27/11/2007

Londrina é Rock ´n Roll !


Rolou no fim de semana do feriadão da República a edição 2007 do
Festival Demo Sul. É um festival de música que acontece todo ano (desde 2001) na terceira maior cidade da região Sul do país: Londrina, localizada no norte do PR.

Ano passado passaram pelo palco do festival 25 bandas, entre elas uma da
Argentina e as conhecidas (ou não) Forgotten Boys, Rogério Skylab, Macaco Bong, Superguidis, Bidê ou Balde ...

_A Demo Sul 2007

Diz a Rolling Stone Brasil que a Demo Sul é o maior evento de rock independente do interior do país (realizado fora de uma capital). Além disso esse ano fritariam no palco da chácara Lima (entre os dias 16, 17 e 18) as bandas Ludov, Edgar Scandurra A.k.a Benzina (o projeto solo do guitarrista do Ira!, que aliás por hora desfez-se, pois o Nasi saiu da banda, com isso a banda paulista atende agora pelo nome de "Trio"), além de Matanza, Vanguart, Los Porongas (lá do Acre!) e outras. No total foram 26 bandas. De passagem pela metrópole Jataizinho (tipo 30 Km de Londrina) fui dar um rolé nos shows ...

_Sexta - feira: primeiro dia: Rock eletrônico?

E lá fomos nós chegar antes de todo mundo na tal chácara Lima (12 Km do centro da cidade). "Lima" deve ser por causa da "estrada do limoeiro" - trecho que nos leva até o local. Sete e pouco da noite, o carro já estacionado. Os 100 primeiros não pagariam os 5 contos do estacionamento de terra. Gracias. Mas não precisava chegar tão cedo. Nem os seguranças estavam a postos. Nem som não rolava dentro da chácara. Exageramos. Confundimos o horário, o festival começava as 19:45h.
Aí, o jeito foi "esquentar" no interior do carro ouvindo som de fita. Éééé, de fita K-7. Vodka de 5 conto + Coca pra acompanhar.

Enfim entramos, meio bêbados. Nas redondezas da chácara (nem era tão grande), o lugar ficou bacana: banheiro ecológico, tenda branca na frente do palco; do lado oposto um dj tocando rock, piscina (que ninguém ousou pular), graminhas, luzes vermelhas mirando nas árvores, cerva barata (Sol) a dois contos, um clima firmeza. E sem aquele lance de festival grande, de mainstream. É tipo festa em chácara, bem do interior. Muito bacana.

_As bandas
Começou praticamente no horário. Os paranaenses do The Wind abriram o evento. Um trio que tem algumas músicas, rocks legais. Só.
Na sequência, The New Ones descarregaram todo o seu hard core (?), em músicas rápidas e em alguns momentos "pegados".

Zombeteiros: o show é bem "rockeiro"

Espíritos Zombeteiros deram um grau. Fizeram um showzasso, variando composições e bons riffs, instrumental trabalhado e com muito peso - característica da banda. Os caras já são de uma cena antiga de Londrina. Agradou bastante.


Depois, o tom mudou. Camisas xadrez, chapéu de palha e calças jeans deram o tom caipira do Charme Chulo (foto). É naquele naipe de "rock rural", com canções "astral". Destaque pro violinista Leando Delmonico (de rosa), que tocou guitarra, violão, viola e outros intrumentos que não faço idéia. Entusiasmou a galera.

Bom, até aí só "pé vermelho". Então colocou os mano de Brasília, o Super Galo. Formado pelo ex-vocal da extinta Rumbora (das boas "Chapirous" , "ó do borogodó") e pelo ex-batera do Raimundos, o Fred. Eu já os havia visto no Porão do Rock deste ano e a impressão foi a mesma: ridículo. Mas o refrão de uma das músicas do Super Galo era o melhor: "Bombando, bombando em Bagdá!". Rachei.

Na sequência, os Droogies apareceram direto do filme de S. Kubrick. Os caras estão entre o tosco e o bom e se apresentam devidamente "figurinizados". Sorte das meninas que ganham chapéus igual aquele do personagem de Laranja Mecânica, o Alex. A maioria deles canta (bem). Mas, achei a banda bem mediana. Minha amiga comentou que falta "estrada". Concordei.

Depois disso esquentou de vez, ainda bem, porque o frio bateu. Nessas havia perdido a conta das latas ingeridas. Começava a ficar com frio. Realmente, lembrando do semblante das pessoas ao chegar da madrugada, ventou pra caralho.

Trilobit era a bola da vez. Fizeram um puuuta show, para minha surpresa. Pois melhoraram demais de quando os vi pela primeira vez, abrindo para o Autoramas. A banda soa original, com sampleres por vezes engraçados, por vezes criativos antes do início das músicas. O som é pesado, bem construído, empolgante e com pitadas de sons magnéticos e eletrônicos, o que dá um caráter "moderno" ao quinteto. Tudo isso com macacões verdes e um macaco doutro mundo sobre o palco. Fodido.

Demorou, mas logo apareceu a sensação indie (?), direto de Cuiabá para Londrina: o Vanguart. A banda é assim: pegue um vocalista talentoso, que saiba fazer boas letras, junte caras que gostam de tocar e aproveitam pra fazer algumas canções meio "fora do padrão". Alie uma pegada folk e pronto, tem-se aí outro destaque da Demo Sul 07. Eu nunca tinha ouvido nada além de "Semáforo", o hit da banda. E talvez por isso tenha achado a apresentação notável, sobretudo pelo talento de Hélio Flanders, seu violão e seu casaco. Showzasso, daqueles que não se tira o olho do palco.

O melhor show do festival
Passadas das 2 e meia da matina veio aquele que seria o melhor show da Demo Sul 07 (ouso dizer, ainda que não tenha visto as apresentações de domingo): Edgard Scandurra e o projeto Dj Benzina - no qual o guitar hero brasuca é acompanhado por Michelle Abu na batera (incomum) e percussão, além de Sandra Coutinho (a mina - estilosíssima - tem outra banda com o Edgard: Mercenárias!), no baixo.
O cara botou os rockeiros todos pra dançar. Esbanjou categoria. Não é à toa que muita gente o considera como o melhor guitar do Brasil. Um duelo entre ele e o Lúcio Maia (da Nação Zumbi) seria interessante.

Ele destilou efeitos sonoros no seu aparelho high tech de DJ, na guitarra e num microfone especial, que cria uma voz robótica muito loca. Do chão não passaríamos. Nem precisava. Mas o fato é que Scandurra tocou um tempão (em termos de festival com 7 bandas), com solos e combinações empolgantes, explosões e discotecagens, num mix que colocou a poeira vermelha da chácara pra cima, fácil.
Depois explicou a façanha: "Elvis, eu estava lá; Dj Mau mau, eu estava lá, movimento punk de SP, eu estava lá..." (no clipe, o som é melhor que a imagem) e citou outras influências, por meio da metáfora, que é também uma faixa do último disco do trio beleza: Amor Incondicional. Parecia coisa de new rave, só faltaram os bastões coloridos!

No fim, com a platéria eufórica, Scandurra traduziu o nosso pensamento: "onde é que essa festa continua?". Na mosca. Depois daquela apresentação, pra casa não dava pra ir. Tinha o sábado pela frente e uma enorme ressaca também. Mas, essa, já é outra estória...
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PS. Impossível achar fotos do projeto Benzina na internet. Nem da Demo Sul, isso porque tinham várias pessoas brincando de tirar fotos por lá.

Um comentário:

SAMANTHA ABREU disse...

CARACAAAAA
e vc acha que eu não tava lá, não?!

foi maravilhosoooo!

e vem cá.. me diga: você estava aqui na pequena Londres?!
por que não avisou, para tomarmos uma geladíssima?!
;D

beijão!