, não foram apresentadas. Sinceramente, não consegui “ver” o porque do oitavo lugar da lista da Rolling Stone. Mas listas são sempre subjetivas...

Cérebro Eletrônico, do DJ Tata Aereoplano no palco do Teatro Municipal; entre Cérebro e Jumbo Eletro, a outra banda de Tata, o Jumbo é mais

Outro show ainda aconteceria por ali, o Rudeness, ska-core de Botucatu (SP). O lugar encheu, até porque no Vitória Régia não havia mais atrações. Outro colega (o Satã, ou Luiz Felipe, como queiram 2) contou que até mosh rolou no show. Muita gente de pé, pulando frenéticos, flambando a frente do palco do Teatro Municipal, que ficou pequeno diante do ska-core da Rudeness. Aí sim.

Nós porém, em um comboio de vinte pessoas, inclusive os três gaúchos da Pata de Elefante, já que não tínhamos posses de convites para a Estação Ferroviária (que minguaram antes das 11 horas da manhã do sábado), resolvemos ir mais cedo, buscar um lugar no meio do fervo, aonde aconteceriam os dois últimos eventos da noite: DJ Tudo, devidamente trajado com sua camisa style colorida e chapéu branco, além do DJ Tatá Aeroplano (vocalista do Cérebro Eletrônico).


A Estação Ferroviária é um lugar maravilhoso para qualquer tipo de evento. Ainda há os letreiros de quando ela funcionava. O som estava alto e o primeiro a discotecar, DJ Tudo, rolou coisas variadas, um misto de eletrônico com batidas de batuque (africanos talvez?) e outros dançantes, tipicamente latinos, além de alternar entre um Chico Buarque e algum ritmo carnavalesco, justificando seu codinome. Nada de mais, faltava empolgação minha quem sabe. Muitas pessoas, porém, flambaram bem à frente do DJ, onde as luzes típicas de discotecas piscavam. O Otto se embrenhava no meio, interagindo. Parecia gostar.

Não percebi a troca dos DJs. Só quando começou a rolar rock, um atrás do outro. Em certa hora, os mais pops de bandas consagradas como The Cure (“Boys don´t cry”) e Rollings Stones (“Satisfaction”). Fiquei pensando que é muito fácil discotecar, só é preciso um raso conhecimento musical e um winamp, na boa.

As idas quatro da madruga, o pessoal sacou que era mais econômico buscar cervejas num boteco-padaria próximo a Estação (lá custava 3 reais a lata). Os comerciantes, também sacaram a galera, tratando de enfiar a faca na latinha de cerveja ou em qualquer outro produto...Halls a 2 reais? Tô de boa.

As 5 da matina eu ainda estava lá, esgueirando-me no que tinha restado das pernas. Aí alguém decidiu romper com a festança: impedindo a entrada de quem havia saído, pondo a galera pra fora, desligando o som e apagando as luzes. Mas. Não satisfeitos, os locais continuaram a Virada, numa república. O Otto, descobri mais tarde, foi junto, de fusca creme. A Virada, portanto, não significaram 24 horas de entretenimento cultural, como dizia sua propaganda, acabou antes mesmo do amanhecer, por volta das 5 horas. E, só retornaria as dez da manhã, do domingo.

A mim, não me restavam mais forças, decidi seguir até a feira, onde a Virada terminaria em pastéis de frango com catupiri e mais dois para o desjejum do domingo - a preços justos, pelo menos isso.
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Quem está sempre por aqui pode ter reparado que algumas coisas mudaram, cores, elementos, enfim. Explico. Testando ferramentas para blogs, fiz o NM de cobaia e perdi algumas coisas. Então, decidi mudar alguns elementos ao invés de recolocar tudo novamente.

Falando em Pata de Elefante, publiquei esta reportagem sobre a banda.

E falando em Virada Cultural, saiu no jornal local de Bauru um artigo meu sobre. Porém, ele é parecido com este diário de bordo.

20/05/2009

Onde brilhem os ouvidos nossos

Antes de postar sobre a Virada Cultural de Bauru, gostaria de comentar um disco delicioso, da Fernanda Takai, interpretando músicas que a Nara Leão cantava.



"Onde brilhem os olhos seus", foi lançado no mesmo ano em que o Pato Fu produziu seu último disco, "Daqui pro Futuro", em 2007. A produção esteve a cargo do multi Nelson Motta (que atualmente trabalha no roteiro de um documentário, Noites Tropicais, título de um dos seus livros), foi ele inclusive quem contou, por email, de seu desejo de ver a Fernanda cantando Nara Leão. A idéia calhou e as gravações começaram de maneira caseira, no estúdio do casal Fu, 128 Japs, na ativa desde 2002, de onde surgiram os últimos álbuns do Pato Fu. Com arranjos de John Ulhoa e participação de outro pato, o Lulu Camargo (que toca teclado no Pato Fu), treze canções compõe "Onde brilhem os olhos seus", entre elas Trevo de quatro folhas, trilha da novela "Ciranda de Pedras".

Mas não é por isso que você precisa conhecer este (já) clássico do trio Fernanda/Nelson/Ulhoa e nem porque o disco foi vencedor do reconhecido prêmio da APCA (Associação Paulista dos críticos de arte), de melhor disco de 2007, na categoria música popular, mas simplesmente porque é um trabalho sincero e coeso, doce, leve e delicioso. O disco é como um carinho confortante no ouvido, no melhor clichê "tudo que é bom dura pouco", ele termina rapidamente e dá vontades de ouvir de novo e de novo e de novo...

Para ajudar, disponibilizo o download de "Onde brilhem os olhos seus".

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Há boatos de que o Pato Fu está em estúdio novamente preparando algo ainda para 2009. Enquanto postava, colaborei com o artigo sobre este disco, no Wikipédia. Essa postagem intenta também fazer outra Fernanda ouvir o disco.

Out off topic. Tenho reparado a presença de pessoas ilustres por aqui, entre eles o Mateus, do Estação Querida, a Mayara e também o Mercy Zidane: é muito bom/legal em ter todos vocês aqui.
E tem alguém ainda de Franco da Rocha. Será a Vanessão?


05/05/2009

Gato mia. Miau.


Não voltaria para casa tão cedo, era a única certeza naquele dia acinzentado, clamou aos amigos, dançaria a música que fosse, no inferninho que fosse, com quem quer que fosse, com ela seria melhor, com eles melhor ainda, se divertiria, risadas, passinhos que ninguém entendeu, festejos, convidaria até o garçom solícito e mal pago, igualzinho a todos; comtudo, não se precipite, é um erro proposital, uma tentativa ridícula de ambiguidade, beberia algumas várias pra não fugir ao comum, cumprimentaria os chegados, abraços, tapas, uma risada aberta, sincera para cada outro saudoso que aparecesse...

E, num dia como esses, veja só, ela, ela me apareceu num boteco falando de um livro, de páginas que haviam se transformado num longa de sucesso, que era incrível, eu não podia perder e vários outros ineditismos que as pessoas acrescem quando querem destacar, engrandecer algo que elas mesmas não depositam tanta fé. Mas logo veio aquele clichê barato, aqueles todos na verdade. Que um livro é sempre muito melhor, mais completo e blá-blá-blá-blá.

Dessa vez, porém, não tive coragem de tapar-lhe, apagar-lhe, calar-lhe por completo com a minha boca, poupando assim não apenas as minhas orelhas, mas sobretudo, como diria Rosenfeld, que ela se definhasse na minha frente. Continuou nessas, entre um e outro copo de cerveja. E se foi. Assim mesmo como se deixa voar uma sacola de plástico ao vento. Eu voei junto, imaginando o que poderia ter acontecido depois. Respira-aspira, respira-aspira, no meio de um momento que poderia ser o clímax de outra noite memorável, começou a invadir-me uma tremenda agonia: você olha para o lado e não enxerga conhecido algum para interagir com sua existência que se tornou medíocre neste instante. Olha, percebe as pessoas soltas, rindo à toa, a câmera girando por dentro das luzes coloridas imaginárias que se formaram na sua cabeça, então o equipamento dá um mergulho escancarando aquela sua agonia besta de não saber o que fazer com você mesmo. Mas, felizmente, para alívio da platéia e - não se poderia deixar por menos - para o bem estar do nosso personagem sem nome, a agonia que o tomava como uma matrix modificada desapareceu imediatamente, assim que a fome latiu. Finalmente.

Finalmente, porque o fim se aproxima, isso é triste mas. Este era o momento, seu plano desde as quatro da tarde: passar na feira ou naquele-restaurante-fast-food-que-vende-esfirra-baratinho-mas-que-eu-não-quero-falar-para-não-fazer-propaganda-de-uma-rede-alimentícia-exploradora-de-mão-de-obra-mal-paga-e-no-momento-seguinte-achar-isso-tudo-uma-tolice, seu cérebro supunha devorar dois ou três pastéis de queijo, pizza, frango com catupiri é melhor, esfirra é mais barato e.

Não passaram de planos recortados sob o alto de sua cabeça recostada ao travesseiro, como um gato que era, que adorava-idolatrava-salve-salve o vagar à noite, MIOU. Espreguiçou-se, fez pose magistral e se esticou por ali mesmo, sem maiores esforços.

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