No início semana passada, a Anatel
proibiu a Telefônica de comercializar o "speedy", pois a empresa não está conseguindo manter o serviço com qualidade, além de apresentar falhas e aumento considerado de reclamações dos usuários.
Pesquisando na internet, observei
muitos relatos de falta de cuidado e desatenção com os usuários, além de
vários problemas e processos não resolvidos, sem falar de um abuso e outro, como a cobrança ilegal de uma multa de recisão de contrato que, no caso de serviço de banda larga, não existe - garantiu-me um funcionário da Anatel.
Como a empresa também parecia me ignorar ou, me tratar com descaso em várias tentativas de relatar/solucionar equívocos claros da minha conta telefônica de Bauru, na sexta-feira (26-06), convidei o amigo
Luccas Barrossa (o Egg, pra quem for mais chegado) para gravar uma espécie de mini-documentário sobre a Telefônica/Telefonia no País. Passamos boa parte da tarde daquela sexta que ameaçava chover, em frente à sede da empresa em Bauru, o antigo prédio da Telesp, colhendo depoimentos de clientes, cujo relato trago agora.
I Etapa: amadorismo, polícia, chuva e ameaças
Não demorou nem dez minutos para aparecer alguém com histórico de problemas, sem conseguir uma resolução rápida. A dona Sônia de Almeida, inclusive, tinha ido à empresa no dia anterior (25-06), onde cronometrou um tempo de espera de uma hora e meia. Sem obter uma solução, ela retornou com o marido e o neto (?) na sexta e esperou mais uma hora e quarenta minutos para ser atendida: "bom, agora disseram que vai resolver, temos que esperar, pelo menos aqui [na unidade física da empresa] o atendimento é melhor, porque o call center deles não dá", disse na saída do atendimento. Segundo a dona Sônia, o problema de sua conta é cobrança indevida, valores "completamente equivocados", narra.
Enquanto aguardávamos por mais pessoas, o Luccas resolveu pegar um take do comunicado da Anatel, colado no vidro da empresa, sobre a proibição da venda de speedy. Foi o que mais tarde descobriríamos, motivou um funcionário a chamar a polícia.
PM gente boa: O que os senhores estão fazendo aqui mesmo?
- Olha, nada de mais. Estamos colhendo alguns depoimentos de clientes desta empresa para um documentário.
PM do mal: vocês são estudantes?
- Não, eu sou jornalista e o Luccas estuda Rádio e TV aqui em Bauru.
Conversa vai conversa vem, dúvidas nossas, inquéritos deles...
PM gente boa: veja, vcs não estão cometendo nenhum tipo de crime aqui. O que acontece é que aparecem duas pessoas com uma câmera, filmando a empresa, conversando e filmando os clientes da empresa, eles chamaram o 190. E o que nos foi passado é o seguinte: vcs não podem filmar a agência, mas na rua pode, então por favor.
Na sequência, surgiu uma funcionária dizendo que devíamos ter pedido autorização, ter ao menos conversado com a empresa (amadorismo), que estávamos filmando dentro da Telefônica, que isso era ilegal etc etc; fato que foi desmentido para os policiais: as cenas gravadas, mostraram que não havia nada de mais. Então, todos voltaram a seus postos.
Mas, não deu tempo de nos acomodarmos, a PM que havia estacionado a viatura em frente ao prédio da empresa, ficou ali mais uns 10 minutos. Foi ela sair e a funcionária chegar novamente.
Funcionária: De onde vcs são, pretendem publicar isso?
- Ahan.
F: E de onde vcs são mesmo?
- Não somos de nenhuma empresa, é uma iniciativa pessoal, vamos produzir de maneira independente.
F: Bom, a minha supervisora, que não está, mandou eu dar o recado para vcs. Ela disse que é proibido publicar qualquer material sem autorização da empresa. Se for publicado, há multa e vcs vão ter muita dor de cabeça, é sério.
Embora um tisquinho preocupados, continuamos firmes o nosso trabalho, afinal estamos lidando com um time tricampeão: a Telefônica, pelo terceiro ano conscutivo, é a vencedora em reclamações no Procon. Porém, tivemos o cuidado de, com o alerta da segurança pública municipal, gravar a 2 metros de onde estávamos antes.
Mais 3 pessoas deram depoimento. A última foi uma senhora de 74 anos, vigorosa e elegante, "motorista das boas", garantiu-me, reclamava do absurdo que era passar "carão" em tentativas frustradas de fazer compras, pois seu nome constava no SPC, sem que ela tivesse a devida notificação da Telefônica. Debaixo de uma chuva fina, extrapolando as seis horas da tarde, a professora aposentada Jarde Alves Bueno relatou com a maior disposição, se indignou com o "descaso de uma empresa desse porte dar trabalho para uma senhora, ficar dirigindo para lá e para cá, sem resolver nada.." e nos desejou boa sorte.
Obrigado senhora Jarde, nós até vamos precisar. Mas, talvez, a senhora precise mais.
A chuva fina pouco molhava, o dia já não tinha mais luz e nublava, fome. Tomamos o rumo de casa, com essa estória pra contar...
----
Hoje (02-07) eu e o Luccas fomos ao Procon, realizar outra entrevista para este projeto. E foi impressionante a maneira como fomos recebidos, muito bem, as pessoas naquele lugar (poupa tempo) trabalham com extremo senso de ajudar o máximo que podem. Colaborou demais para o projeto. Para quem se interessou, continuarei relatando as etapas deste doc na sequência da vida.