31/12/2007

Senta, que lá vem a estória.

Por dentro da cabeça do blogueiro.


Cobra-me o cérebro, o desejo de feliz ano para os leitores.


Feliz ano leitores!
Pronto.

Alguém aqui reluta. Acho muito frio e "cordial". Só pra dizer que o fez, que não passou em branco.

É interessante desejar pessoalmente, com abraço, sinceridade, atenção, aperto de mão e o sorriso.
Ah, mas já que não pode ser assim, que o seja por aqui!
Agindo assim, não seria verdadeiro, mas o cumprir tabela.
Pelo menos o fez!

(...)
Não levam a mal quem decidiu assim fazê-lo. É briga interna aqui.

A maneira que encontrei foi reservar um tempo pra ligar para algumas pessoas e enviar e-mails para desejar coisas boas para elas e também conversar. Além dos desejos para alguns queridos blogueiros. Vivemos reclamando da ausência de tempo em nossas vidas para o cultivo de certas cousas.
Certamente esquecerei de alguéns. Se lembrar, tentarei mandar a carta virtual mesmo tardiamente. É o mínimo. Agora, dou início à maratona.

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Frases do dia:

Fora grevista!
Vc não paga faculdade e ainda quer protestar!
Volte pra sala de aula, é lá o seu lugar! Não na rua atrapalhando o trânsito!
Onde já se viu, a universidade vazia?
Seus pelegos!

27/12/2007

Feira da Lua



De passagem por Londrina experimentei uma porção de tilápia na feira da lua, aquela perto do Moringão. Feira da lua, porque ela acontece em vários lugares da cidade, sempre de noite. A grande maioria das barracas era de comida. Além dos tradicionais pastéis (e japas trabalhando) tinha barraca nordestina, de queijos, espetinhos e de comida oriental.

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Jornalistas de férias?

Nos dias 24 e 25 não houve circulação do jornal Folha de Londrina. Achei estranho, pois como disse a minha mãe, "leiteiro e jornal são as duas únicas coisas que não podem faltar".
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Coleira anti latido é o caralho.


Aquela empresinha fajuta que vende na TV, a Polishop, invencionou uma coleira para cães que tem a função de calar deles.

"Seu cão late muito?"
Este site aqui argumenta em prol da coleira dizendo que às vezes o latido excessivo é prejudicial aos próprios cachorros. Provavelmente especialistas diriam o mesmo.

Podiam inventar uma dessa pra nós humanos, tem gente que fala demais.

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Aleatório.
Da mesa do bar. Pode um filme ressuscitar uma banda?
Pode. Os caras do Tihuana devem estar agora fumando muito mais maconha.

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Metalinguagem alá Suzano. Cada foto inserida desconfigura os espaços desta postagem. Gastou-se mais tempo recuando os espaços criados em cada inserção de imagem, do que escrevendo, provavelmente.

26/12/2007

O prof. Jonas não teve ética, deixou-me com 5.5 de média.
Achou que falou de ética o semestre todo. Falou sim. Mas, mais filosofou e divagou do que qualquer outra cousa, afinal, ele é um filósofo. E filosofia combina com jornalismo?
Devia combinar, mas o mercado... ah, o mercado...

Das coisas boas das aulas dele: os longas Dogville e o "belo" Irreversível.

Aí, a gente escapa pela tangente: as notas nem sempre refletem o aproveitamento da disciplina.

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Cheguei a uma das duas únicas lan houses de Jataizinho (donde vos escrevo), estava repleta. O horário matutino é mais barato, um real a hora.

_ 8 minutos tem uma máquina liberada - disse a Geise, a atendente, mocinha linda, duns 16 anos (mas que aparenta ter 18). Permito-me o elogio, pois conheço-a de alguns anos.

O calor por cá faz soar a testa na sombra. Saí do ambiente a fim de refrescar e aguardar a minha vez. Logo na escadinha de acesso a lan, duas moças conversavam, uma delas segurava uma criança no colo:

_ Mandei chamar a Andréia e ela fez uma vozinha (de "voz") diferente, querendo me enganar.

E encenou: a Andréia está?

Ela mesma respondeu: a Andréia não está, com aquela vozinha (e imitou a voz). Acredita na cara de pau, a Andréia tentando me enganar fingindo a voz dela?!

O bebê começou a chorar e elas foram indo-se. Passou um caminhão e ouvi atrás de mim:

_ a máquina 15 liberou Gabriel!

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No dia natalino a bagunça na cidade (Jataizinho) foi até as 4, 5 da matina, pra mais. Na praça, ponto de encontro da rapaziada.
A constatação: não importa se é natal, ano novo, carnaval, proclamação da república ou o que for, a festança é praticamente a mesma: música alta (sertanejo brega - pq tem o sertanejo raiz - e pagode) saindo de porta mala de algum carro, o pessoal enchendo a cara de cerveja e se aprumando a dançar e a falar bobagens.


Observava tudo do outro lado da rua, com algum amigo e colegas. Durei pouco, cerca de uns 40 minutos porali. E ouvi: "ué, mas já vai? Tá fraquinho ein". Apontei pro outro lado da rua e abri os braços e as mãos, desencanei de resposta. Ainda bem que o pessoal se diverte. E a gente também.

Depois, ouvimos que precisa escrever e comunicar pro povo. Como diria o Malandro: "isso não vai rolar caara!".

22/12/2007

Coisas pessoais (ou não)

Estou de férias da faculdade. Somente as 20:30 desta sexta-feira. Mas ainda restou ir sábado de manhã pra universidade entregar o último trabalho, um programa de rádio sobre a identificação jovem com a produção musical dazantigas, aquela dos anos revolucionários.
O semestre foi eterno.

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Constatação:

Enquanto ela falava sobre os mais diversos assuntos, ele babava baldes e mais baldes de adimiração e descrença em tamanha beleza.

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Os meus veteranos da Unesp, que se formaram este ano, tiraram todos nota máxima no TCC (trabalho de conclusão de curso). Deviam esfregar na fuça de um certo professor aí (o do jornal científico lá). E muitos deles já não os vejo mais. É tudo muito rápido e violento. Já estou no último ano. E ainda não deu tempo pra pensar no que isso significa. Aliás deu: muitas pessoas queridas eu talvez não as veja tão cedo, pra não dizer nunca mais.

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As mulheres são as melhores. E elas ganharam um lindo texto no Blônicas:

Mulher Malagueta.

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Sintam-se abraçados, que o natal de vcs tenha a paz Daquele que um dia inspirou esta data.

11/12/2007

Vidinha nossa.


Acordou e a primeira coisa que pensou foi fazer um cafezinho e comer, talvez, bolachas de água e sal, com o que tivesse na geladeira. Poderia ir à padaria, mas teve preguiça. Além do mais estava atrasada. Vivia atrasada. Ainda tinha que passar na casa da avó e deixar uma sacola não sei do quê. Que saco.

De tantos atrasos não tinha tempo: tempo pros amigos, tempo para si, tempo para livros, tempo para ouvir música, tempo para ler a revista inteira, tempo pro jornal que e acumulava na sala, tempo para visitar um amigo, tempo para ser feliz.

Então resolveu acender um cigarro e se sentir o máximo. Porque quando a gente fuma, a gente se sente o máximo mesmo. Aliás, por falar nisso, o maço já estava no fim. Logo precisaria ter tempo para passar nalgum boteco e adquirir outro.

Ficou pensando: necessitava baixar músicas, pois estava em “desacerto” com os novos lançamentos. E não queria ficar pra trás, pois os colegas cults não paravam de perguntar se já havia escutado esse ou aquele, lido esse ou aquele, assistido a esse ou aquele. Não sabia o que dizer, estava meio por fora, precisava se atualizar.

Com isso não tinha tempo para ou se esquecia de ligar para sua mãe ao menos uma vez por semana. Apenas quando estava em crise, fosse para “aconselhamentos”, fosse para gritar por socorro de tédio ou porque estava dodói ou ainda porque precisava de grana.

Assim, a vida passou. Nostalgia. A universidade passou, os amigos passaram, a diversão passou e o tempo de cineminha ficou. O marido veio, com ele vieram o carro popular, almoços de domingo, jornada de oito horas diárias, casa nova e pintada e decorada com poltronas únicas na sala, estante, TV 29 polegadas, tapetinho, vasos, quadros e tudo que uma habitação necessita ter. Um luxo.

Daí casaram-se. Que felicidade, uma festança, muitos presentes, muitos parentes e amigos de parentes e musiquinhas bregas e toscas pra gente alucinar na pista do salão do bifê.

Com as alianças no dedo veio a construção familiar, o casamento e o filho, uma graça de Deus, lindo, sem cabelos e com cara de joelho. Um meninão agraciado.

Entretanto, o melhor ainda estava por vir: o meninão do papai logo cresceria e, logo, seria igualzinho aos pais: sem tempo pra nada e vendo a vida passar.

07/12/2007

Sobre o autor

>Gabriel Pansardi Ruiz
um pouco do cara que (nem sempre e às vezes tem preguiça de) escrever.




















Buenos Aires, Argentina, dezembro de 2008.


Paulistano, jornalista, diplomado em fevereiro de 2009 pela Universidade Estadual Paulista em Bauru-SP. Alguns amigos costumam dizer que nasci jornalista, porém, do curso técnico identifiquei-me com o literário, e o audiovisual. Caras como Alcântara Machado e sua escrita cinematográfica do início do século XX; o espírito alcoólatra
e visceral de Lester Bangs; a pegada e a intensidade de viver do Hunther Thompson; a sedução e os temas do Rubem Fonseca; a ironia fina e irreverente do Saramago; e a boemia, o caos-urbano-noise-marginal-poético-louco-lúcido do Caio Fernando Abreu.

Acredito, assim como Nietzsche que "sem a música, a vida seria um engano". agora reclamam (um pouco) da "estrada" ainda que árduo, o caminho da Cultura, da música, é a intenção, é o ideal, cujas investidas começaram no fim de 2008, com o meu trabalho de conclusão de curso (TCC) sobre um bar que só existe há quase 30 anos em Bauru, por causa da música: o Armazén Bar.

Ainda nos fins de 2008, fui repórter do programa de rádio da campanha do candidato derrotado (Caio Coube), que disputava a prefeitura de Bauru. Em meio a política, as amigas Sílvia Ferreira e Fernanda Miguel, elaboramos o nosso projeto de conclusão do curso de jornalismo, um livro reportagem sobre um bar, verdadeira lenda da cidade de Bauru, o Armazen Bar: "Armazenados no Tempo", que pretendo publicar oficialmente em 2010, se conseguir fundos.

>Produção atual
Atualmente, sou assessor de imprensa da Braço Direito Produções, selo e produtora que organiza, entre outros, o Festival Demo Sul em Londrina, Paraná. A Braço Direito agencia também a banda Trilöbit. Em fins de julho, conheci o Coletivo ALONA (a cena londrina), do qual agora sou colaborador.
Estou produzindo, ainda que a passos lentos, um tímido documentário sobre a empresa de telefonia Telefônica; e o meu primeiro curta-metragem: "O Cheiro".

>Produção universitária

Aprendi muito sobre rádio trabalhando na web rádio Unesp Virtual, onde idealizei programas como o web-radiofônico On the Rock, no segundo semestre de 2005, junto com o camarada Thiago Scabello (o Brigadeiro) e o Ângelo Selingardi (o Shun ou o Coca), ainda quando a rádio Unesp Virtual vivia falhando, atendia pelo nome de "Rádio Mundo Perdido", tinha apenas um estúdio, um computador (que sempre dava pau e tínhamos que regravar tudo de novo) e os microfones não funcionavam direito. Graças a Felipe Arra (Oasis), Gustavo Padovani (o Bafo) e o Thiago (o Lorena), o programa continua vivo, ecoando o rock ´n roll.

Graças a essa super rádio, em 2006, incomodados com leads e matérias secas, cruas, fedentas de sangue, ausentes de sonhos, objetivas e rasas, eu e a Juliane Cintra idealizamos uma revista semanal radiofônica, focada em cultura e cotidiano: a Revista Ponto e Vírgula. Após um ano, já mais maduros e com uma equipe maior, ganhei a força de duas gigantas, fundamentais para o sucesso do programa, a Carol Ferreira e a Bruna Ferrari. Nessa época era muito fácil ser editor, cargo que exerci até o fim de 2007, quando a Andréa Carneiro abraçou a causa. E hoje, graças a um montão de gente, entre eles a Júlia Giglio e o Davi Rocha, a revista continua no ar, firme.

Foi em 2006 também que recebi convite do mineiro Rodrigo Saturnino, para colaborar no extinto site "O Binóculo". Mas, como tinha muita gente boa lá, o site continua aberto a visitas, para postergar-se.

No ano seguinte, em 2007, exerci o cargo de editor do canal "Entre-vista" da revista digital Livrevista. Foi lá que publiquei material com a Nação Zumbi, Pato Fu, Autoramas, Jorge Mautner, Forgotten Boys, Inocentes, Garotos Podres, ocupação da USP e freeganismo, esta última entrevista que me "roubaram" os créditos, bem aqui. Contudo, posteriormente, mudei de ideia, afinal a disseminação do conteúdo é superior a um mero crédito.
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Hasta la vitoria siempre!

05/12/2007

Tom Zé as favas.

Peço a ilustre licença dos senhores para mandar a produção do Tom Zé às favas.

Produção do Tom Zé:

Vá as favas!



Explico. Amanhã, quinta, tem show do tropicalista aqui em Bauru. Sonho de consumo: entrevistar o cara. Tudo bem, podia negar a entrevista alegando o melhor motivo dos últimos dez anos: falta de tempo. Mas, trocar o meu nome duas vezes ...

Olá, boa noite.
>
> Observei que Tom Zé virá novamente a Bauru para se apresentar na Unesp.
> Gostaria de saber acerca de uma possível entrevista com o músico.
>
> Seria por meio deste contato mesmo?
>
> muito obrigado,
>
> Gabriel Ruiz.

Resposta.
tomze@uol.com.br
escreveu:
Não haverá tempo, Rafael. Obrigada,
Produção
Obrigado.

contra-argumentação minha:
Obrigado!

Gostaria de fazer algumas considerações.
É extremamente importante pra nós (e rápido), pois o material seria veiculado em vários projetos de comunicação da universidade, tais como Livrevista, web rádio da Unesp e o site O Binóculo.

Outra coisa. Meu nome é Gabriel e não Rafael. Mas sem problemas.
agradeço o contato.


Produção Tom Zé escreveu:
Infelizmente só podemos manter o que já foi dito. Que é importante, sem dúvida. Obrigada, Rafael, desculpe a troca.
Produção

Obrigado.
Mas, parece até brincadeira. Pois tornou a trocar meu nome.
até
Gabriel

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Rafael é o caralho!

04/12/2007

_Assunto 1: Programa Falando em Política

Quinzenalmente às segundas faço locução do programa Falando em Política, editado pela ilustre Juliane Cintra. A edição desta segunda levantou vários pontos acerca da realização da Copa do Mundo de 2014 que será realizada no Brasil. Sintam-se a vontade para ouvir (necessário ter winamp).

_Assunto 2: o poder deste mantra.


Formulei um mantra que vai revolucionar a pegação. Ahan.
É o "bejar na boca".

É o tema da minha coluna desta semana em O Binóculo. Bem vindos a revolução.
Não esqueçam de contar os resultados.

_Assunto 3: Rage Against the Machine


A banda voltou definitivamente a ativa, com os 4 integrantes originais. Haviam tocado por quatro oportunidades esse ano, uma delas no (respeitadíssimo) Coachella e no Rock Bells, dois festivais de música. Agora o RATM excursiona pelo Japão e Austrália entre janeiro e fevereiro. Podiam vir pra Am. Latina também em 08. Mas que fosse no Planeta Terra, Tim Festival nunca mais.

_Assunto 4: Closer - perto demais.


Quarta agora vai passar Closer na Globo, no horário que teria jogo do Brasileirão. Um filmasso que (acabei de ficar sabendo) ganhou 2 Oscar. Lembro que quando o vi gostei bastante dos diálogos. O longa gira em torno de relacionamentos amorosos e de como eles influenciam a vida das pessoas. Diga-se, de maneira inteligente.


Há em Closer uma música marcante (que também o encerra nos créditos finais), chamada The Blower´s Daugther. Lentinha, profunda, tranquila, gostosa de ouvir. Dá pra ver aqui ó, no YT. No caso, também, o som vale mais que a imagem.

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Dezembro já né? O dia não tem mais 24h e esqueceram de nos avisar.

Boa semana pra todo mundo. Felicidade.

27/11/2007

Londrina é Rock ´n Roll !


Rolou no fim de semana do feriadão da República a edição 2007 do
Festival Demo Sul. É um festival de música que acontece todo ano (desde 2001) na terceira maior cidade da região Sul do país: Londrina, localizada no norte do PR.

Ano passado passaram pelo palco do festival 25 bandas, entre elas uma da
Argentina e as conhecidas (ou não) Forgotten Boys, Rogério Skylab, Macaco Bong, Superguidis, Bidê ou Balde ...

_A Demo Sul 2007

Diz a Rolling Stone Brasil que a Demo Sul é o maior evento de rock independente do interior do país (realizado fora de uma capital). Além disso esse ano fritariam no palco da chácara Lima (entre os dias 16, 17 e 18) as bandas Ludov, Edgar Scandurra A.k.a Benzina (o projeto solo do guitarrista do Ira!, que aliás por hora desfez-se, pois o Nasi saiu da banda, com isso a banda paulista atende agora pelo nome de "Trio"), além de Matanza, Vanguart, Los Porongas (lá do Acre!) e outras. No total foram 26 bandas. De passagem pela metrópole Jataizinho (tipo 30 Km de Londrina) fui dar um rolé nos shows ...

_Sexta - feira: primeiro dia: Rock eletrônico?

E lá fomos nós chegar antes de todo mundo na tal chácara Lima (12 Km do centro da cidade). "Lima" deve ser por causa da "estrada do limoeiro" - trecho que nos leva até o local. Sete e pouco da noite, o carro já estacionado. Os 100 primeiros não pagariam os 5 contos do estacionamento de terra. Gracias. Mas não precisava chegar tão cedo. Nem os seguranças estavam a postos. Nem som não rolava dentro da chácara. Exageramos. Confundimos o horário, o festival começava as 19:45h.
Aí, o jeito foi "esquentar" no interior do carro ouvindo som de fita. Éééé, de fita K-7. Vodka de 5 conto + Coca pra acompanhar.

Enfim entramos, meio bêbados. Nas redondezas da chácara (nem era tão grande), o lugar ficou bacana: banheiro ecológico, tenda branca na frente do palco; do lado oposto um dj tocando rock, piscina (que ninguém ousou pular), graminhas, luzes vermelhas mirando nas árvores, cerva barata (Sol) a dois contos, um clima firmeza. E sem aquele lance de festival grande, de mainstream. É tipo festa em chácara, bem do interior. Muito bacana.

_As bandas
Começou praticamente no horário. Os paranaenses do The Wind abriram o evento. Um trio que tem algumas músicas, rocks legais. Só.
Na sequência, The New Ones descarregaram todo o seu hard core (?), em músicas rápidas e em alguns momentos "pegados".

Zombeteiros: o show é bem "rockeiro"

Espíritos Zombeteiros deram um grau. Fizeram um showzasso, variando composições e bons riffs, instrumental trabalhado e com muito peso - característica da banda. Os caras já são de uma cena antiga de Londrina. Agradou bastante.


Depois, o tom mudou. Camisas xadrez, chapéu de palha e calças jeans deram o tom caipira do Charme Chulo (foto). É naquele naipe de "rock rural", com canções "astral". Destaque pro violinista Leando Delmonico (de rosa), que tocou guitarra, violão, viola e outros intrumentos que não faço idéia. Entusiasmou a galera.

Bom, até aí só "pé vermelho". Então colocou os mano de Brasília, o Super Galo. Formado pelo ex-vocal da extinta Rumbora (das boas "Chapirous" , "ó do borogodó") e pelo ex-batera do Raimundos, o Fred. Eu já os havia visto no Porão do Rock deste ano e a impressão foi a mesma: ridículo. Mas o refrão de uma das músicas do Super Galo era o melhor: "Bombando, bombando em Bagdá!". Rachei.

Na sequência, os Droogies apareceram direto do filme de S. Kubrick. Os caras estão entre o tosco e o bom e se apresentam devidamente "figurinizados". Sorte das meninas que ganham chapéus igual aquele do personagem de Laranja Mecânica, o Alex. A maioria deles canta (bem). Mas, achei a banda bem mediana. Minha amiga comentou que falta "estrada". Concordei.

Depois disso esquentou de vez, ainda bem, porque o frio bateu. Nessas havia perdido a conta das latas ingeridas. Começava a ficar com frio. Realmente, lembrando do semblante das pessoas ao chegar da madrugada, ventou pra caralho.

Trilobit era a bola da vez. Fizeram um puuuta show, para minha surpresa. Pois melhoraram demais de quando os vi pela primeira vez, abrindo para o Autoramas. A banda soa original, com sampleres por vezes engraçados, por vezes criativos antes do início das músicas. O som é pesado, bem construído, empolgante e com pitadas de sons magnéticos e eletrônicos, o que dá um caráter "moderno" ao quinteto. Tudo isso com macacões verdes e um macaco doutro mundo sobre o palco. Fodido.

Demorou, mas logo apareceu a sensação indie (?), direto de Cuiabá para Londrina: o Vanguart. A banda é assim: pegue um vocalista talentoso, que saiba fazer boas letras, junte caras que gostam de tocar e aproveitam pra fazer algumas canções meio "fora do padrão". Alie uma pegada folk e pronto, tem-se aí outro destaque da Demo Sul 07. Eu nunca tinha ouvido nada além de "Semáforo", o hit da banda. E talvez por isso tenha achado a apresentação notável, sobretudo pelo talento de Hélio Flanders, seu violão e seu casaco. Showzasso, daqueles que não se tira o olho do palco.

O melhor show do festival
Passadas das 2 e meia da matina veio aquele que seria o melhor show da Demo Sul 07 (ouso dizer, ainda que não tenha visto as apresentações de domingo): Edgard Scandurra e o projeto Dj Benzina - no qual o guitar hero brasuca é acompanhado por Michelle Abu na batera (incomum) e percussão, além de Sandra Coutinho (a mina - estilosíssima - tem outra banda com o Edgard: Mercenárias!), no baixo.
O cara botou os rockeiros todos pra dançar. Esbanjou categoria. Não é à toa que muita gente o considera como o melhor guitar do Brasil. Um duelo entre ele e o Lúcio Maia (da Nação Zumbi) seria interessante.

Ele destilou efeitos sonoros no seu aparelho high tech de DJ, na guitarra e num microfone especial, que cria uma voz robótica muito loca. Do chão não passaríamos. Nem precisava. Mas o fato é que Scandurra tocou um tempão (em termos de festival com 7 bandas), com solos e combinações empolgantes, explosões e discotecagens, num mix que colocou a poeira vermelha da chácara pra cima, fácil.
Depois explicou a façanha: "Elvis, eu estava lá; Dj Mau mau, eu estava lá, movimento punk de SP, eu estava lá..." (no clipe, o som é melhor que a imagem) e citou outras influências, por meio da metáfora, que é também uma faixa do último disco do trio beleza: Amor Incondicional. Parecia coisa de new rave, só faltaram os bastões coloridos!

No fim, com a platéria eufórica, Scandurra traduziu o nosso pensamento: "onde é que essa festa continua?". Na mosca. Depois daquela apresentação, pra casa não dava pra ir. Tinha o sábado pela frente e uma enorme ressaca também. Mas, essa, já é outra estória...
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PS. Impossível achar fotos do projeto Benzina na internet. Nem da Demo Sul, isso porque tinham várias pessoas brincando de tirar fotos por lá.

26/11/2007

Assunto 1: Nem nas canelas.

O On the Rock (que tive a honra de criar) hoje estás nas mãos do Gustavo (Bafo), Felipe (Oasis) e Thiago (Lorena), os meninos que comandam o cultural Taxi Virtual, que, inclusive virou um fanzine!
O programa está muito melhor do que quando era comandado por mim, pelo outro Thiago, o Brigadeiro e pelo Ângelo (o Coca ou Shun para outros). Não chego nem nas canelas dos manos.

A primeira música dessa edição aí do On the Rock é The Jimmy Chamberlin Complex, primeiro disco do projeto paralelo do ex-batera do Smashing Pumpkins. Sonzera.

Assunto 2: E o mensalinho, vai aí?

De pato pra ganso. No fim da semana passada comentei no ótimo blogue da Lucia Hippolito que havia notado o sumiço na mídia do caso o Mensalão Mineiro, que em 98 angariou fundos (desviados, entre outros, de estatais) pra campanha do PSDB a governo do estado de MG.
Na época houve tremendo esforço (inclusive do PT que tem políticos envolvidos em repasses de verbas) para que não se criasse uma CPI exclusiva para o caso.

Lá no blogue da Lucia tem os nomes da figuras envolvidas, nas palavras dela:

Segundo a denúncia do procurador-geral, Walfrido dos Mares Guia, Eduardo Azeredo, Clésio Andrade, Cláudio Mourão, Marcos Valério, Cristiano Paz e Ramon Hollerbach são acusados de peculato e lavagem de dinheiro.

É coisa grande.

O procurador-geral é o Joaquim Barbosa, o mesmo juiz do Mensalão do PT.

Assunto 3: Pra se divertir com um frango.


Isso aí é a melhor descoberta dos últimos 3 anos. Trata-se de uma campanha publicitária de enorme sucesso da marca Burguer King.
Clicando no site vc pode interagir com esse frango aí acima. É só digitar (em inglês) alguma ação (jump, run, dance, citando exemplos comuns) que o frango irá obedecê-lo. Mas não tente sacaniá-lo. Se digitar uma ação considerada imprópria o frango vai te.... vai lá ver!

Foi dica da Andréa, que já demorou pra criar um blogue.

Ótima semana!

21/11/2007

A gente só gosta de notícias ruins.

Assunto 1: Jornal Contexto pras meninas.

As moçoilas Cris e Maga irão receber daqui alguns dias uma edição de LUXO em suas casas. Elas pediram aqui (post de 04-10) e finalmente tive a vergonha na cara de enviar.
Boa leitura.

Se ficou com inveja, é só pedir que a gente envia, mó prazer.


Assunto 2: Notícias Mentirosas? Ou Ruins?

Cepal: número de pobres na América Latina é o menor dos últimos 17 anos

Martha Beck - O Globo

BRASÍLIA - O crescimento econômico da América Latina permitiu que 15 milhões de pessoas saíssem da pobreza e 10 milhões deixassem de ser indigentes na região em 2006, segundo levantamento da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal). O "Panorama Social da América Latina" estima que a região deve encerrar 2007 com uma população pobre de 190 milhões de pessoas, o número mais baixo dos últimos 17 anos.

Brasil, Argentina e Venezuela estão entre os países que registraram maiores avanços. Segundo a Cepal, no caso brasileiro, não apenas o crescimento, mas programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, foram determinantes. O país reduziu em 4,2 pontos percentuais tanto a pobreza quanto a indigência entre 2001 e 2006.


Os caras pálidas
Mas não é possível! Isso aqui é país de terceiro mundo. "O terceiro mundo vai explodir!"
"Quem tiver de sapato não sobra!" Como pode o nível de pobreza diminuir? E com um governo desses ainda por cima? Não pode ser, esses dados são manipulados, é o sistema!

Deixa eu adivinhar o que os rancorosos (o abominável homem das neves) e descrentes vão dizer: do que adianta nível de pobreza, se o povo continua passando fome, não tendo atendimento à saúde, emprego e nem habitação, saneamento básico?

É que a gente só gosta de notícias ruins. Falar das coisas boas não vende jornal.

12/11/2007

Assunto 1: a grande mentira.

Quando estava no colegial, no ensino fundamental e até no primário disseram que para ser alguma coisa na vida eu precisava estudar. Disseram também que estudando, sendo um profissional e, portanto, cursando uma universidade, eu teria emprego, certo?

Corta para uma cena do filme de Hector Dália, "O Cheiro do Ralo".

No balcão de um caixa de uma lachonete.

Selton Mello: ei, e a moça que trabalhava aqui?
Dono da lanchonete: não trabalha mais.
SM: Vc tem o telefone dela? - meio aflito.
DL: Não.
SM: Nem no registro, nada? - ainda mais aflito.
DL: Registro? Vc acha que eu sou burro de registrar alguém? Pagar direitos, férias etc. Nem fodendo.


Mentiram pra gente.

Daqui a pouco vou sair da faculdade e terei emprego garantido? Com salário, carteira assinada, férias e o caralho?

Tem um montão de colegas recém formados e vocês acham que estão trabalhando, carteira assinada e pá? Vai achando.

O Gilberto Dimenstain comenta, no texto "Como ganhar diploma de otário":

O que o mercado está dizendo claramente é que o jovem teria mais chance de ganhar um emprego se fizesse um curso técnico ou tecnológico. Fazer um curso superior pode significar, em muitos casos, apenas o diploma de otário.

Assunto 2: a melhor banda do mundo.


Eis que veio ao mundo a edição especial (de luxo companheros do jornal?) do segundo filme dos Beatles (que banda hoje faz filmes alá trapalhões?), o Help! É mano, é também o título de um disco deles de 1965.

E quem nunca ouviu a música-título não está nesse planeta.

O Help! serviu de base para os filmes que o Roberto Farias (o Richard Lester tupiniquim), realizou com o Roberto Carlos! Bizarro.

HELP! agora colorido, com edição dupla, teve lançamento mundial dia 5 de novembro. Pela bagatela de 80 reaus. Vai pagar quanto Tets?

Da Folha:

Lá fora, além da versão com os dois DVDs e livreto, há um box de luxo, com reprodução do roteiro anotado pelo diretor, cards, um cartaz e um livro de 60 páginas com fotos dos bastidores da produção. Nesse caso, o preço sobe de US$ 30 para US$ 135.

A capa do Help!
Lembra da capa do Help!? Aquela que tem os quatro Beatles cada um de um jeito, com os braços pra cima, pro lado, diagonal? Manja né? Então, eles tentaram escrever Help! numa língua X (que não sei qual é), mas ficou ruim visualmente. Aí, eles adaptaram e ficou assim:



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"
Ajude-me,se você puder, eu me sinto pra baixo
e eu vou apreciar a sua luta na existência
ajude-me, coloque meus pés de volta no chão.
você não vai, por favor, ajudar-me?"


07/11/2007

O Cheiro da VULVA

Está em um site hospedado na Alemanha com o sugestivo nome de http://www.smellmeand.com, o mais novo produto da Vivaeros, empresa que se apresenta como criadora de produtos especiais: fragrância de vulva. É isso mesmo: fragrância de vulva, o que chamamos popularmente, aqui na Bahia, de xibiú, pitrica ou bocó-de-pelo.

Pois não é que um sujeito, um emprendedor alemão, garante ter sintetizado a fragrância da perseguida? Ele vende, em delicados frascos, o Vulva Original, que é como batizou seu produto.

Décio adorava comer. Transcendia um hobby. De muitas maneiras, muitos tipos e achava, ao contrário do que pensam os food-designs, que o essencial numa comida não era o visual, a cara da comida, mas o cheiro. Esse era o cara. Ele adorava saborear o cheiro antes de abrir a boca. Décio adorava comer xoxotas. Mas por causa do cheiro e nada mais. Nada mais.

E talvez por isso gostava de usar perfumes, cujas fragrâncias relacionavam-se com comidas. Uns oito vidros dispostos lado a lado: apenas essências de comidas e temperos.

Um belo dia enchuvarado a notícia da essência da vulva caiu nos seus ouvidos. Inacreditável. Um bem mundial desses, uma essência dos deuses deveria ser mais acessível. Contudo - pensava novamente - se esse era o preço para ter o perfume mais maravilhoso do mundo, então "que assim seja". Começou a fazer rasgadas economias. O objetivo logo estaria próximo.

Pausa para o lanche.
Meses de economias rasgadas depois, o sagrado frasco dos deuses chegou a sua residência. Era como um brinquedo novo de criança.
Já no quarto com as portas trancadas Décio desembalou o frasco e torceu a tampa. Aproximou o nariz e deu uma imensa fungada. Uma tremenda fungada. A imagem e a associação que lhe veio ao sentir aquele cheiro vaginal excêntrico e magnífico foi a lembrança das viagens de ácido, aquelas que libertavam o cérebro e faziam ver o mundo de uma maneira como nunca antes.

Em poucos dias estava viciado. Como uma droga. Sua vida era cheirar. Cheirando, cheirando, cheirando. O cheiro de vulva. Que delícia. Suas punhetas agora tinham cheiro. Maior tesão. Seu banho tinha mais perfume. Sua vida tinha literalmente, mais essência.

Mas, o fator cheiro começou a agravar-se. Sua sobrevivência resumia-se em aspirar o cheiro contido naqueles frascos. Todo o seu dinheiro e apenas um destino: vidros de Vulva Original, o perfume dos deuses. E eram tão demorados. Tinha que ter um esquema de sedex 10, que saco. O fato é que já pensava numa espécie de alcoólatras anônimos: o Vulvas Anônimos. Não tinha coragem para pedir ajuda. Ao invés disso, solicitava outros frascos. A coisa aumentou. Por onde andava carregava um paninho e o frasco. Era como se o oxigênio que respirava fosse agora O2-Vulva.

Como se não bastasse, gotas da essência funcionavam também como amaciantes para roupas, além de perfumarem a gaveta de roupas íntimas.

Sua vida era agora um imenso cheiro de Vulva. Sentia-se, contudo, bem, vivo. Mas não enxergava a dominação e a transformação que a Vulva fizera. Comia sua vida. Justo ela que tanto perfumava. E num piscar de olhos nem imaginou que terminaria como os seus heróis. Morreu de overdose. Overdose de Vulva Original.

Abriram a porta do banheiro, arrombaram-na. Um grito de horror, daqueles de filme de dar medo e a cena:

O corpo estendido ao lado da privada. Um braço sobre o peito, o outro aberto, semi-esticado e a mão espalmada. Os olhos abertos, arregalados, de desejo. E o mais estranho, um frasco vazio próximo, como se tivesse rolado de suas mãos e um bilhete com os dizeres:

“Descansem o meu leito solitário
Na cidade dos homens turva
À sombra de uma cruz, e escrevam nela:
- Foi poeta - sonhou - e cheirou a vulva.”

*A notícia com a qual este texto baseou-se você lê na íntegra aqui.

06/11/2007

Bocó-de-pêlo em vidro de perfume

Está em um site hospedado na Alemanha com o sugestivo nome de http://www.smellmeand.com, o mais novo produto da Vivaeros, empresa que se apresenta como criadora de produtos especiais: fragrância de vulva. É isso mesmo: fragrância de vulva, o que chamamos popularmente, aqui na Bahia, de xibiú, pitrica ou bocó-de-pelo.

Pois não é que um sujeito, um emprendedor alemão, garante ter sintetizado a fragrância da perseguida? Ele vende, em delicados frascos, o Vulva Original, que é como batizou seu produto.

O Cheiro da VULVA

Décio adorava comer. Transcendia um hobby. De muitas maneiras, muitos tipos e achava, ao contrário do que pensam os food-designs, que o essencial numa comida não era o visual, a cara da comida, mas o cheiro. Esse era o cara. Ele adorava saborear o cheiro antes de abrir a boca. Décio adorava comer xoxotas. Mas por causa do cheiro e nada mais. Nada mais. Assim, seu prato predileto era "bacalhoada".

Também por isso gostava de usar perfumes, cujas fragrâncias relacionavam-se com comidas. Uns oito vidros dispostos lado a lado: apenas essências de comidas e temperos.

Um belo dia enchuvarado a notícia da essência da Vulva caiu nos seus ouvidos. Inacreditável. Um bem mundial desses, uma essência dos deuses deveria ser mais acessível. Contudo - pensava novamente - se esse era o preço para ter o perfume mais maravilhoso do mundo, então "que assim seja". Começou a fazer rasgadas economias. O objetivo logo estaria próximo.

Pausa para o lanche.
Meses de economias rasgadas depois, o sagrado frasco dos deuses chegou a sua residência. Era como um brinquedo novo de criança.
Já no quarto com as portas trancadas Décio desembalou o frasco e torceu a tampa. Aproximou o nariz e deu uma imensa fungada. Uma tremenda fungada. A imagem e a associação que lhe veio ao sentir aquele cheiro vaginal excêntrico e magnífico foi a lembrança das viagens de ácido, aquelas que libertavam o cérebro e faziam ver o mundo de uma maneira como nunca antes.

Em poucos dias estava viciado. Como uma droga. Sua vida era cheirar. Cheirando, cheirando, cheirando. O cheiro de Vulva. Que delícia. Suas punhetas agora tinham cheiro. Maior tesão. Seu banho tinha mais perfume. Sua vida tinha literalmente mais essência.

Mas, o fator cheiro começou a agravar-se. Sua sobrevivência resumia-se em aspirar o cheiro contido naqueles frascos. Todo o seu dinheiro e apenas um destino: vidros de Vulva Original, o perfume dos deuses. E eram tão demorados. Tinha que ter um esquema de sedex 10, que saco. O fato é que já pensava numa espécie de alcoólatras anônimos: o Vulvas Anônimos. Não tinha coragem para pedir ajuda. Ao invés disso, solicitava outros frascos. A coisa aumentou. Por onde andava carregava um paninho e o frasco. Era como se o oxigênio que respirava fosse agora O2-Vulva. Do jeitinho que dizia o comercial da Vulva: "breath and enjoy, anytime, anywhere".

Como se não bastasse, gotas da essência funcionavam também como amaciantes para roupas, além de perfumarem a gaveta de roupas íntimas.

Sua vida era agora um imenso cheiro de Vulva. Sentia-se, contudo, bem, vivo. Mas não enxergava a dominação e a transformação que a Vulva fizera. Comia sua vida. Justo ela que tanto perfumava. E num piscar de olhos nem imaginou que terminaria como os seus heróis. Morreu de overdose. Overdose de Vulva Original.

Abriram a porta do banheiro, arrombaram-na. Um grito de horror, daqueles de filme de dar medo e a cena:

O corpo estendido ao lado da privada. Um braço sobre o peito, o outro aberto, semi-esticado e a mão espalmada. Os olhos abertos, arregalados, de desejo. E o mais estranho, um frasco vazio próximo, como se tivesse rolado de suas mãos e um bilhete com os dizeres:


“Descansem o meu leito solitário
Na cidade dos homens turva
À sombra de uma cruz, e escrevam nela:
- Foi poeta - sonhou - e cheirou a vulva.”

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*A notícia com a qual este texto baseou-se você lê na íntegra aqui.

Vídeo da VULVA.

02/11/2007

Por que ele veio ao mundo?

[Up Load]
Este blogue nasceu para ser a continuação deste outro. Contudo, com alguma nova proposta.

A idéia das prosas inspiradas em notícias jornalescas que ora e outra cá aparecerão, foi inspirada no texto "Paixão pelo Livro" do jornalista Moacyr Sciliar. Preferia linkar o texto aqui ao invés de postá-lo. Mas como nem todos são assinantes do jornal ou do uol, aqui vai.

Agradeço a Luma, que teve o cuidado de me enviar um email acerca da recuperação do antigo blogue.

Outras considerações fogem-me a cabeça neste momento.

Mas,
Notícias Mentirosas nasce para continuar as bravatas, afinal Rei Jude existe e o livro está sobre a mesa, não poderíamos nos calar. Também com a pretensão de debochar e ficcionar notícias jornalescas, pois jornal de ontem já virou passado e a vida vale muito mais.

Além claro, das coberturas, diários de bordo
, os discos e sons que a gente ouve e os comentários sobre o mundo e outros assuntos que aparecem na nossa cara. São tentativas de expressão, formar conteúdo, compartilhar e exercer jornalismo dentro dos ideais em que se acredita.

That´s all folks.

O segundo post de Notícias Mentirosas é já inspirado nesta idéia. Em breve. Agora, sem mais delongas.


A paixão pelo livro


Acho que ele não conhecia a minha frase, porque o livro de bronze foi um engano, não é mesmo, caro Drummond?

Livro que integra escultura de Drummond e Quintana é furtado em Porto Alegre. Um livro de bronze de três quilos que integra uma escultura em homenagem aos poetas Mário Quintana (1906-1994) e Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) exibida na praça da Alfândega, no centro de Porto Alegre, foi furtado. O crime ocorreu há cerca de duas semanas -a Polícia Civil não sabe a data exata. De autoria dos artistas Xico Stockinger e Eloísa Tregnago, a peça foi inaugurada em outubro de 2001, por encomenda da Câmara Riograndense do Livro. Os poetas são representados em tamanho real. O gaúcho Quintana está sentado e olhando para Drummond, que é representado em pé, com um livro pregado em uma de suas mãos. Foi este o pedaço de escultura levado. O quilo do bronze é vendido por cerca de R$ 5 em lojas e depósitos de sucata de Porto Alegre. Quem furtou o livro teve cuidado, tempo e habilidade para não danificar o restante da escultura: as mãos de Drummond permanecem intactas, sem sinais aparentes de que tenham sido forçadas. Cotidiano, 18 de outubro

- DESCULPE, DRUMMOND , tu sabes que eu sou meio distraído, como os poetas costumam ser, mas, por acaso, ontem, não tinhas um livro na mão?
- Tinha, Mário, tinha um livro na mão. Só que este livro foi roubado, Mário.
- Roubado, Drummond? Que coisa. Roubaram um livro da tua mão. E quem foi que roubou, Drummond?
- Não conheço a pessoa. Mas até que foi gentil. Não me machucou, não me agrediu. Simplesmente levou o livro e se foi.
- Quem sabe é um leitor teu, Drummond. Leitores, às vezes, fazem o possível e o impossível para obter as obras de seus autores preferidos. Claro, o cara podia ter esperado a Feira do Livro, que abre esta semana, mas vai ver tinha pressa em te ler e estava sem dinheiro.
- Pode ser, Mário. Mas acho que o nosso amigo terá uma decepção. O livro não tinha nada escrito. Era um livro de bronze.
- De bronze, Drummond? Que interessante. Tu sabes que uma vez quiseram me homenagear fazendo o meu busto em bronze. Eu disse que um engano em bronze era um engano eterno. Acho que o leitor não conhecia a minha frase, porque o livro de bronze foi para ele um engano, não é mesmo, caro Drummond?
- Não sei, Mário. Não sei. Você sabe que o quilo do bronze é vendido por cerca de R$ 5 em lojas e depósitos de sucata. Como este livro tinha 3 quilos, o nosso amigo vai faturar R$ 15. Tem muito livro que não chega a esse preço. Ou seja: se foi engano, pelo menos foi um engano lucrativo.
- Mas de qualquer maneira terá uma decepção. Se fosse um livro de verdade, ele, pelo menos, leria um poema teu. Aliás, Drummond, uma curiosidade: se tivessem te pedido um poema, um único poema, para o livro de bronze, qual seria?
- Não sei. Acho que faria algo inédito. Que tal este, Mário? "No meio do caminho tinha um livro de bronze/ tinha um livro de bronze no meio do caminho..."
- Muito bom, Drummond. E eu completaria: "Todos esses que aí estão/ atravancando o meu caminho/ eles passarão..."
- "Eu passarinho", Mário?
- É, Drummond. Eu, passarinho. Voando, voando. E levando comigo um livro de bronze.

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Além disso, Notícias Mentirosas nasce para continuar as bravatas, afinal Rei Jude existe e o livro está sobre a mesa, não poderíamos calar. Também com a pretensão de debochar e ficcionar notícias jornalescas, pois jornal de ontem já virou passado e a vida vale muito mais. Além claro, das coisas que a gente gosta e os jabás milionários deste missivista.
That´s all folks.