Lá no shopp centis em Bauru, o pessoal pega “ôibus” na frente do estabelecimento, tem um ponto que se torna grande, de tanta gente, com cobertura pequena e poucos lugares pra sentar. Eles fritam na rua. Diz que é demorado, escasso, esburacado. Sempre a mesma estória. Nem criativo esse povo sabe ser.
A dona Erradicada não passou em branco. A ralé, aliás, costumar reclamar bastante. De barriga cheia, óbvio.O bairro onde ela (sob)reside é distante (o povo parece que gosta de se esconder), e o ônibus não chega. Então, quando dona Erradicada desce do coletivo, no último ponto, ainda precisa andar outros 45 minutos a pé, até sua morada. Todo dia é a mesma ladainha: sapatinho sujo de barro, “o patrão não gosta não”. Mas, andar um pouquinho todos os dias faz bem à saúde, garantem os doutores.
Fora um caso extremo a morte do pai da Darlene. Deu no Jornal da Globo, num sabe? Atente o leitor para a fatalidade, contudo não chores mais, não role no vento, é só um draminha. O pai de Darlene, santista dos tempos de Leão, boina, preta, barba rala, gente boa; chegou ao hospital e não tinha médico. Ah, o restante você já sabe meu amigo Créu.
Outra reclamona, aliás, Dona Barateira usa brincos grandes, gosta de unhas cumpridas e esmalte nos dedos, uma coroa enxuta. Toma café em qualquer lugar. “Não tenho preconceito, pode ser ali na esquina, ou naquele bar, não tem problema”. O problema pra dona Barateira é o café do hospital Estadual de Bauru, que custa valiosos R$ 1, 50.
- Cafezinho caro, sô!
Ela inventou que quem vai ao hospital Estadual não tem dinheiro pra tomar um café, “porque o ônibus já é caro”. Imagina só, caro? Trabalhador tem TRANSPORTE COLETIVO? Pára de reclamar dona Barateira! Mas ela não aqueta.
- A pessoa fica duas, três, quatro horas pra fazer a consulta, um exame mais complexo, fica lá várias horas e não tem dinheiro, muitas vezes só tem a condução. Como vai pagar R$1,50 por um café? A pessoa fica no hospital o dia todo menino! De novo essa conversa de demora pra atender, minha tia?
- Se for comer precisa ir até as barraquinhas lá de fora, porque dentro do Hospital é tudo caro, igual posto de estrada.
Sorte é do seu Jura. Pra ele tá tudo ótimo, a cidade é linda-maravilhosa e não tem problemas. Nenhum. Nem no seu bairro, garantiu-me com expressão séria, não duvidem.
E pra resolver todos os problemas de Jandira, bastava uma creche. Só isso. Quem manda fazer filhos Jandira? O problema agora é da prefeitura, que deve! a estrutura de que Jandira necessita, estrutura que ela diz ser “TUDO que eu preciso na vida”. Como se vê, não carece muito pra ser feliz.
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-> Uma homenagem singela. Ouvi os personagens reais de Bauru, fazendo "fala povo" nas ruas. Mas é só isso que posso dizer, devo me calar, aguardo a liberação dos arquivos secretos da dita!dura! (o que estão esperando senhores liberdade-democracia?), senão eles me pegam, tem gente batendo na porta, que aflição.
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Ato pacífico contra o blogger: vc é ridículo pra ctrl c, ctrl v de textos do word.
PS2. Lucas Ruiz, vc está crescendo.

Sun Walk and Dog Brothers.