27/12/2008

Post íntimo

Essa época do ano é muito difícil postar. Neste ano em especial, porque não estou em casa, e preciso usar computador de lan house, como faço agora, o que é bastante desconfortável.
Há tempos venho pensando nos posts grudados na memória e nas pessoas que desejo homenagear, falar aqui.

E não conseguirei postar até o início do ano. Daqui de Jataizinho, no PR, onde os cachorros mordem as pessoas, provavelmente passo os últimos dias do ano em lugares roots, cheio de mato, sem energia, essas coisas.
Por isso, gostaria de desejar coisas boas pra toda a minha família, em especial a Leila que veio nos visitar (estávamos com saudades) e a Tia Neide, que me abrigou e me aguentou durante toda a minha faculdade (me formei agora em desembro!). Além dos sempore heróis mamãe e papai, que me presentearam eternamente com a vida.
Os amigos, comparsas, admiráveis, etc . Pretendo um post homenagem. Só não sei quando. Precisa lembrar de um montão de gente.
E
Feliz Natal. E Feliz Virada.
Alegria, Desapego e Paz pra todos.
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Pessoal que viajou comigo pra Argentina e comentou aqui: foi muito legal conhecê-los. vcs são fódas.
Eu quis pular linhas entre os parágrafos, mas essa merda de blogguer, não aceita. Já reeditei 8 vezes, pulando as linhas, mas ele insiste em juntar. Não vou brigar, é natal.

09/12/2008

Exu caveira

Até ontem não sabia exatamente o que escreveria sobre Buenos Aires, onde estive desde o dia 9 de dezembro. Pero, durante a viagem de retorno ao Brasil, a polícia argentina parou os três ônibus brasileiros, cobrando propina para não retê-los na Argentina. Uma bagatela de 300 reais, alegando qualquer coisa irregular. Tem vídeo até.
Mas antes vem o post que escrevi logo quando cheguei em Buenos Aires. Longo, mas bem corrido, só pra constar para quem quer saber da viagem.

(-> postagem escrita entre os dias 9 e 11/12.)
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A ida.
D
epois de viajar mais de 48 horas do ônibus que apelidamos carinhosamente de sucatão
, chegamos. Foi, na vida, possivelmente (mesmo) a vez que mais passei calor. Como se nao bastasse o calor que é o clima e o aspecto desértico das rodovias hermanas, minha poltrona (se é que aquele assento pode levar tal nome) era a última, bem ao lado do motor do busao, que jogava um bafo quente nas pernas; colocar os pés descalços no chão era impossível, queimava a pele, esquentou pra caralho.

E os postos de beira de rodovia eram risíveis, um fiasco no atendimento. Clima de filme do Almodovar. Com pouquissimas personas atendendo, qualidade nenhuma dos alimentos servidos, os que eram preparados pelo restaurante. A melhor opção eram os industrializados; as comidas, se piorasse um pouquinho só o nível, podia servir o rango para porcos.

No andar do sucatão, muita averiguacao policial federal na rodovia. Nem sei dimensionar quantas vezes nossos 3 onibus do Brasil foram parados. Há boatos de que, em uma dessas paradas, houve a propina de 100 pesos aos guardas.

E havia uma maluca no busao, gritando "exu caveira", ou "cú de rola" o tempo todo e mostrando um pedaco de sua bunda magra na janela ou pro ônibus. Foi assim na ida, na volta e no albergue.

Hexa.

radinho - galera atenta a última rodada do campeonato brasileiro

Depois de conhecer (e não querer voltar nunca mais) as cataratas de Foz do Iguaçú, o Hexacampeonato do São Paulo foi comemorado no sucatão. Logo paramos na fronteira, onde brindamos as primeiras Quilmes da viagem, cerveja argentina clara, muito parecida com a Antártica. Porém, mais leve, mais saborosa.

Quase sem grana em Buenos Aires.
Terca acordamos cedo e de café da manha conhecemos a mea lua, um pao caseiro típico, levemente doce, menor que um pao frances brasileno. (o teclado do albergue nao tem til). Depois prosseguimos todos, da avenida 9 de Julho, onde nos hospedamos, até o micro-centro de Buenos Aires (é tipo o centro velho de Sampa), para fazer câmbio, trocar Real pelo Peso, a moeda argentina. De metrô, com janelas (ventillas) abertas, ventinho bom, tranquilo. É rápido, funcional e muito barato: a passagem custa 0.90 pesos (tipo 60 centavos). Pero nao cobre toda a cidade.

O pessoal fez uma pesquisa para saber qual casa de câmbio era a mais rentável. Trocaram um real por 1.43 pesos. No meu caso, foi um por 1.35, já que preferi fazer o câmbio no meu próprio banco, o do Brasil.

Do caixa eletrônico voce pode sacar direto na moeda local, pagando 2.5 dólares por saque. Mas nem tudo è tao simples . Puxei o Ourocard da carteira, que escorregou e vôou. Num golpe ràpido de reflexo, joguei o braco para pegá-lo, mas meu braco (essa porra nao faz cedilha, no lugar da letra há isso: ñ) comprimiu o cartao contra o meu próprio corpo, que o quebrou. Caralho, fudeu, sem grana em Buenos Aires, quem vai me emprestar grana nessa merda. Que inferno, que zica do cacete, nao vai dar pra comprar nada, pensei.
O azar rendeu um custo de 60 pesos para sacar grana direto de um caixa humano. Foi a única alternativa que restou.

Já na rua, a sede é intensa na Argentina. O clima se parece com o de Sao Paulo, porém mais quente, mais mormaco, mais sensacao de sede e boca seca. Mas venta bastante. Só que a água daqui tem um gosto ruim. É diferente, a opiniao é geral. É tipo uma água salobra, oleosa com um gosto que parece nao matar a sede. Tanto que, nos rolês pelo centro na terca, houve revezamento para comprar água. Que aliás, é meio cara.

Existe uma fama de que tudo é mais barato na Argentina. Por isso, o pessoal aproveita para gastar horrores. Mas nao é o caso. Por causa da crise mundial, os precos equilibraram-se. Na parte central de Buenos Aires os precos sao bastante parecidos com os do Brasil. E há muito chinelo Havaianas por aqui (tem lojas que sò vendem havaianas), eles adoram essas sandálias. E é bem caro tambèm, o chinelo mais simples, aquele que nao tem detalhe algum sai por mais de 35 reais.

Além do clima, o centro de Buenos Aires se assemelha muito com SP. Sao ruas estreiras, por vezes e avenidas largas, calcadas apertadas, trânsito desorganizado, e uma via só para pedestres caminharem (a Floridas), repleta de lojas de ambos os lados. É uma via bem extensa. Caminhando observamos: um velho de barba branca, unha do dedinho comprida, gordo, óculos redondo e camiseta branca fazia um som incrível no violao, plugado numa pequena caixa amplificada. Num banquinho, chapéu ao lado no chao, cujo apreco das pessoas que transitavam ficava ali depositado em pesos. Mais abaixo uma cena parecida. Porém uma jovem muy bela, de cabelos compridos claros, as luzes do cabelo se apagando da regiao alta de sua cabeca, fios soltos e franjinha, unhas dos pés e maos pintadas da mesma cor, um tom tipo salmao, sem amplificacao das cordas ou da voz nenhuma, boca pequena, voz imensa, rasgava, vinha direto da alma, uma cantoria fabulosa, gritada, mas isso nao significava ardência nos ouvidos, ninguém queria deixar de ver que tom ela alcancaria na proxima cancao. Imaginei-a com aquele violao maravilhoso, nalguma casa noturna, pouca luz, mesas, essas coisas. Ficaria ali por horas. Mas El Chavo nos aguardava.

Também num banquinho preto, mas em pé, uma figura do Chaves todo pintado de dourado, pra imitar estátua, buscava os fas(náticos) pelo seriado que o SBT guarda a sete chaves. Ele falava várias linguas, já morou em Sampa, e pede pesos em troca de fotos. Divertido.

Ao lado, na sequencia, uma apresentacao de tango, na faixa. É um absurdo de bom. Vir a Buenos Aires e querer escapar da danca porque é clichê, é a maior besteira que alguém poderia dizer. É muito bonito.
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Hospedagem e rango
Aqui na cidade há gringos por toda parte e de todas as partes do mundo. No albergue que estou hospedado, tem frances, chilenos, porto riquenho e muitos brasileiros. É um tipo de albergue estudantil, em que conforme o número de bicamas nos quartos, mais ou menos caro ele fica.
A comida é um grande problema aqui. Os argentinos se alimentam mal. Mas isso é relativo. A base do rango é batata. Purê, fritas, acompanham os pratos. Os mais comuns sao bife à milanesa, com ou sem molho e algum tipo de churrasco ou hamburgueres (as hamburguesas) . Feijao nem se fala, arroz, algumas vezes é possìvel encontrar, mas servido como se fosse uma salada, frio. No geral, eles comem muita gordura. Há Burguer King e Mc Donald´s, mas nao tem Habib´s.
Alfajor é muito comum, e também o que eles chamam de "empanadas", tipo uma esfirra fechada assada, em forma de risoles, massa fina e saborosa, de milhares de sabores, salgados. É muito gostoso.

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No momento que ajusto este post estao ensinando um argentino a dancar várias coisas: créu, tchan, tigrão etc. O cara está adorando. Nós também.

03/12/2008

Festival Planeta Terra 08

Ir à grandes festivais de música é sempre um alto custo, de energias, sobretudo financeiras. Indiscultivelmente bem aplicado, porém. Além de toda aquela baboseira real de enriquecimento cultural, é um dia amplamente (preciso de palavras de grandeza) peculiar, lembrado eternamente, ainda no túmulo, quando cantigas roqueiras acompanharem o seu funeral. Provavelmente uma dessas bandas estará tocando nalgum Ipod no momento de sua despedida última. Fica aqui o registro, quando eu morrer, toquem o róque enrow.

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Voltemos. Comparemos musicalmente o Planeta com o Tim Festival do ano passado. Nunca tinha parado pra ouvir The Killers, só conhecia um ou outro hit e não fazia idéia do quão fóda a Bjork poderia ser (Juliana, obrigado por me mostrar os vídeos da Bjork). E ainda tinha Arctic Monkeys, uma das poucas roqueiras que empolgam da geração zero zero. (Ouvi alguém gritar Strokes lá da sala.. é o caralho, façam o favor).
Esperava-se uma destruição dos macacos, um rock jovem e visceral, a banda aguardada, riffs que chacoalham a veia, que te fazem dizer, "caralho, isso é rock ´n roll". Tantas horas de espera, de atrasos, de filas e banheiros fedidos, de rangos esculachados, preços exorbitantes e necas. Talvez a ingestão de LSD-25 ajudasse, alterando a percepção, pra melhor.

Na verdade o que senti foi um show morninho (pro frio) e uma presença de palco.. aliás, nem se pode falar em "presença" nesse caso: ela foi nula. O comentário que ouvi à época sobre a apresentação dos britânicos, não consigo achar outro melhor, "eu parecia estar ouvindo o CD dos caras e, pra ouvir um CD, faço-o em casa".
Enfim.


Aquecimento
Antes do Planeta Terra nunca havia ouvido dizer o nome The Breeders. Nem Foals. Nem Jesus and Mary Chain (como assim?). É. A motivação pro festival era o Spoon, banda indie (o que é indie?) zero zero, a qual conheci tentando resenhar.

A Laís que ouve rock de batom-vermelho-carregado-sangue, de vestidinho, tipo sou groupie, e cheira o hálito de uma flor doce campestre me falou de uma pastinha em seu pc batizada de "esquenta planeta terra". Sugeri que Breeders era um bom nome pra começar. E o Gustavo, querido Bafo, me contou sobre Jesus. Pus o Breeders no emule e depois na radiola.

- Caralho!

Foi o melhor show do Terra, de longe. Três mulheres, entre elas a Kim Deal, dois caras, um vocal incrível, num local com uma acústica inebriante, ousada.. estaria eu muito maluco? Não, era só metadinha. Enquanto isso, no outro palco do evento, Bloc Party fazia a festa, dessa vez sem play backs, era o que eles haviam prometido logo que chegaram ao Brasil. (como uma banda se sujeita a isso? Achei que fosse só a Britney; o Michel Jackson nunca faria isso). O Foals eu não vi, mas no blog do Lúcio Ribeiro, diz que foi o melhor do Festival. E não é a opnião dele.

O show do Spoon, desconsiderem as alucinações.
Agora sim.

Se a sonoridade dos discos já é absurdamente boa e instigante (tente descobrir como alguns sons são produzidos), duplique isso, receba a carga de energia sonora e some uma noite inspirada do quarteto, sobretudo de Britt Daniel, o guitar-vocal e Ercy Harvey, o multi instrumentista do grupo. Faltou apenas ser menos "reto", e brincar mais com os trechos instrumentais das músicas, variar, criar, solar etc.

O Spoon destilou quase todo o recente álbum Ga ga ga ga ga (07) e várias do magnífico Gimme Fiction, que data de 05 (The beast, the dragon, adoreded, Sister jack, My mathematical mind, I turn my camera on e Was it You - essa não estou certo).
Em The beast, the dragon... e lavando a garganta e o estômago infectado, apenas com "aguinha", esticava-me até o teto, bem pertinho, dançando toscamente; em seguida, como Hendrix, queria atravessá-lo e beijar o céu, ao som potente e incrível de My little japonese cigarrete case. Arrepios. Parecia estar diante de uma nave espacial passando, abarcando a música que Deus havia encomendado, mas era apenas o solinho e o baixo carregado de Rhthm & Soul...

Como assim "aguinha"?
Uma indisposição intestinal braba acolheu-me na tarde do evento. Grande imozec, vai me salvar, pensei. Após a "revista" (entre aspas mesmo) segui direto ao posto de saúde. Por que variados motivos as pessoas vão parar na enfermaria de grandes festivais? Um maluco de longos cabelos castanhos, deitado, tremia inteiro...
Rapidamente um médico aconselhou hidratação excessiva: "se puder corte o álcool, vc deve melhorar assim". Ah, sério mesmo doutor? Ele fez doutorado?

Que sentido faz ter a juventude na alma, estar num festival de rock com bandas que podem te levar pra outra dimensão, se não se tem catalisadores? Igualzinho como faziam há 40 anos. Quase não mudou. As drogas. Mas. E afinal, quem precisa de álcool quando se tem uma maleta repleta de drogas? Mas eu não tinha uma maleta forrada de drogas. Tinha apenas uma porchete.

E continuava, aquele palco no Indie Stage, palco indoor, baixinho, que permitia pleno contato com as bandas, a voz suave, combinada com o teor doce de teclados inconstantes, com guitarras por vezes pesadas e ruídos sintéticos do teclado de um britânico filho da puta (Harvey) - explítico em My mathematical mind; solos aliás, que parecem os barulhos noyses do Nirvana, ou do Pixies, mais obscuros, porém. É da guitarra mesmo que vem esse som? Caralho! Como se eles assim dissessem: "olha, nós somos pesados, mas espere, não, nós não somos pesados; mas sim, nós somos pesados e não, nós não somos pesadas e sim, nós..." - sentimento claro em Don´t make me a target. Em uma hora e pouquinho desfilaram as melhores músicas de um set list com duração de uma hora e pouquinho...


E veio Breeders, no mesmo palco. Não sem antes de Britt Daniel entrar em transe no chão, de joelhos com sua semi acústica vermelha. Beleza. Restava-me concordar com a frase ao lado: "que isso velho?? Inglês fazendo róque é covardia".

E os próprios Breeders vieram testar o som, instantes depois.
No palco, como verdadeiras enguias de Cortazar, elas abarcaram do céu para o Terra a encenação da vida, manifestada em cordas de guitarras, em solos curtos e em vozes magistralmente orquestradas. Elas trouxeram o Rock (esse, com maiúscula), as cabeçadas esvoaçantes no ar, os punhos cerrados no meio da fumaça, os gritos quase horripilantes de êxtase, o som e a voz (que voz é essa?) que desbaratinavam os corpos por ali.
Pergunte ao Emo...

A cerveja é só um real a mais, moça?
Me dá uma. Skol. Só tinha essa. Não foi Jesus, mas as Breeders que curaram o estômago, nada de deixar rastros pastosos por ali. Também se precisasse, havia papel higiênico sobrando, os banheiros ecológicos davam exemplo, em grande número, limpos e imersos em folhas e galhos de eucalipto. Quem teve essa idéia? Maravilha.

No meio do furor, de coros, de caretas que refletem bem o que se sente, as Breeders mostraram a bunda pra platéia. Nada de abaixar a calça, só na brincadeira mesmo. A banda estava visualmente se divertindo. Olhando e trocando palavras e beijinhos com o público, entre duas ou três canções estonteantes. A cada uma que surgia, um tapa na alma, mostrando como é que se faz... Sacou Monkeys?

E, ao contrário do Spoon, voltaram pro bis, mas só mais uma música. Foi-se. Quantas músicas eles tocaram mesmo? Quatro, cinco?
Mas ainda tinha os desconhecidos (pra mim) Kaiser Chiefs, naquele esquema do Killers, apenas os hits, ou melhor, o hit "Ruby". Era de propósito. Escolhi uma das bandas pra conhecer no palco. Deixo pra quem conhece a banda, comentar, mas, como se diz por aqui, eles fritaram o público com sua empolgação, domínio pleno e, sobretudo, com a música que invetaram.

O som do teclado é viagem, só isso que falo Daltão.

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E fica a pergunta: que outro show foi melhor que Jesus (pra quem viu) ou Breeders, em 08, no Brasil?

27/11/2008

A quem quer me dar limão

grafiti de Banksy

Meus olhos fitavam, apenas. o corpo sentia, apenas sentia. as cores apenas vibravam. e eu apenas sentia o que se podia sentir. era transfiguração. demais. percebi então que nada era "apenas", de "só, unicamente". era o inverso disso na verdade.

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Os grandes dias vêm acompanhado de sede. Certeza.

25/11/2008

Os covardes

Esses dias ouvi no rádio, no programa " A Voz do Brasil", que o presidente Lula sancionou uma lei que garante piso salarial para os professores da rede pública (de 950 reais), válido para todo o território nacional. Segundo página do senador Cristovam Buarque, é o primeiro passo para interligação da categoria em todo o País (pois o piso é nacional). O valor estabelecido deve dobrar e/ou aumentar o salário de mais de meio milhão de professores.

Como alguns Estados não têm essa verba pra repassar, a União previu um dinheiro "socorro", a fim de complementar o valor do piso. Mas, ainda assim, governadores de vários estados entraram na Justiça para contestar a lei. Entre eles: São Paulo, Paraná, DF, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e outros.

Os representantes dos estados protocolaram ação na justiça somente após o término das eleições, óbvio. Pois, caso agissem antes, certamente ganhariam revezes no cenário político, já que os professores representam uma grande categoria do País.

Tais governadores são uns covardes. Maiúculas por favor: COVARDES. Agora que teoricamente não têm nada a perder, esses "líderes" estaduais avançam contra uma lei que beneficia e aumenta (finalmente) o salários dos profissionais que estão no front pela educação nas escolas públicas. Agem por interesses próprios, são desleais, traiçoeiros, ratos zanzando na madrugada, integram a pior corja que corrompe o Brasil.
E fomos nós que os colocamos lá.

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Tosse?
Beba muita água, pois ela facilita a movimentação da secreção (aquilo que seu corpo quer expulsar) nos bronquíolos; é o melhor antitussígeno que se conhece.

Valeu fumante.
O fumo é a principal causa de tosse, pelas seguintes razões:
1) aumenta o volume de muco produzido pelos brônquios;
2) causa irritação física e química das mucosas;
3) destrói os cílios que cobrem o revestimento interno dos brônquios;
4) facilita o acúmulo de material estranho às vias aéreas.

04/11/2008

No país da Baurets

Língua: órgão muscular, alongado, móvel, situado na cavidade bucal e que serve para a degustação, a deglutição e a articulação dos sons da voz; conjunto de palavras ou expressões, faladas ou escritas de...

Desencana, esse dicionário não sabe de nada.

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PS. vai aqui um salve pra Oi, que anda ainda capengando, mas que me proporcionou uma ligação pra tia Marisa, parabenizá-la por seu aniversário. Ela ficou feliz da vida.

31/10/2008

Manifesto 1

"Me manifesto anonimamente para exigir coisas nas quais ninguém acredita, como paz, justiça e liberdade".


da página 45 da Piauí que acabaram de arremessar no meu quintal de cimento. Lá tem grafites maravilhosos do artista inglês Banksy, que inventou um jeito de ficar rico com grafite político. Mas ele precisa ficar escondido, pois grafite é crime que dá cadeia na Inglaterra, assim ele segue escuso, anônimo, pintando seus desenhos em paredes públicas ou privadas, sempre acompanhadas de frases bem boladas, como essa acima. Vale o click.

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The Breeders.



PS. Mais manifestos virão sobre o descaso dos donos das baladas com seus funcionários mal pagos e sobre professores que não sabem nada sobre universidade.

30/10/2008

O álbum novo do Oasis

A banda inglesa lançou um disco novo: Dig Out Your Soul. Tudo que vc precisa ouvir falar, ou melhor, discutir sobre, está aqui.

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Sorte do dia: restam 3 dias para terminar o TCC, porém, suas amigas de grupo irão salvar sua vagalidade.

17/10/2008

A novela Nações Norte

No primeiro turno das eleições municipais de Bauru, o chefe da Casa Civil do Estado, Aloysio Nunes Ferreira, em meio a fogos de artifício e outros festejos, veio a Bauru prometer a construção da rodovia Nações Norte. Faltavam pouquíssimos dias para a eleição acontecer.

Agora, quem veio a Bauru fazer novas promessas foi o secretário de Transportes do Estado, Mauro Arce. O anúncio sempre vem como inédito, porém, há mais de uma década que a saga "Nações Norte" paira. Já é a terceira vez que se comenta com furor a construção dessa rodovia. Como o próprio secretário disse, "é uma novela". Será um mero detalhe esse anúncio, com o fato de estarmos a pouco mais de uma semana do segundo turno?

Políticos tem a mania de vincular grandes obras aos candidatos que disputam os pleitos. São vícios infernais. Mas o eleitor já está exausto de velhas promessas. Tomara.

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PS. Postagem número 100 do Notícias Mentirosas. Eu ia fazer um cálculo da média de postagens, com o tempo de vida do blogue, mas desisti. Em tempos de trabalho de conclusão de curso, não tá dando pra "perder tempo". Mas, sair à noite, sempre dá.

14/10/2008

Pescada fresquinha

Acordou no meio da noite. Com frio. Levantou o quadril até alcançar a coberta, nos pés. Cobriu-se e voltou a dormir, confortável.

08/10/2008

As vozes do povo

Lá no shopp centis em Bauru, o pessoal pega “ôibus” na frente do estabelecimento, tem um ponto que se torna grande, de tanta gente, com cobertura pequena e poucos lugares pra sentar. Eles fritam na rua. Diz que é demorado, escasso, esburacado. Sempre a mesma estória. Nem criativo esse povo sabe ser.

A dona Erradicada não passou em branco. A ralé, aliás, costumar reclamar bastante. De barriga cheia, óbvio.O bairro onde ela (sob)reside é distante (o povo parece que gosta de se esconder), e o ônibus não chega. Então, quando dona Erradicada desce do coletivo, no último ponto, ainda precisa andar outros 45 minutos a pé, até sua morada. Todo dia é a mesma ladainha: sapatinho sujo de barro, “o patrão não gosta não”. Mas, andar um pouquinho todos os dias faz bem à saúde, garantem os doutores.

Fora um caso extremo a morte do pai da Darlene. Deu no Jornal da Globo, num sabe? Atente o leitor para a fatalidade, contudo não chores mais, não role no vento, é só um draminha. O pai de Darlene, santista dos tempos de Leão, boina, preta, barba rala, gente boa; chegou ao hospital e não tinha médico. Ah, o restante você já sabe meu amigo Créu.

Outra reclamona, aliás, Dona Barateira usa brincos grandes, gosta de unhas cumpridas e esmalte nos dedos, uma coroa enxuta. Toma café em qualquer lugar. “Não tenho preconceito, pode ser ali na esquina, ou naquele bar, não tem problema”. O problema pra dona Barateira é o café do hospital Estadual de Bauru, que custa valiosos R$ 1, 50.

- Cafezinho caro, sô!

Ela inventou que quem vai ao hospital Estadual não tem dinheiro pra tomar um café, “porque o ônibus já é caro”. Imagina só, caro? Trabalhador tem TRANSPORTE COLETIVO? Pára de reclamar dona Barateira! Mas ela não aqueta.

- A pessoa fica duas, três, quatro horas pra fazer a consulta, um exame mais complexo, fica lá várias horas e não tem dinheiro, muitas vezes só tem a condução. Como vai pagar R$1,50 por um café? A pessoa fica no hospital o dia todo menino! De novo essa conversa de demora pra atender, minha tia?

- Se for comer precisa ir até as barraquinhas lá de fora, porque dentro do Hospital é tudo caro, igual posto de estrada.

Sorte é do seu Jura. Pra ele tá tudo ótimo, a cidade é linda-maravilhosa e não tem problemas. Nenhum. Nem no seu bairro, garantiu-me com expressão séria, não duvidem.

E pra resolver todos os problemas de Jandira, bastava uma creche. Só isso. Quem manda fazer filhos Jandira? O problema agora é da prefeitura, que deve! a estrutura de que Jandira necessita, estrutura que ela diz ser “TUDO que eu preciso na vida”. Como se vê, não carece muito pra ser feliz.

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-> Uma homenagem singela. Ouvi os personagens reais de Bauru, fazendo "fala povo" nas ruas. Mas é só isso que posso dizer, devo me calar, aguardo a liberação dos arquivos secretos da dita!dura! (o que estão esperando senhores liberdade-democracia?), senão eles me pegam, tem gente batendo na porta, que aflição.

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Ato pacífico contra o blogger: vc é ridículo pra ctrl c, ctrl v de textos do word.

PS2. Lucas Ruiz, vc está crescendo.


Sun Walk and Dog Brothers.

25/09/2008

Candidatos, torcida ou cabos eleitorais?


O debate realizado na Unesp essa semana (22-09) os candidatos a prefeito da cidade de Bauru foi morno e raso. Quem acompanhou, talvez tenha saído com a sensação de pouca discussão aprofundada em relação a temas que realmente importam pra Bauru. Talvez o clima frio da segunda-feira tenha interferido. Claro que não foi completamente ruim, algumas questões importantes foram tratadas, como a leishmaniose, por exemplo.

O formato escolhido também não funcionou. Até o segundo bloco do debate praticamente nenhum problema. O terceiro bloco, porém, quando as pessoas da platéia elaboram perguntas aos candidatos, foi um fiasco. As perguntas deveriam ser endereçadas, e não sorteadas, como foi feito. Pois tratavam de assuntos específicos para um determinado plano de governo, e não para um candidato aleatório, sorteado através das mãos do Franco Junior.

O ponto mais fraco do evento, contudo, foi o posicionamento de várias pessoas presentes nos assentos do ginásio: se comportaram como torcedores alienados. Ao invés de se aterem ao conteúdo do debate, pensar nas respostas que os candidatos expunham, etc, esse público (verdadeiros cabos eleitorais), parte dele, composto por candidatos a vereador por Bauru, estava lá mesmo no Guilhermão apenas para fazer barulho. Só manifestavam palmas quando o seu time estava com a bola, ou seja, quando o seu candidato falava.

Fica a reflexão: o que esperar então de um eleitor, ou pior, de um candidato a vereador que se comporta, num debate, como torcida organizada? Que despreza a opinião dos outros candidatos, chegando, inclusive, a vaiá-los? Essas pessoas não têm a menor noção ou preparo para ser a representação da comunidade na Câmara municipal. E se o povo não perceber isso, que Deus abençoe nossa eleição para que essa aberração não se torne real.

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As pessoas votam no que vêem na TV. E o que vêem na TV é produção, imagem, estratégia apenas. E produção, estratégia de marketing e, sobretudo, (boa) imagem custam muito dinheiro. Ou seja, é preciso gastar fundos incríveis para se ganhar uma eleição. Gastando enormes quantias, que interesses e idéias o vencedor levará para o cerne de seu governo municipal?

18/09/2008

O (mau) atendimento no hospital (privado)

Ir ao médico devia ser encarado como um aprendizado. Pode ser um momento para fazer perguntas sobre a doença, saber riscos, características, como a bactéria, o vírus atua no corpo, em quantos dias estará plenamente sadio etc, as perguntas são infinitas. Assim, ao fim da consulta, além de um reles receituário, o sujeito terá adquirido conhecimento sobre um assunto que possivelmente não lhe é nada familiar.

Dia desses meus olhos acordaram colados. É uma sensação esquisita, parece filme de ficção. Depois de “descolá-los”, fitei o espelho e notei que estavam completamente vermelhos, permanecendo assim durante todo o domingo (24-08). Alguns arriscaram alergia. Outros, palpitaram conjuntivite. Na mosca.

Não precisa ter sabedoria do assunto para prever que se trata de uma manifestação ocular contagiosa e, por isso, precisa-se de certos cuidados. Durante a consulta, porém, o médico mal respondeu às perguntas que lhe dirigi; fazia-o através de monossílabos. Quando pedi o atestado médico, ele disse não ser necessário. Estranhei. Meus dois amigos também. Um deles até sugeriu voltar e solicitar novamente. “Como assim não deu atestado?”.

Achamos por bem retornar ao hospital. O médico, porém, já havia voltado de onde antes viera, da UTI. Possivelmente, tinha pressa, o paciente talvez precisasse de cuidados sensíveis e uma simples conjuntivite desviara o seu foco de atenção.

A “culpa” nesse caso recai sobre o hospital (São Lucas, da Rua Rio Branco) que disponibilizou apenas um médico para atender, além das consultas da madrugada, a Unidade de Tratamento Intensivo.

Eu e, por coincidência, um conhecido, fomos atendidos, como em “atendimentos em série”, onde examina-se o paciente correndo (o médico sequer tocou nos meus olhos e não me fez mais do que 3 perguntas, mas calma, ele pode ser bom nisso) e já emite-se o laudo: uma receita de cura com grafia completamente ilegível. Por que não podemos ler o que está escrito ali? Minha mãe já me dizia pra perguntar sobre a receita. “Podem não entender”, antecipava.

Não deu outra. Na farmácia, amontoaram-se três farmacêuticos em torno do papel para tentar decifrar. Tentamos ligar no hospital, mas parece que o número impresso na receita estava incorreto. A única opção foi tornar no local. Lá outra vez, um dos enfermeiros nos ajudou.

Conversando, eles inclusive, ficaram perplexos ao saber que o “doutor” não emitira o atestado médico necessário. “Mas você pediu?” Claro!, respondi. “E o que ele disse?” Que não precisava, pra passar lá no dia seguinte, “apenas se piorasse”. Uma moça do atendimento aconselhou retornar no outro dia, que deixaria pronto pra mim, com o médico que viria no plantão seguinte. Logo, eu teria que gastar minhas energias e de novo me deslocar até o hospital...


Além do não atestado, o médico não mencionou os cuidados para se evitar a contaminação de outras pessoas (só falou o óbvio, usar toalhas individuais) e nem que há mais de um tipo de conjuntivite, como a alérgica (não contagiosa) e a infecciosa (viral ou bacteriana).

Na consulta, ele poderia ter discorrido rapidamente sobre as perguntas que fiz, dizendo que a conjuntivite é bastante comum, uma inflamação da conjuntiva e costuma não deixa seqüelas, enfim. Não se prega tanto o tal tratamento humanizado? Mas, como o médico era um cardiologista, o paciente, uma pessoa comum e a “doença” também comum... sobejou-me o relato de um atendimento pífio aqui nesta Tribuna, e uma reclamação por escrito depositada na urna do SAC do hospital.


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PS. acabei de enviar este texto ao jornal.
PS2. Aos desinformados: Bauru sem tomate é misto.
PS3. Por que toda geração acredita piamente que "foi muito mais louca que a outra"?

PS4. O blogger é absurdamente ridículo para importar textos do Word.
PS5. E por isso, eu achei esse post uma merda.

05/09/2008

o Agora

Se não quer sentir o horrível peso do Tempo
Que pesa sobre os seus ombros e o esmaga,
Embriague-se sempre.

Com quê?
Com vinho, poesia ou virtude.
Com o que quiseres.
Mas embriague-se.
-baudelaire

Os posts do Blog da Renata são muito bons.

30/08/2008

Quando merda acontece

Tem os amigos para ajudar.

Ontem fiz uma entrevista para o meu trabalho de conclusão de curso, um livro-reportagem sobre um bar jurássico daqui de Bauru, o Armazén Bar, que em novembro completará 28 anos. Temos já algumas estórias bem legais.

A entrevista não foi gravada. Meu MP3 player da Sta. Ifigênia, estava até funcionando bem, mas ontem ele não gravou nada. Quase perdi tudo.

Aí, uns caras já meio velhos e legais me deram uma luz, os Beatles. As outras "luzes" vieram de amigos, eles sempre ajudam. O André está vindo aqui em casa, me livrar das forças do mal (certeza que foram elas que fuderam meu player), com uma vodca barata nos braços e uns energéticos.

E a Fernanda, companheira mágica na saga de escrever um livro, me confortou bastante. "Fica triste não...as informações vão aparecendo aos poucos na memória..se vc forçar pra lembrar agora vai ser mais dificil...tá chateado, tá ansioso. Parte pra próxima que quando vc tiver escrevendo, vem a luz..."

Obrigado amigos.


Beatles - In my Life.



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PS. usar bigode é muuuuito legal.

27/08/2008

Como nossos pais

"E Bauru, aqui era o centro de droga, tinha a estação ferroviária ali e chegava, então todo mundo fumava maconha, todo mundo “cherava”, todo mundo tomava ácido, desde o mais rico ao mais pobre, então os nego iam muito loco pro bar."

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Cansei de ser Sexy - Give Up


PS. O blogger não me deixa nem a pau colocar a formatação que quero, ele tem vontade própria neste post.

21/08/2008

A gente ganha mais pra se ajoelhar e o meu amor pela Tia Neide

Acabo de trocar a minha coluna por duas notas de vinte reais. Elas são bonitinhas até.

A sorte é que, chegando em casa, disposto cuidadosamente (meeeesmo) sobre a cama, aguardava-me o meu pijaminha, posto ali com muito zelo pela Tia Neide. Eu te amo tia.

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Aos que perguntaram. O texto do post anterior foi publicado.

13/08/2008

A eterna longa espera nos bancos

Antes, conforme escrevi ao Jornal da Cidade, podia-se desconfiar de que as prefeituras municipais não fiscalizavam firmemente a longa demora nas filas bancárias. Agora, nem isso. Pelo menos, não em Bauru e algumas outras cidades do País. Segundo essa matéria de fevereiro deste ano do JC, o Tribunal de Justiça considerou ilegal que o município pudesse aplicar multas aos bancos em casos de longas esperas (de 15 a 30 minutos, dependendo do dia).


Hoje fui ao banco Santander pagar uma conta e solicitar à agência um cartão apenas com a função de débito. Gastei quase uma hora para resolver ambas pendências. Quando cheguei ao caixa, sugeri que o canal da TV à cabo fosse trocado, para um canal que transmitisse as Olimpíadas. Muito mais legal que os desenhos chatos do Bloomberg. O funcionário disse-me que o pedido não era inédito e informou que a orientação recebida foi para manterem as TVs ligadas no canal de desenhos, pois os canais de esporte poderiam exibir propagandas de outros bancos, que não o Santander.
Mais medíocre impossível.

Essas empresas bancárias privadas gastam um dinheirão com campanhas e merchandising e esquecem de coisas simples, como a comodidade e contemplação dos clientes. Nas agências não há revistas, jornal ou qualquer tipo de distração enquanto aguarda-se o atendimento. O máximo que se pode fazer é protestar dentro da própria agência. Mas certamente isso demoraria ainda mais. Os usuários assim, ficamos sem opções e sem ter para quem reclamar. Aliás, há sim a quem recorrer: aos céus. E só.

10/08/2008

Para os meus pais

Há uma estória que diz que quando somos "encomendados" por algum casal aqui na terra, já sabemos quem serão nossos pais, pois escolhemos eles antes mesmo de ir parar na barriga.

Essa estória, aliás, é real, me lembro bem.
(O personagem olha pra o céu e surge uma imagem esbranquiçada, típica, que retrata algum fato no passado; é um lugar bucólico, céu limpo e grama verdinha, ovelinhas pastando, e tudo mais que nós crianças imaginamos):

- Gabriel, venha cá, é a sua vez de nascer. Você quer escolher quem serão os seus pais lá na terra?
E quem você escolhe?


Lá, nesse lugar bucólico, podemos ter uma visão da vida dos candidatos a serem nossos pais, para podermos escolher. As imagens aparecem num espelho d´água.
E então avistei-os de longe. E tive certeza de que queria estar com eles pra sempre.

Quando os vi pela primeira vez, mamãe e papai estavam num bar em São Paulo - cidade que escolheram para crescer na vida - ouvindo e dançando música, rock. Bebiam cervejas. Papai era mais discreto. Já mamãe falava bastante. Papai contava que queria montar algo, uma empresa talvez, mas precisaria de ajuda...

Mamãe estava linda naquela noite, seus olhos brilhavam e ela usava um vestido que salientava o bumbum. Papai trajava jeans, all star e uma camiseta meio surrada. Os cabelos eram longos , até perto do pescoço e brilhantes, pretos. Mamãe sabia que havia encontrado uma jóia rara: além de bonito, inteligente, tinha o coração-bom, como nenhum outro ser humano e sabia tudo sobre os Beatles e os Rolling Stones.

Nesse momento, explicava para mamãe que aquele som que acabavam de flambar no barzinho era send me a postcard. Mais tarde, na mesma semana, papai tentou explicar, mas achou melhor comprar logo o disco do Sá & Guarabira pra ela. Está lá até hoje.

Depois, o som cessou. O bar parecia manisfestar um desejo de fechar, era bem tarde. Não fecharia tão cedo, contudo. Um violão caiu nos braços de papai. Mamãe dizia também que, além de bonito, inteligente, coração-bom e de saber tudo sobre os Beatles e os Rolling Stones, ao pegar no violão, papai apavorava a ponto de todos os gays e todas as moças do lugar ficarem em volta, rodiando, polvorosas. Imagino que o leitor saiba bem como são essas simpáticas senhoritas.

Fora uma bela noite da lira paulistana. E nesta noite, foram-se embora a passos pouco apressados, abraçados, com o braço esquerdo de papai sobre o ombro esquerdo de mamãe que, vez ou outra, subia até a cabeça onde recebia cafunés esparsos. Chegaram em casa e foram direto para o quarto. Bom, e aqui estou...


Papai,
hoje é dia de celebrar. Celebrar a vida que foi possível existir. Celebrar as estorinhas que me contou, os domingos que me levou ao teatro (Cacilda Becker) e os doces que me deixou comprar no mercado. Celebrar aquele circo fajuto que me levou e os tiros de brincadeira que dei com você no parque de diversões. Celebrar o seu coração-bom como nenhum outro ser humano, que está de alguma maneira impregnado em mim. Celebrar o sorriso, o seu jeito cativante e o rock que você me ensinou a ouvir.
Papai eu te amo. Parabéns.

07/08/2008

Assim é fácil

Do uol:

Tudo como está. Por 9 votos a 2, os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) decidiram que os políticos com "ficha suja", aqueles que respondem a processos na Justiça, podem se candidatar, a não ser que tenham uma condenação definitiva, sem possibilidade de recursos. A decisão já havia sido tomada pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Para Fernando Neves, ex-ministro do TSE, a tarefa de barrar os candidatos com "ficha suja" é do eleitor.

"Achar que nós não devemos eleger para cargos públicos pessoas que não têm um passado recomendável, isso é correto. Só que a Justiça Eleitoral não pode impedir isso. Se 90% da população acha que não deve eleger pessoas com passado pouco recomendável, nós temos que demonstrar isso no nosso voto", disse.

Assim fica fácil: jogar para as mãos da sociedade a batata quente de decidir nas urnas se o candidato com ficha suja deve ou não ser eleito. Num país onde ainda impera o voto oligárquico (aquele no qual práticas como a compra de votos, além dos políticos terem diversas concessões de rádio e tv nas mãos) chega a ser piada.
Porém, como nem todos os acusados realmente são culpados, talvez a idéia do ministro Joaquim Barbosa (relator da ação penal do mensalão) de barrar candidaturas de processos em segunda instância, seja uma boa (embora seu real desejo fosse anular candidaturas de políticos condenados em primeira instância). Ainda assim, acho que (de novo) quem mais perde somos o povo.

06/08/2008

Plim!

Sempre quando visito o blogue da Luma, fico sabendo de iniciativas bacanas que rolam na web. Por exemplo, descobri a campanha "Recicla Justus", que tem como objetivo elevar e/ou melhorar a qualidade do conteúdo televisivo nacional e promover a sustentabilidade, através da criação de uma grande empresa de reciclagem. Afinal, como diz lá, "você aí consegue dizer o nome de UMA empresa de reciclagem de bate e pronto?".

campanha propõe a troca das carroças de rua por bicicletas cadastradas à futura empresa

A idéia do Suspensa é muito boa. Ela sugere uma nova proposta para o reality show "O Aprendiz", da TV Record, onde quem poderia participar fossem apenas "carroceiros". Confira a campanha na íntegra.



"Este programa revolucionará todo o mercado televisivo nacional, diversos anunciantes irão querer ter suas marcas vinculadas a este conceito novo de "sustentabilidade-reality show", além de fazer um bem para a cidade e toda população. Daqui eu só vejo vantagens. E você?"

Notícias Mentirosas apóia a campanha e parabeniza o seu idealizador pela idéia notória.
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Sobre o post anterior:
obrigado a Shakira e a Piri que lembraram fatos esquecidos da lira paulistana. E a(creditaram) o conteúdo escrito. Gracias.


Pata de Elefante - dor de siso.

05/08/2008

Combo no Berlim: um rolê no underground paulistano

Em São Paulo, mandamos a lei seca pro inferno. Nossos medos na verdade eram muito maiores. Enchemos a cara antes (e durante o trajeto, ao som potente do veículo particular do meu advogado, o André) de ir pra balada e chegamos ao Berlim, (onde rolaria Surfadélica), com meia garrafa de whisky no sangue. Mais tarde, as latinas, nos chamaram ao balcão e inventaram de tomar tequila, vai vendo.

Antes do "show" do Surfadélica, porém, demos uma fuga para o ambiente externo do bar. Mui loco, desenhos nas paredes, janelas e os banheiros. Quem teve aquela idéia brilhante? Começamos a interagir nas rodas, aquela coisa de estuda onde, faz o que da vida etc. São Paulo é assim: enquanto discute-se a possível legalização da maconha, a cidade cria seus próprios habitatis naturais, que tendem a aumentar com a tal lei.

Dentro do bar novamente, fomos ver a Surfadélica (foto). Divertido e dançante pra quem gosta de surf-rock, meio psicodélico. O japonês da guitarra é insano. Mas nada como um show dos Dead Rocks.

Guitarradas abriram a apresentação e, quando a gente começava a entrar na onda (usando um trocadilho tosco), o som parou. Firmeza, pensamos, "vai rolar o segundo tempo". Era a nossa grande esperança naquele momento de carência sonora (e tão somente) que alimentava a nossa loucura.

Mas no Berlim, as banda tocam, no máximo, 40 minutos. Péssimo, porém, o estilo da casa. E haviam-se esgotados os 40 minutos. Que merda de bar, cogitamos. Mas estávamos tremendamente bêbados da música que nos adentrava; foi quando percebemos uma mina-dj ficou discotecando toda-toda (foto).


Deve ter tocado bem, as pessoas dançávamos, ainda que passos de forró-bailinho, mas dançávamos. Mas não seria difícil, com whisky, tequila, cerveja e o tempero dos índios na cabeça, era só se desequilibrar e seguir os passos da bela caribenha. Literalmente.

Ao fim, não éramos de todo loucos. Alguém ainda pensava, pode dar merda. Depois das comandas pagas, o ser humano menos louco, (a Piri que, naquele dia viu o gol do Bahia contra o Corinthians - chupa! - na torcida baiana) guiou o carro até a casa da Yula (a senhorita que muda destinos), onde finalmente mataríamos a nossa larica, nos abraçaríamos e dormiríamos em berços dourados...

Aos colegas de sala que faltaram hoje

Aqui está o resumo da aula para vocês (das anotações da Bruna):

"Todo objeto é um signo sem deixar de ser objeto.

Todo signo é um objeto sem deixar de ser signo."


Isso é tudo. Isso é semiótica. Um raro prazer.
Um abraço pro Adenil, aliás. Obrigado por colaborar conosco.
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Ainda bem que hoje ganhei um abraço da Sílvia e outro do Mateus (quem está de olho em quem?).

27/07/2008

Quem aí anda de ônibus?

Texto publicado em 22/7 na Tribuna do Leitor, do Jornal da Cidade de Bauru.


Certamente não faz tanto tempo que você ouviu falar de aumentos nas tarifas de serviços públicos na cidade de Bauru. O último, em relação a este setor, foi em maio de 2007, de R$ 0,15. Talvez você já imagine do que estou falando: o preço da passagem de ônibus passou de R$ 1,75, para R$ 1,85. O passe integração, de R$2,15 para R$ 2, 25, também um aumento de R$ 0,10. E há novidades: quem não tiver o cartão de integração, a partir de setembro, pagará ainda mais caro. Na tarifa comum, quem depende dos ônibus, desembolsará R$ 2, 00. Ou seja, um: se você esquecer o cartão em casa, pagará mais caro pelo mesmo serviço. Ou seja, dois: ter o cartão não quer dizer necessariamente que você pague um preço menor para andar de ônibus. Você precisará lembrar de carregá-lo a todo instante, caso contrário, sua amnésia significará mais custos. A causa disso, porém, diz-se, é nobre, pois o cartão diminuiria a circulação de dinheiro nos ônibus, reduzindo-se assim os assaltos. A discussão é boa.

Os novos valores já estão valendo desde a primeira semana de julho (a partir do dia 2), o período das férias escolares. Pode ser só um detalhe.
E é sempre bom lembrar: Bauru, a cidade sem limites, não possui descontos nas passagens de ônibus para maiores de 18 anos. Isso porque há uma lei municipal que regula essa idéia. Idéia, aliás, muito boa já que o contingente de universitários em Bauru (e, portanto, maiores de 18 anos) é imenso (ao todo são mais de sete universidades), o que sinaliza para uma maior quantidade de pessoas girando a roleta. Esse é outro detalhe que distingue bem os “limites” da cidade, pois é uma das poucas do Estado de São Paulo que não promove descontos para universitários.

Bauru não possui também uma entidade que realmente se faça valer socialmente, já que o Conselho de Usuários do transporte coletivo de Bauru – que tem a missão de ouvir a população sobre o assunto – é meramente consultivo. Ou seja, três: o conselho não tem voz, não é deliberativo, pode até achar que os aumentos não são justos, mas, se o gabinete das Cerejeiras quiser, o reajuste acontece independente do que o conselho indicar. Quem explica é Émerson Sandi, assessor da empresa que gerencia os ônibus urbanos em Bauru, a Emdurb, em entrevista ao programa Raiz Social, veiculado pela web rádio Unesp Virtual e produzido por alunos de jornalismo da UNESP, campus de Bauru.
É certo, como constatou a reportagem de autoria de Ana Carolina Almeida e Vanessa Machado, que as pessoas não acham justa a elevação da tarifa, por diversos motivos, como demora nos pontos, e frota reduzida para determinadas regiões.

A população para se fazer ouvir, entretanto, negar e/ou discutir os valores sugeridos, teria que focar-se e sinalizar sua opinião, como forma de não aceitar o que não a contempla. Mas fiquem tranqüilos, essa idéia de protesto e ir para as ruas é passado, nada acontecerá, logo esqueceremos que um dia o preço era menor... e, logo, estaremos pagando a mesma tarifa da cidade de São Paulo: R$ 2,30. Lembrete: em 1997 a passagem era de apenas R$ 0,50.
Não faz muito tempo
que falei aqui mesmo nesta coluna (Tribuna do leitor do JC) acerca de aumentos referentes ao transporte coletivo em Bauru. Nos vemos, portanto, em breve, quando o próximo vier. Até lá!

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* Gosto bastante das coisas que o Mateus comenta aqui e gosto muito dele também. Vc é muito bem vindo aqui amigo.

Hoje, daqui a pouco viajo para Jataizinho (30km de Londrina), onde colherei cogumelos, lá tem muitos pastos. E também terra do meu amigo rockeiro e jornalista Rodolfo.

Pata de Elefante - Carpeto Volatore.

25/07/2008

Da parede de onde fui hoje:

"Ame o seu trabalho ou emprego, como se você não precisasse daquele dinheiro; ame como você amaria, se nunca tivesse se machucado; dance como você dançaria, se ninguém estivesse te olhando... "

23/07/2008

Até quando seu lobo não vem

Ei seu editor, onde estão as matérias?
E as fotos? Como assim, e agora?

Temos que entregar o jornal até quando?
Como assim as pessoas não entregaram as matérias?

Como é que vai ser?
Como assim as pessoas desistiram?

"Segura as pontas aí meu filho!".

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Isso dialoga (o de baixo) com um texto do Tetê que ele escreveu em maio de 68. (se for visitar o blogue, leia o texto do cachorro, o "Teorodo").

22/07/2008

Os "filhas da puta" e o mercado negro

O carro da Marjorie não tem rádio. Roubaram tempos atrás.

No início de julho, na Unicamp, numa festa da SUA, roubaram a frente do rádio do Mel, o baixista da minha banda, a Ranca Bílis.

Ontem, no jogo do São Paulo X Botafogo, no estádio do MorumTri, roubaram o rádio do carro do meu pai. E a frente também, que estava no porta-luvas. Ele estacionou na rua e pagou 10 contos pra "cuidarem" do veículo. Quando retornou tinham 2 vidros quebrados e o painel do carro estava todo arrebentado. Ele precisou comprar um painel novo.

A mãe do Mel, a Marta, gente boníssima aliás, foi ver o preço só da frente do aparelho. Era quase o valor de um equipamento novo. Já no mercado negro, coisa de uns 80 reais.
É aí que vem a encruzilhada: pagar baratinho e ter o rádio de volta e alimentar esse mercado negro ou comprar novinho na loja (de novo)?

Sinceramente, talvez eu escolhesse alimentar o mercado negro. Afinal, é muito mais barato. Muito mais. Além de eu poder encontrar o meu prórpio rádio lá. E ainda reconhecer o difícil trabalho dos ladrões. Eles devem ter patrões bravos e dar um baita duro pra roubar o que você comprou com o seu suor.

Ouvi alguém dizer "se eu pego um filha da puta desses, eu dou um coro".
Pô, não bate não, esses caras dão duro. E peraí, por que uns "filhas da puta"? Também não, eles quebram vidros, arrebentam seu carro e levam o que ameniza o seu stress no trânsito...

14/07/2008

A Lei sega

"A nova Lei 11.705, que altera o Código de Trânsito Brasileiro, deve provocar uma mudança de hábitos da população brasileira. O consumo de qualquer quantidade de bebidas alcoólicas por condutores de veículos está proibido. Antes, era permitida a ingestão de até 6 decigramas de álcool por litro de sangue (o equivalente a dois copos de cerveja).

Quem for pego dirigindo depois de beber, além da multa de R$ 955, vai perder a carteira de motorista por 12 meses."

do portal G1.

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Primeiro, ensinam pra gente que beber é legal, uma ótima maneira de socializar-se com as pessoas. Agora, que nós aprendemos direitinho, e nos tornamos verdadeiros bêbados, verdadeiros seguidores da pinga pura, ou ainda quando dominamos a arte de dirigir embriagados, aparece essa censura.

Por exemplo, se você beber uma lata de cerveja, passada uma hora, o seu fígado já terá absorvido o teor alcóolico da cerveja, mas ainda assim o álcool estará no seu sangue. Isso não significa que você não tenha em condições de controlar um veículo a ponto de ser preso.
Sou a favor da lei, a causa é nobre, mas ela é radical demais. O problema é que não se discutiu tal lei, aliás, como nenhuma outra lei é aqui discutida.

Em tempo: já dirigi algumas vezes com muitas doses de álcool no sangue. Dependendo, a pessoa consegue dirigir na boa, andando devagar. Conheço várias pessoas que fazem isso. Nunca me envolvi em acidentes, nem sóbrio, nem louco. E penso que não merecia estar do mesmo lado de quem se embriaga e acha que está numa pista de corrida, ou de quem, na hora do teste, mal consegue assoprar o canudo do bafômetro. Mas, como não dá pra separar o joio do trigo...

Obs.
O Lula e os políticos que avançaram com a lei seca têm motorista particular.


Mas (palpite), acredito que essa fiscalização intensa só deve continuar enquanto o foco midiático persistir. Até que não apareça outro assunto-bomba, que retire a lei seca do foco, a fiscalização permanece, afinal, a polícia, de maneira geral, gosta de mostrar serviço.

Conversei com alguns colegas sobre o assunto. A Marjorie emitiu sua opinião ao blogue:

A terra-do-caos surpreendeu-me com um puta frio e com o caos da Lei Seca. De repente tá todo mundo com preguiça de sair, ou então é um "tá, mas quem vai dirigindo?". 340 pessoas levadas a delegacia só ontem, é a resposta.

Sou completamente a favor da Lei Seca. Completamente. Mas fato é: para quem está acostumado a sair de carro, as noites paulistanas viraram um dilema. Sei lá, se alguém vier com outra proposta que surta efeito tanto quanto a lei seca e que nao seja tão repressora, eu serei a favor...mas enquanto isso, prezo pelo bem-estar social.

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Com essa postagem inauguro o novo layout do blogue. A sua opinião é importante pra mim, deu um trabalhão. O Rodolfo fez sugestões no post anterior. Aliás, caro Rodolfo, gracias, sua visita e opinião são sempre muito bem vindos por aqui. Conforme sugeriu, o fundo cinza foi mantido.

A imagem no topo do blogue é de autoria do Renato Malandro. Quando eu for rico e famoso,
não negarei minhas origens e influências, pagar-lhe-ei, amigo, algumas salsichas e Antárticas.

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Aleatório. É incrível como os galos da minha vizinhança aqui em Bauru são pontuais, faltam 5 minutos para às 5 horas da manhã e eles não param.


Feliz dia Mundial do Rock! (13/07)



11/07/2008

"Antes os artigos sobre cinema eram produzidos por intelectuais; hoje, são feitos por jornalistas".

- Cléber Eduardo, na oficina de crítica de cinema, que participei na SUA.

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Leitor, na próxima postagem o blogue estará com um novo layout. Pelo menos é o que se pensa.

26/06/2008

O time dos barbudos


Tenho uma banda de rock. Ela chama-se Ranca Bílis. Entrei no conjunto (como diria minha avó), no início do ano. De lá para cá, já tocamos em várias festas de república. É onde conseguimos tocar, em troca de cervejas.

Quase sempre é desorganizado, da parte de quem faz as festas; os equipamentos são precários, mas geralmente as pessoas se divertem bastante, ao menos é o que me asseguram após os "shows". Sobretudo, quando o teor alcóolico no sangue, está elevado. Aí, nós somos sempre um sucesso (vide a festa M ´Imprensa).

Essa semana, fomos convidados para tocar num "evento" na Unesp, a universidade onde estudo: o Quinta no Bosque. A idéia, muito boa. Na quarta gravaríamos um programa na rádio Unesp Virtual (o Programa Quinta no Bosque) e no dia seguinte a apresentação em formato acústico, com direito a violão de 12 cordas e uma semi-bateria, na qual até as bags da bateria (bolsas para guardar o instrumento seguramente) foram usadas como batuque (porque não tínhamos trazido o bumbo).


(Obrigado Malandro, pela arte!)

Na quarta, levamos um furo. As responsáveis pelo programa não apareceram.
Porém, como a vingança nunca tarda, mata a alma e a envenena, eu disse que falaria umas boas para elas no meio do Quinta no Bosque. Mas, não falei nada, porque esqueci de trazer o microfone. Nessas, acabei com as cordas vocais do Cazé - nosso vocalista-fóda - que precisou esgoelar.

Não tinha luz, nós tocamos no escuro.
Não tivemos público. Talvez um dos motivos é que marcaram uma assembléia estudantil - que discutiria os rumos do movimento que visa trazer um Restaurante Universitário (RU) para a universidade (aqui, o restaurante é particular, quem quiser almoçar no campus, precisa desembolsar, pasmem: R$ 5, 45) - no mesmo horário do Quinta no Bosque.

Ainda assim, mais ou menos como ocorre nas festas de república, um ou outro vem dizer coisas legais sobre a banda, que gostou, que curtiu etc etc. Vieram.

Além do Gaba, de maneira tímida, meio acanhado, o sir Marraposa Sexy agradeceu "o fomento cultural no bosque" e disse que "estava mesmo precisando balançar os esqueletos". Logo em seguida, seu amigo gafanhoto-mutante, foi-me apresentado:


Seu gafanhoto-mutante "pousa" gentilmente para o Notícias Mentirosas


Seu gafanhoto-mutante (como se auto definiu), por sua vez, comentou o som, citou o Dr. Xavier e, no fim da conversa, quando eu me apressava para ir para a aula, disse-me algo que demorei a entender:
_ Amigo, eu gostaria de entrar para o seu time, o dos barbudos.

10/06/2008

A-título

Me perguntaram se eu tinha um plano perfeito-estratégico-infalível pra conquistar aquele coração marginal. Ao que respondi: “Tenho uma cueca”.

Depois me veio com blá-blá-blás corriqueiros sobre ideologias políticas. Perguntou a respeito de leituras óbvias. Claro que já li “Admirável mundo novo”. Ela já fora melhor outras vezes. Deve ter acordado num dia não muito bom. Após isso o assunto melhorou. Mas só um pouco.

Aqueles lábios, porém, seriam melhores de outras maneiras naquele instante, que não fosse o ato de proferir palavras desconexas. Sugeri algo, qualquer coisa, imagine aí o leitor algo criativo. Ao que ela tornou os olhos, finalmente tapei, calei-lhe a boca em definitivo, para o seu próprio bem, aquelas frases eram demasiadamente ruins.

Trocávamos agora umas salivas.

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Não consegui encontrar imagem-temática pra ilustrar o post, mas também nem procurei muito, já está tarde.

09/06/2008

Nasce um podcast

Na semana passada, produzi uma reportagem sobre comsumismo (ouça no Ijigg) e como as propagandas comerciais influenciam a nossa rotina. Ela foi feita para o quadro "Teoria e prática" da déicma segunda edição do programa Raiz Social, que vai ao ar quinzenalmente na web rádio Unesp virtual. Além de responsável técnico do programa, vez ou outro participo com algum material.

Mas o fato é que o Raiz Social acaba de ganhar um podcast, para facilitar a audição do programa, já que o site da rádio passa por problemas de navegação.

O Raiz Social foi idealizado pelo Suzano - que aliás, é o âncora do jornalístico - e trata, principalmente, de questões sociais, através de quadros como o "movimentos sociais", "teoria e prática", que mostra um determinado conceito e traz ele para o cotidiano das pessoas, além de outros. É uma nova proposta, nunca observei nada parecido por aí.

Ouça a décima segunda edição do Raiz Social no Podcast do programa. E também todas as outras edições.
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Feliz semana.


05/06/2008

Da Folha on line:


O fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, foi absolvido da acusação de ser o mandante do assassinato da freira norte-americana naturalizada brasileira Dorothy Stang, em fevereiro de 2005. Por 5 votos a 2, o Tribunal do Júri de Belém o considerou inocente. A Promotoria vai recorrer. Bida, que estava preso desde março de 2005, foi libertado no início da noite.


No Brasil, há uma legislação bastante rígida. Vide as penalidades dos crimes contra o Meio Ambiente, por exemplo. O agravante é que só é aplicada em ocasiões reduzidas. Quando, por exemplo, a mídia massacra a população com seus capítulos diários novelescos dos fatos, pressionando e agilizando os julgamentos; ou quando, em raros instantes, tem-se profissionais sérios. Do contrário falta ao Executivo competência para aplicar o que está na Constituição e coragem ao Supremo (e aos juris populares) para condenar as pessoas que corroem esse País.