01/07/2009

Amadorismo, polícia, chuva e ameaças

No início semana passada, a Anatel proibiu a Telefônica de comercializar o "speedy", pois a empresa não está conseguindo manter o serviço com qualidade, além de apresentar falhas e aumento considerado de reclamações dos usuários.

Pesquisando na internet, observei muitos relatos de falta de cuidado e desatenção com os usuários, além de vários problemas e processos não resolvidos, sem falar de um abuso e outro, como a cobrança ilegal de uma multa de recisão de contrato que, no caso de serviço de banda larga, não existe - garantiu-me um funcionário da Anatel.


Como a empresa também parecia me ignorar ou, me tratar com descaso em várias tentativas de relatar/solucionar equívocos claros da minha conta telefônica de Bauru, na sexta-feira (26-06), convidei o amigo Luccas Barrossa (o Egg, pra quem for mais chegado) para gravar uma espécie de mini-documentário sobre a Telefônica/Telefonia no País. Passamos boa parte da tarde daquela sexta que ameaçava chover, em frente à sede da empresa em Bauru, o antigo prédio da Telesp, colhendo depoimentos de clientes, cujo relato trago agora.


I Etapa: amadorismo, polícia, chuva e ameaças

Não demorou nem dez minutos para aparecer alguém com histórico de problemas, sem conseguir uma resolução rápida. A dona Sônia de Almeida, inclusive, tinha ido à empresa no dia anterior (25-06), onde cronometrou um tempo de espera de uma hora e meia. Sem obter uma solução, ela retornou com o marido e o neto (?) na sexta e esperou mais uma hora e quarenta minutos para ser atendida: "bom, agora disseram que vai resolver, temos que esperar, pelo menos aqui [na unidade física da empresa] o atendimento é melhor, porque o call center deles não dá", disse na saída do atendimento. Segundo a dona Sônia, o problema de sua conta é cobrança indevida, valores "completamente equivocados", narra.

Enquanto aguardávamos por mais pessoas, o Luccas resolveu pegar um take do comunicado da Anatel, colado no vidro da empresa, sobre a proibição da venda de speedy. Foi o que mais tarde descobriríamos, motivou um funcionário a chamar a polícia.

PM gente boa: O que os senhores estão fazendo aqui mesmo?
- Olha, nada de mais. Estamos colhendo alguns depoimentos de clientes desta empresa para um documentário.
PM do mal: vocês são estudantes?
- Não, eu sou jornalista e o Luccas estuda Rádio e TV aqui em Bauru.

Conversa vai conversa vem, dúvidas nossas, inquéritos deles...

PM gente boa: veja, vcs não estão cometendo nenhum tipo de crime aqui. O que acontece é que aparecem duas pessoas com uma câmera, filmando a empresa, conversando e filmando os clientes da empresa, eles chamaram o 190. E o que nos foi passado é o seguinte: vcs não podem filmar a agência, mas na rua pode, então por favor.

Na sequência, surgiu uma funcionária dizendo que devíamos ter pedido autorização, ter ao menos conversado com a empresa (amadorismo), que estávamos filmando dentro da Telefônica, que isso era ilegal etc etc; fato que foi desmentido para os policiais: as cenas gravadas, mostraram que não havia nada de mais. Então, todos voltaram a seus postos.

Mas, não deu tempo de nos acomodarmos, a PM que havia estacionado a viatura em frente ao prédio da empresa, ficou ali mais uns 10 minutos. Foi ela sair e a funcionária chegar novamente.

Funcionária: De onde vcs são, pretendem publicar isso?
- Ahan.
F: E de onde vcs são mesmo?
- Não somos de nenhuma empresa, é uma iniciativa pessoal, vamos produzir de maneira independente.
F: Bom, a minha supervisora, que não está, mandou eu dar o recado para vcs. Ela disse que é proibido publicar qualquer material sem autorização da empresa. Se for publicado, há multa e vcs vão ter muita dor de cabeça, é sério.

Embora um tisquinho preocupados, continuamos firmes o nosso trabalho, afinal estamos lidando com um time tricampeão: a Telefônica, pelo terceiro ano conscutivo, é a vencedora em reclamações no Procon. Porém, tivemos o cuidado de, com o alerta da segurança pública municipal, gravar a 2 metros de onde estávamos antes.

Mais 3 pessoas deram depoimento. A última foi uma senhora de 74 anos, vigorosa e elegante, "motorista das boas", garantiu-me, reclamava do absurdo que era passar "carão" em tentativas frustradas de fazer compras, pois seu nome constava no SPC, sem que ela tivesse a devida notificação da Telefônica. Debaixo de uma chuva fina, extrapolando as seis horas da tarde, a professora aposentada Jarde Alves Bueno relatou com a maior disposição, se indignou com o "descaso de uma empresa desse porte dar trabalho para uma senhora, ficar dirigindo para lá e para cá, sem resolver nada.." e nos desejou boa sorte.

Obrigado senhora Jarde, nós até vamos precisar. Mas, talvez, a senhora precise mais.

A chuva fina pouco molhava, o dia já não tinha mais luz e nublava, fome. Tomamos o rumo de casa, com essa estória pra contar...
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Hoje (02-07) eu e o Luccas fomos ao Procon, realizar outra entrevista para este projeto. E foi impressionante a maneira como fomos recebidos, muito bem, as pessoas naquele lugar (poupa tempo) trabalham com extremo senso de ajudar o máximo que podem. Colaborou demais para o projeto. Para quem se interessou, continuarei relatando as etapas deste doc na sequência da vida.

6 comentários:

silvia ;) disse...

Ela disse que é proibido publicar qualquer material sem autorização da empresa. Se for publicado, há multa e vcs vão ter muita dor de cabeça, é sério.

Jura q vc não ficou com medo? Tremi na base aqui. hahahaha
Liberdade de expressão agora tem multa.

Adorei. Como sempre, causando por aí, né?

bjo

.... disse...

ae barba!valeu pelo convite pra participar desse role ai...
satisfação mesmo hermano!
abraço

Luma disse...

Será uma matéria de utilidade pública e desejo sucesso!! Você acompanha o blogue do Renato Cruz?

http://blog.estadao.com.br/blog/cruz

Bom fim de semana! Beijus

A.Cerri disse...

Isso muito me interessa. Continue postando sobre esse projeto. Parabéns pela iniciativa.

Abraço!

Re Alves disse...

Legal hein! Continue nos informando sobre os lances do documentário e não deixe de avisar quando ele estiver pronto!
bjos
Re

Gabriel disse...

Claro Re, obrigado pelo interesse. (:

Vai demorar um pouco ainda, só retomarei no início de agosto, mas falta pouco, só mais uma entrevista e depois editar. Estou produzindo um curta-metragem com a De2 também, legal né?

um beijo
gabriel