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31/08/2009

Carta aos amigos próximos, que compartilham (e não abandonaram) a vida

É cara. a "vida" é/tá fóda. às vezes, mais fóda que vida. às vezes não sobra tempo pros ideais que a gente imaginou. um grupo fez uma pesquisa e perguntava às pessoas qual era o sonho, os planos dela para dali um, dois anos. Depois, o grupo retornava para saber se havia se consolidado. resultado: 80 - 90% dos planejamentos não eram alcançados; e, geralmente, a pessoa já estava trabalhando com algo aleatório, e já completamente desencanada do que havia pensado outrora. (porque é preciso vender-se para compor-se a mesa, a casa, o guarda-roupa, a noite).
mas quer saber? ainda é possível (sempre haverá horas "sobrando"): a não ser que o sonho tenha escorrido pro ralo, junto com partes de vc. se você não sonha, então já morreu. o que você tem sonhado pra sua vida??

eu acho que estamos no caminho certo.
pelo menos, ainda aquelas paradas todas que a gente sempre teve como "certas, éticas", verdadeiras e construtivas, estão vivas, reluzentes...

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ao invés de construir o que me disseram que era para construir quando eu fosse grande, estou tentando construir uma vida.
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essa falta, essa angústia, essa incerteza, essa falta-de-não-sei-o-que, que acontece contigo aí, é igual a que eu sinto aqui.
pero, o mais importante é estar feliz e a gente sabe, ah se sabe qual é o caminho. é por isso que as vezes tanto "sofre". o resto, é resto. mas nem tanto. porque tem os amigos. pense quantos te abrigariam, com o maior prazer. pense no seu alcance no mundo. você tem muitas cidades pra ir? porque aqui, você será sempre (muito) bem recebido, com tudo o que tem direito: comida boa, cama cherosa, lugares legais pra ir, cultura, debate, coisa fina, chuveiro quente e música boa pra ouvir enquanto a água cai e claro, o copo (sempre) cheio.
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posso não ter uma casa, mas tenho várias outras pra ir. posso não ter um carro, mas tenho um monte de gente querendo me dar carona.
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a diferença de uma recepção (aquela pessoa que lhe recebe na casa dela) entre um "rico" e um "pobre" é que um deles vai lhe oferecer o mais rápido que puder, comida, abrigo, porque ele sabe que as duas piores coisas (humilhantes) para alguém são: a fome e o frio.
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E se eu não quero mais comprar qualquer produto da coca-cola não é para você me desdizer aqui, ali, rotular, esnobar, sarrear: eu simplesmente não quero dar o MEU dinheiro para a coca. é SÓ isso. com o SEU dinheiro você consome o que mais lhe agradar. inclusive as casas bahia.

ver o sol, nascer, ou ir-se, revigora a alma. não é à toa que há tantas referências divinas a Ele


você tem olhado para o céu??
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espero (de coração) que esteja tudo bem, com todos vocês. espero ansioso uma próxima visita sua; e, assim que eu puder, prometo que vou voando vê-lo.
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*hoje, perdi o meu celular e todos os contatos que estavam naquele chip.
mas, na mesmíssima hora, "apareceu-me" uma mão, com um aparelho celular sobre ela.
é uma merda, mas é (bem) menos merda quando você consegue enxergar que pode escolher (valorizar): ficar se lamentando/fritando-se horas, ou saber que isso não significa absolutamente nada. é você quem manda. sempre.
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*postagem aleatória, logo retorno ao blog, contando o porque do meu sumiço por aqui.

18/07/2009

Curta metragem "O Cheiro"

No segundo semestre de 2007 em Bauru, junto com a Bruna Ferrari, Paula Pulga, Gabriela Virdes e a Flávia Oliveira - produzi um documentário que tratava a questão setor imobiliário X Floresta Água Comprida. A questão ganhou, inclusive, uma campanha permanente da ONG Vidágua e do Amigos da Terra BR. Foi com este doc que descobri o vídeo.

Mas desde então só voltei a filmar este ano, primeiro com a ideia de um doc sobre as mazelas da Telefônica e o setor de telefonia em geral.

A segunda empreitada aconteceu nas últimas duas semanas quando demos início às filmagens do curta-metragam "O Cheiro". O filme nasceu deste pequeno conto, "o cheiro da vulva", segunda publicação deste blog. Escrevi um roteiro e enviei, entre outros, para um amigão de Campinas que gosta demais de cinema, o Ângelo Selingardi (o Shun ou Coca, para os mais chegados). Ele me respondeu, "cara, seu filme está sem sentido, as coisas não se ligam, eu faria diferente". Na primeira descrição que o Ângelo fez de uma das cenas, foi o suficiente para eu sacar que ele era um profissional do ramo...

Resumindo, misturei as várias ideias do Ângelo com as minhas poucas e redigi um novo roteiro. Passei o novo roteiro adiante e ele ganhou contribuições significativas, como uma da Marina Paschoalli. Além disso, ganhei a adesão e a empolgação da Flávia Oliveira, que abraçou a causa como se fosse dela e filmou praticamente 90% das tomadas do filme. Sem falar dos seus toques artísticos, essenciais para a estética desejada.

João Lucas, durante as filmagens na república Panco, pagando de cozinheiro, de avental e tudo

Assim, com uma equipe extremamente enxuta, eu, a Flávia e os dois atores João Lucas Folcato e Priza Sayuri (e grande elenco), em quatro nos viramos como pudemos para realizar o filme. Algumas pessoas chegaram a dizer que ajudariam, mas na hora "H" desapareceram. Contudo, vencido o último obstáculo (a câmera), começamos a gravar num meio de tarde da terça-feira, dia 07/07, na república Panco, em Bauru.

Conseguimos também apoio de duas locações, o Armazen Bar e o Crepe Diem, que agradeço desde agora.

Sobre a estória do curta (que não se liga em quase nada com o micro-conto que o inspirou)
O filme acontece em dois planos, um real cujo personagem principal está em uma cozinha, preparando uma carne para o seu almoço. O segundo plano, imaginário, acontece dentro da cabeça do personagem, enquanto ele cozinha, e se passa em um bar, um restaurante e um quarto. A partir de um conflito que acontece inicialmente no bar, com uma garota, a estória se desenrola, sempre alternando os dois planos.

A estética do filme, ideia do Ângelo, foi a de prestigiar planos detalhes, em linguagem técnica, significa que filmamos os personagens e suas ações bem de perto, preferindo partes de seus corpos para compor e ligar as ideias, a mensagem desejada em cada cena. Acho que este elemento é o mais legal do filme.

Temos alguns vídeos tipo "making of" para quem ficou curioso. Segue abaixo.



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Este mostra a Flávia fazendo uma tomada por de trás dos pratos; o resultado ficou bem legal.






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Postando com um pouco de pressa, agradeço o interesse das pessoas que apoiaram e conversaram diretamente comigo e principalmente dos atores, cuja dedicação me surpreendeu. Assim como em relação ao doc da Telefônica, trarei outras notícias a respeito de "O Cheiro".
Obrigado!

01/07/2009

Amadorismo, polícia, chuva e ameaças

No início semana passada, a Anatel proibiu a Telefônica de comercializar o "speedy", pois a empresa não está conseguindo manter o serviço com qualidade, além de apresentar falhas e aumento considerado de reclamações dos usuários.

Pesquisando na internet, observei muitos relatos de falta de cuidado e desatenção com os usuários, além de vários problemas e processos não resolvidos, sem falar de um abuso e outro, como a cobrança ilegal de uma multa de recisão de contrato que, no caso de serviço de banda larga, não existe - garantiu-me um funcionário da Anatel.


Como a empresa também parecia me ignorar ou, me tratar com descaso em várias tentativas de relatar/solucionar equívocos claros da minha conta telefônica de Bauru, na sexta-feira (26-06), convidei o amigo Luccas Barrossa (o Egg, pra quem for mais chegado) para gravar uma espécie de mini-documentário sobre a Telefônica/Telefonia no País. Passamos boa parte da tarde daquela sexta que ameaçava chover, em frente à sede da empresa em Bauru, o antigo prédio da Telesp, colhendo depoimentos de clientes, cujo relato trago agora.


I Etapa: amadorismo, polícia, chuva e ameaças

Não demorou nem dez minutos para aparecer alguém com histórico de problemas, sem conseguir uma resolução rápida. A dona Sônia de Almeida, inclusive, tinha ido à empresa no dia anterior (25-06), onde cronometrou um tempo de espera de uma hora e meia. Sem obter uma solução, ela retornou com o marido e o neto (?) na sexta e esperou mais uma hora e quarenta minutos para ser atendida: "bom, agora disseram que vai resolver, temos que esperar, pelo menos aqui [na unidade física da empresa] o atendimento é melhor, porque o call center deles não dá", disse na saída do atendimento. Segundo a dona Sônia, o problema de sua conta é cobrança indevida, valores "completamente equivocados", narra.

Enquanto aguardávamos por mais pessoas, o Luccas resolveu pegar um take do comunicado da Anatel, colado no vidro da empresa, sobre a proibição da venda de speedy. Foi o que mais tarde descobriríamos, motivou um funcionário a chamar a polícia.

PM gente boa: O que os senhores estão fazendo aqui mesmo?
- Olha, nada de mais. Estamos colhendo alguns depoimentos de clientes desta empresa para um documentário.
PM do mal: vocês são estudantes?
- Não, eu sou jornalista e o Luccas estuda Rádio e TV aqui em Bauru.

Conversa vai conversa vem, dúvidas nossas, inquéritos deles...

PM gente boa: veja, vcs não estão cometendo nenhum tipo de crime aqui. O que acontece é que aparecem duas pessoas com uma câmera, filmando a empresa, conversando e filmando os clientes da empresa, eles chamaram o 190. E o que nos foi passado é o seguinte: vcs não podem filmar a agência, mas na rua pode, então por favor.

Na sequência, surgiu uma funcionária dizendo que devíamos ter pedido autorização, ter ao menos conversado com a empresa (amadorismo), que estávamos filmando dentro da Telefônica, que isso era ilegal etc etc; fato que foi desmentido para os policiais: as cenas gravadas, mostraram que não havia nada de mais. Então, todos voltaram a seus postos.

Mas, não deu tempo de nos acomodarmos, a PM que havia estacionado a viatura em frente ao prédio da empresa, ficou ali mais uns 10 minutos. Foi ela sair e a funcionária chegar novamente.

Funcionária: De onde vcs são, pretendem publicar isso?
- Ahan.
F: E de onde vcs são mesmo?
- Não somos de nenhuma empresa, é uma iniciativa pessoal, vamos produzir de maneira independente.
F: Bom, a minha supervisora, que não está, mandou eu dar o recado para vcs. Ela disse que é proibido publicar qualquer material sem autorização da empresa. Se for publicado, há multa e vcs vão ter muita dor de cabeça, é sério.

Embora um tisquinho preocupados, continuamos firmes o nosso trabalho, afinal estamos lidando com um time tricampeão: a Telefônica, pelo terceiro ano conscutivo, é a vencedora em reclamações no Procon. Porém, tivemos o cuidado de, com o alerta da segurança pública municipal, gravar a 2 metros de onde estávamos antes.

Mais 3 pessoas deram depoimento. A última foi uma senhora de 74 anos, vigorosa e elegante, "motorista das boas", garantiu-me, reclamava do absurdo que era passar "carão" em tentativas frustradas de fazer compras, pois seu nome constava no SPC, sem que ela tivesse a devida notificação da Telefônica. Debaixo de uma chuva fina, extrapolando as seis horas da tarde, a professora aposentada Jarde Alves Bueno relatou com a maior disposição, se indignou com o "descaso de uma empresa desse porte dar trabalho para uma senhora, ficar dirigindo para lá e para cá, sem resolver nada.." e nos desejou boa sorte.

Obrigado senhora Jarde, nós até vamos precisar. Mas, talvez, a senhora precise mais.

A chuva fina pouco molhava, o dia já não tinha mais luz e nublava, fome. Tomamos o rumo de casa, com essa estória pra contar...
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Hoje (02-07) eu e o Luccas fomos ao Procon, realizar outra entrevista para este projeto. E foi impressionante a maneira como fomos recebidos, muito bem, as pessoas naquele lugar (poupa tempo) trabalham com extremo senso de ajudar o máximo que podem. Colaborou demais para o projeto. Para quem se interessou, continuarei relatando as etapas deste doc na sequência da vida.

08/06/2009

De barquinho, pelo grande Mar

O mar é uma grande bolacha líquida de água e sal
Mas ele precisa estar limpinho
Como as lindas águas de Martim de Sá
Lá, o seu Maneco é marinheiro forte
Entra chuva e faça sol, Maneco é guerreiro
Cuida da água, do sal e de todo que habita Martim
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Quando estive em Martin de Sá, no fim de 2008 e nos primeiros dias de 2009, seu Maneco, o morador ilustre da Reserva Ecológica Juatinga, localizada em Paraty - RJ, já nos alertava para a irresponsabilidade de alguns meios de comunicação para com a Reserva.
Ressaltando apenas o caráter paradisíaco de Martim de Sá, esquecem de revelar os cuidados necessários para quem deseja conhecer a praia e de sua reduzida capacidade de abrigar tantas pessoas. Foi assim uma reportagem do Estadão que listava lugares alternativos para a passagem de ano.

A Reserva encheu e o seu Maneco, sempre atencioso, claro que não ia mandar ninguém embora, se virou como pôde para abrigar as barracas na área permitida.
Mas, durante o carnaval, parece que Martim de Sá tornou chamar atenção de turistas após aparição em jornal. O efeito é inevitável e, não fosse a falta de respeito e desmazelo para com a natureza e com o seu Maneco, não haveria problema.
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Aqui ainda é Paraty Mirim; daqui, apenas de barco é possível chegar em Pouso da Cajaíba


O local é realmente vislumbrante. Depois de seguir de carro, por um caminho, de estrada de terra, a partir de Paraty Mirim, você chega numa prainha (primeira foto). Daí, o acesso a Martim de Sá pode ser feito apenas de barco a partir de outra praia que também só se consegue chegar via barco: Pouso da Cajaíba. Desta praia, ou você pega uma trilha de mais ou menos uma hora e meia, ou encara algum barco local, que te levará até a Reserva Ecológica de Martim de Sá.

o percurso da primeira prainha até Pouso da Cajaíba é bem tranquilo

Recomendo a trilha, muito bem demarcada e, embora tenha longo trecho de subida, é recompensante quando você alcança a mata fechada e as derradeiras curvas que levam à Martim de Sá. Depois de algum perrengue, a sensação da chegada, transcende.
O barco te poupa energias, porém o mar aberto causa forte enjôo e tontura (nós fizemos o caminho da volta de barco). Além do mais, a trilha é de graça, ao passo que, com os barqueiros, gasta-se cerca de 20 a 30 reais, por pessoa.

Em Martim, o indispensável são lanternas e velas, pois a Reserva não tem energia elétrica (o que só reforça seu caráter de paraíso) e nem vende bebida alcóolica. Aos que torceram o nariz, digo que o contato com o mar não poderia ser pleno, com o efeito alcóolico. A bebida traria uma falsa impressão.

Há ainda algumas trilhas que podem ser feitas a partir da Reserva. Uma delas, leva ao "Poção", um complexo de águas, uma cachoeira e uma piscina natural fresquinha.

Foi nos arredores da Reserva que senti o mar na pele, sem o contato com a água. Pois, as águas abertas impressionam visualmente, o impacto dos olhos é o primeiro e mais óbvio. Ficar só nele, contudo, significa explorar nem 30% da natureza. Veja, esses são os primeiros raios solares de 2009:



Fechar os olhos e sentir o mar, com os ouvidos e com o tato, é sobrenatural. Mas não dá pra conseguir isso em qualquer lugar, uma praia lotada de turistas, de guardas-sol, reverte em perca de atenção, por isso, Martim de Sá merece um cuidado e respeito a sua condição de reserva ecológica, que muitas vezes é posta em segundo plano.





E para quem imaginou que passar um reveion em uma praia como essa, por exemplo, significa alto orçamento, está enganado. A viagem e estada de cinco dias em Martim de Sá (a partir de SP), com refeição e algum outro gasto incluso saiu em torno de 350,00 reais.


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Esse post é relativo ao dia mundial dos oceanos, dia 8 de junho, data criada no Eco-92, no RJ, mas oficializada pela ONU apenas este ano. A postagem coletiva foi idealizada pelo Faça a sua parte, a quem agradeço pela ótima idéia.

25/05/2009

Sobre a Virada Cultural de Bauru 2009

Cheguei à abertura da Virada atrasado, só deu pra ver meia hora do show do Otto, um desperdício, em meia hora, para quem praticamente desconhecia o pernambucano, não deixou margem para dúvidas: um dos arquitetos contemporâneos da música brasileira.


Otto destacou a jovialidade da cidade, inclusive, a do prefeito Rodrigo Agostinho, arrancando risos de quem estava ali: “Bauru, Bauru... cidade jovem, legal essa cidade, cê viu, até o prefeito é mais jovem do que eu?”.


Otto gostaria que o show continuasse, ele olhava para o lado, onde se localizavam as pessoas da organização, e mantinha um diálogo, pra platéia ouvir: só mais uma é? Mais duas não pode?. Pôde. Amparado pelo seu samba pra Burro, groove/funk/rock-sabe-se-lá-o-que, colocou as pernas e os corpos pra dançar - inclusive aquela hiponga coroa, que sempre aparece nas festas de república e nos eventos culturais, vende seus artesanatos na praça Rui Barbosa, cerra uns cigarros e tal, sabe? - com “malandro que é malandro que é malandro demais”. Agradeceu efusivamente o convite, elogiou a idéia da Virada Cultural e foi-se, deixando seus músicos embalarem uma última vez o público. Mas, Otto voltaria.

Em seguida, uma apresentação bastante comentada por amigos. Não pela qualidade musical, ou novidade, mas pelo efeito “pitoresco” que a banda poderia causar: um cover de Queen. O show mal havia começado e o vocalista, devidamente fantasiado, de óculos escuros estilo Ray Ban e boina, imitando o Fred Mercury, levou um tombo, do nada. Em poucos minutos, a fantasia estava desfeita para dar vez às músicas pesadas do Queen. Mais vestimentas vieram nos clássicos da banda. O show foi bem rápido, coeso e parece ter agradado: para uma banda meio chata como o Queen, um cover foi bem acima do esperado.

A próxima parada seria então o Teatro Municipal, vinte minutos de caminhada que poderia ter sido postergada: a apresentação de dança CorpOuvido foi bem ruim. Vários elementos desconexos, misturados, sem foco, além de (o diferencial do grupo) as câmeras, posicionadas em vários lugares do palco (uma inclusive, bem acima dos dançarinos), terem sido pouco exploradas. Cerca de dez pessoas foram embora antes dos 20 minutos da apresentação. Um fiasco.

Às nove e quarenta, fomos tomar um lanche na Quermesse da Festa da Padroeira, na praça Rui Barbosa, antes do show da Pata de Elefante, as onze. Dois pastéis de pizza depois, retornamos aos assentos da primeira fila. Antes de começar, todos eram unânimes: shows no Teatro Municipal não são ideais, pois só há a opção de ficar sentado; apresentações de rock, menos ainda, porque é preciso fazer vibrar o corpo, dançar, e isso, só se consegue com liberdade corporal.

Fez-se um silêncio total quando a banda entrou. Como o som é instrumental, nenhuma palavra também, apenas um “foi” do Gustavo Telles, o batera. Desceram o braço, arrancaram gritos de “bravo, bravo!” logo de primeira. Só pra ter idéia, em uma das músicas, o Gustavo massacrava o instrumento e o bumbo parecia que iria cair. Um dos holdings então fez mágica: puxou o tapete e o conjunto todo deslizou, de onde tinha saído.

À frente, Gabriel e Daniel se revezaram na guitarra e baixo: não se sabe quem é melhor com o que, que música pode ser melhor que a outra, com cada um empunhando um instrumento e outro. Qual solo ou melodia é capaz de fazer vibrar mais o que no corpo não vê, mas sente. E aí, o fato é que o rock ´n roll que pulsava daqueles acordes e canções agressivas fazia agitar os pés, as mãos no ar, as pernas e, sobretudo, as cabeças, já que só se podia estar sentado. A acústica, entretanto, favorecia bastante o tipo de som da Pata de Elefante. Foi uma catarse, como era de se esperar das comentadas apresentações viscerais da banda. “Eu queria sair correndo, queria explodir, sair correndo e dar um peitão na galera!!”, contou-me uma amiga. Rárárá.

Daniel (à esquerda) empunha o baixo, na primeira metade do show; depois, a guitarra


O trio gaúcho foi-se sem o bis do que seria o melhor show da Virada, já que não vi o Cordel do Fogo, suposto concorrente. Agora, era esperar o próximo show: Cérebro Eletrônico. Ele veio, mas não foi exatamente um show.

O cenário do palco é colorido e enfeitado. Logo nas primeiras músicas há sons de brinquedos, arminhas, espadas com luz e até um extintor de fumaça, misturados aos instrumentos, tipo como o Tom Zé faz. Muito maluco. Mas sem a mesma autenticidade do Tom, embora com resultados interessantes. Mas. Resumindo, o show foi mediano, talvez porque o som da banda seja mediano. Uma e outra música boa, mas nada de super. Um colega (o Emo ou Paulo Roberto, como queiram) comentou que as músicas do primeiro EP do Cérebro Eletrônico são legais, porém, não foram apresentadas. Sinceramente, não consegui “ver” o porque do oitavo lugar da lista da Rolling Stone. Mas listas são sempre subjetivas...

Cérebro Eletrônico, do DJ Tata Aereoplano no palco do Teatro Municipal; entre Cérebro e Jumbo Eletro, a outra banda de Tata, o Jumbo é mais

Outro show ainda aconteceria por ali, o Rudeness, ska-core de Botucatu (SP). O lugar encheu, até porque no Vitória Régia não havia mais atrações. Outro colega (o Satã, ou Luiz Felipe, como queiram 2) contou que até mosh rolou no show. Muita gente de pé, pulando frenéticos, flambando a frente do palco do Teatro Municipal, que ficou pequeno diante do ska-core da Rudeness. Aí sim.

Nós porém, em um comboio de vinte pessoas, inclusive os três gaúchos da Pata de Elefante, já que não tínhamos posses de convites para a Estação Ferroviária (que minguaram antes das 11 horas da manhã do sábado), resolvemos ir mais cedo, buscar um lugar no meio do fervo, aonde aconteceriam os dois últimos eventos da noite: DJ Tudo, devidamente trajado com sua camisa style colorida e chapéu branco, além do DJ Tatá Aeroplano (vocalista do Cérebro Eletrônico).


A Estação Ferroviária é um lugar maravilhoso para qualquer tipo de evento. Ainda há os letreiros de quando ela funcionava. O som estava alto e o primeiro a discotecar, DJ Tudo, rolou coisas variadas, um misto de eletrônico com batidas de batuque (africanos talvez?) e outros dançantes, tipicamente latinos, além de alternar entre um Chico Buarque e algum ritmo carnavalesco, justificando seu codinome. Nada de mais, faltava empolgação minha quem sabe. Muitas pessoas, porém, flambaram bem à frente do DJ, onde as luzes típicas de discotecas piscavam. O Otto se embrenhava no meio, interagindo. Parecia gostar.

Não percebi a troca dos DJs. Só quando começou a rolar rock, um atrás do outro. Em certa hora, os mais pops de bandas consagradas como The Cure (“Boys don´t cry”) e Rollings Stones (“Satisfaction”). Fiquei pensando que é muito fácil discotecar, só é preciso um raso conhecimento musical e um winamp, na boa.

As idas quatro da madruga, o pessoal sacou que era mais econômico buscar cervejas num boteco-padaria próximo a Estação (lá custava 3 reais a lata). Os comerciantes, também sacaram a galera, tratando de enfiar a faca na latinha de cerveja ou em qualquer outro produto...Halls a 2 reais? Tô de boa.

As 5 da matina eu ainda estava lá, esgueirando-me no que tinha restado das pernas. Aí alguém decidiu romper com a festança: impedindo a entrada de quem havia saído, pondo a galera pra fora, desligando o som e apagando as luzes. Mas. Não satisfeitos, os locais continuaram a Virada, numa república. O Otto, descobri mais tarde, foi junto, de fusca creme. A Virada, portanto, não significaram 24 horas de entretenimento cultural, como dizia sua propaganda, acabou antes mesmo do amanhecer, por volta das 5 horas. E, só retornaria as dez da manhã, do domingo.

A mim, não me restavam mais forças, decidi seguir até a feira, onde a Virada terminaria em pastéis de frango com catupiri e mais dois para o desjejum do domingo - a preços justos, pelo menos isso.
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Quem está sempre por aqui pode ter reparado que algumas coisas mudaram, cores, elementos, enfim. Explico. Testando ferramentas para blogs, fiz o NM de cobaia e perdi algumas coisas. Então, decidi mudar alguns elementos ao invés de recolocar tudo novamente.

Falando em Pata de Elefante, publiquei esta reportagem sobre a banda.

E falando em Virada Cultural, saiu no jornal local de Bauru um artigo meu sobre. Porém, ele é parecido com este diário de bordo.

19/03/2009

Diário de bordo: fuk carioca no Hard Rock La Paz

Dou sequência aqui às estórias que vivemos no mochilão Brasil-Bolívia-Peru, realizado em janeiro de 09. Algumas estórias e descrições estão fragmentadas no computador e conforme elas se fecham as em respeito a quem pediu, (e também porque nós somos filhos de hips malucos que hoje se tornaram pequenos burgueses e, por isso adoramos viagens roots) nas postagens sobre o assunto.

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Em La Paz, a principal morada foi o hostal El Viajero (conhecido lá como El Lobo), um prédio grande, antigo com uns 4 andares repletos de quartos, foi um dos mais econômicos que encontramos no centro turístico da cidade, diárias a 25 bolivianos, ou 12 reais. Custo benefício relativamente alto.

Quando você está numa trip com pouca grana e não exige conforto, a hospedagem pelas cidades por onde você passa pouco importa, é um dos elementos em que se pode economizar, até porque grande parte do seu dia você estará andando, conhecendo lugares e pessoas. O hotel serve portanto, apenas como abrigo, um lugar para deixar as mochilas, tomar um banho e dormir, estrutura muito fácil de se conseguir a baixo custo.
O El Viajero tinha cobertas quentinhas, cesto de lixo, prateleiras, armário, carregador de celular e de câmera, lan house no térreo e em alguns quartos lâmpada de leitura na cama. E desenhos nas paredes também:


nosso quarto no El Viajero. Daquela janela ali as buzinas eram frenéticas e mais do que constantes: bolivianos no trânsito usam a buzina por qualquer motivo; mulher dirigindo é raridade

Antes de nos acomodarmos no El Viajero, passamos por uns 8 hotéis, procurando diárias que não excedessem 30 bolivianos. Pois bem, assim que chegamos no El Lobo, o principal argumento de sedução que o atendente nos mencionou foi o Hard Rock Café de La Paz, situado praticamente em baixo do hotel. "Abre todos los días! Te gusta rrock?"
Adoramos o hostal que ainda dispunha de lavanderia e quitutes, água, refri etc. Mas, não foi na primeira noite que fomos ao Hard Rock.

O Hard Rock Bolívia, aliás, não paga para entrar, a cerveja é cara e variada. O lugar é um pub, escuro, com balcão percorrendo todo o bar. Em certo momento da noite os barsman tacavam fogo no balcão, muito doido. Mesas, espelho e nos espelhos rockeiros famosos e celebridades da música como Bono Vox, Madona, Lennon, Bob Marley, Hendrix etc.

Kdu acendendo pro Bob; passa el poho logo!

Uma bela noite, contudo, qual foi nosso estranhamento quando adentramos o recinto e tocava funk carioca, brasileiro. Que porra de hard rock café é esse?
Poucos minutos depois, já postados à mesa dos amigos da trip, Mineiro, Carioca, Paulista e Talita, com canecas de vidro transbordando cerveja fria, o Lucas, Minero gente boníssima e companheiro da viagem, deu a letra.

Tocava Led Zeppelin quando um garçom veio perguntar o que era aquilo que ele estava fumando, desconfiado. Um cigarro de palha, explicou o Minero, já meio embriagado.

O garçom arrastou-o até o dono do Hard Rock, um israelense. O Lucas mostrou, discursou sobre o cigarro de palha e deu um pro Israel. O cara pirou. Mantendo a cortesia o cara lhe passou um cigarro de Israel, em troca. Que era uma merda, muito ruim, ele contou. O ensejo poderia esgotar-se aí, porém, o brasileiro foi além: mantendo o desfrute brasileiro da cachaça mineira, mandou servir uma dose pro israelense, por conta.
fudeu.

Cervezas apareceram na mesa e cumbuca com fritas, das mãos daquele garçom que agora compreendia tudo. E.

- Vocês são do Brasil? Peraí.

Mandou dar o toque no DJ. Foi depois de uns 20 minutos do "toque no DJ" que eu e o Kdu chegamos lá no fervo. Havia bolivianos descendo até o chão, passando o cerol na mão, batendo o martelo na palma da mão, era o bonde do Tigrão.

Assim, ficou fácil identificar os brasileiros, pois ainda que não se goste ou não se ouça funk carioca, a maioria sabe um ou dois passinhos dessas músicas, como nós. Não entrar no clima, é uma tremenda besteira.

Vai popozuda, vai!


Os muleque são nervoso!


Nessa dança muito louca, não quero ninguém parado. E jogeu seus braços pra trás, balaça seu pescoço...



Entretanto, há alguns dias eu já não aguentava mais ouvir musiquinhas com flautas e canções folclóricas que tocam (literalmente) em todos os lugares, a todo momento. Da pizzaria à farmácia e taxis. Tanto em Cusco como em La Paz você não consegue ir a um lugar sem escapar das músicas: elas são altas, não é como um som ambiente. Há horas que você deseja comer em paz, tranquilo. Não dá, não nos centros e restaurantes baratos.

Esgotamos todas as nossas danças, passos, firulas, repertórios do funk e nada de rock ´n roll. Depois rolou sons típicos latinos. Aí, a gente conheceu duas nativas que queriam escapar duns tiozões e se enroscar em nós, claro. Elas, as nativas bolivianas, adoram brasileiros, a gente descobriu. E no geral, elas costumam ser bastante calientes na dança (baila chico, baila!) e perseguem com o olhar quando flertam. A dança, aliás, é o principal meio de abordagem de uma garota nas baladas. Pra quem não sabe dançar nada nada, a dica é encher a cara. O resultado é que as pernas começam a flambar sozinhas e você baila como as cinturas do Luís Caldas.

Quando saímos, um gringo alto ainda passava mal na frente do HR, na caje Llampo. Desde a hora que entramos no bar ele estava ali, nuns degrauzinhos da calçada, na mesma posição, sentado com a cabeça afunda nos joelhos, locão. E os amigos debochando. Como ninguém entendia nada que falávamos, despejamos um não aguenta bebe leite...

Em outras noites espiamos um puteiro e fomos novamente ao Tetecos (escreve-se TTKOS), A balada da trip, sem dúvidas.
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Enquanto fazia esta postagem ia colocando as fotos no Flickr. Mas o software de upload é uma bosta, ele girou quase todas as fotos e ainda trocou o comentário delas.
Forza pro Kdu, que me acompanhou e compartilhou a trip inteira.

03/02/2009

Revistinha

De volta ao Brasil, de passagem pela rodoviária, acabei de ver a capa da Veja desta semana, com o Robinho na capa. A chamada dizia, exibindo uma foto do jogador-craque chupando o dedo, como costuma fazer quando marca gols:

"por que eles nunca crescem?"

E comentava alguma polêmica que está rolando acerca de assédio/agressão sexual.

Mas eu gostaria de dizer à Veja: por que vc não cresce?

Eles adoram ser infantis, e ridículos.
Desculpe vovó Ierthy, mas eu não me formei pra integrar esta laia.

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Essa configuração giganta no início não é de propósito. É o blogger locão.
*Este blogue é cada vez algo mais pessoal que interessa aos meus amigos e/ou colegas que passam por aqui. Meu sincero obrigado (:

30/01/2009

Chegando a Cusco

Depois de chegar a Cusco exatamente as 6 de la manhana e passar um frio lazarento, uma quase mae veio nos salvar. Ja na rodoviaria ofereceu seu hostal familiar, pagou nosso taxi (pois ninguem tinha moeda local), nos serviu um cha de coca e hospedou os 4 brasileiros, a 12,5 soles por dia, uma bagatela.

A las ocho ja estavamos no ponto central turistico da cidade, a Plaza de armas. Em frente a ela ha uma cateral portentosa, enoreme, de arquitetura barroca, construida em 1537, logo apos a tomada de Cusco pelos espanhois. O seu interior e recheado de quadros, muitos revestido de ouro, de esculturas em madeiras, detalhadissimas, que parecem estar vivas.

Nos primeiros passos na catedral, uma tiazinha velha nos recebeu e veio falar de Sao sebastiao. Com uma habilidade veloz pregou um santinho pequeno em nossas roupas de frio. Pediu grana. Como ainda nao tinhamos trocado dinheiro, restava-nos poucas moedas de soles no bolso. Eu e o Kdu demos o que havia no bolso. Ao que a senhora olhou com desdem, embolsou nossas moedas e arrancou os santinhos de nos. Assim a catedral nos recebeu.

Depois, perto da 9 da manha, uma fanfarra la fora trouxe a imagem de Maria, anunciando que a missa estava prestes a comecar. Mas ainda nao sabiamos disso. Ao que as pessoas comecaram a sentar-se e o padre surgiu. Nao dava pra perder uma cerimonia religiosa num lugar como aquele, rezado em espanhol, e com um coro lindo atras de nos, numa acustica unica.

Nos acomodamos, ouvi as bencaos ainda extasiado, e estava viajando em varios momentos que o padre falava, e lembro dele dizer sobre orar em todos os momentos possiveis, que jesus fica feliz e tal. Tomamos o corpo de jesus. Uma rodela gorda, sem gosto, bem maior que em terras brasilis.

Abencoados, trocamos grana (1 real = 1.23 soles), comemos empanadas (tipo uma fogazza folhada) de presunto e queijo e fomos em busca do boleto turistico, um bilhete que nos daria entrada a varias ruinas e museus, danca folclorica e tal. Ao todo, 14 lugares, por 70 soles, preco de estudante. No Peru é muito fácil usar carteira de estudante, nao precisa nem ser a internacional. O Felipe, outro carioca, muito manero, comprou tudo com sua carteirinha da Estacio de Sa.

A tao marquetizada ruina de Macchu Picchu, porem, nao estava inclusa. Nao sabiamos ainda, mas estavamos no caminho certo. Pois ir a Macchu Picchu sem antes conhecer outras ruinas, outras estorias, ouvir a historia dessa civilizacao inteligentissima, que sabia lidar com a terra, com a agua em tempos tao remotos de maneira incrivel, saber como funcionou e o que ela significa para os peruanos, nao faria sentido nenhum. Quem vai direto a MP, o faz por puro marketing. Ver pedras, bicas, pedras e mais pedras, construcoes remotas e nao saber o que elas significam, è um golpe de mediocridade humana pura.

E quando finalmente chegamos independentemente (sem agencia) a Macchu Picchu tudo fez sentido. E pudemos observar a importancia

ruinas de Pisaq; umas das 3 que integram o vale sagrado dos Incas

27/01/2009

Olhando pro teto, da beliche, na cama de cima

Quando ficamos algum tempo fora de casa, convivendo e conhecendo pessoas que nao fazemos ideia do que fazem, da uma saudade absurda.
Ao que a gente segue procurando fazer coisas pra nos aproximas delas. Pro papa, mandei um email gigante, respondendo as suas saudades. E as minhas tambem. Mamae ganhou uma ligaçao carinhosa. A cobrar, porem.
E bom, agora toca Kings of Leon; nao è preciso dizer mais nada. Porque nao dà pra se dizer, ja que o que se sente, fica obscuro dentro de nos. Compartilhado-comentado as vezes, com um amigo e outro. E ele ouviu sobre saudades. Que sigo dizendo nessas teclas. E que provavelmente so irao embora quando o tal dia chegar.
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nao tem acento nenhum aqui. e essa merda nao quer pular linhas. pelo menos a hora e baratissima.

22/01/2009

Cusco, ontem

Um menino de uns 7 anos vem oferecer balinhas e outros. Isso é bastante comum aqui. Dez e pouco da noite.

- De onde sao?

Do Brasil, chico.

- Brasil?
- Capital, brasília; presidente: Lula. Lula é operário e tem nove dedos.

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As baladas de Cusco, a capital do império Inca, sao disputadassas. Mas quem disputa aqui sao os donos das baladas. A cada novo grupo de estrangeiros que aparece na regiao das casas noturnas é um rebolico enorme. Ainda mais quando o grupo é de minas e loiras alvas.
Os caras (ou minas) saem correndo literalmente e se colocam do lado das pessoas oferecendo bebidas de graca e passagem free. Fica um de cada lado, uma zona. Isso quando nao agarram as pessoas. Aí eles te levam e te colocam dentro da balada com um papel que vale um drink.

Conosco foi assim ontem. E pulamos de balada em balada para, além de conhecer cada uma, beber na faixa. Mas os drinks sao leves, tipo suco com vodka ou sprite e bem fracos. E vc só fica na balada o tempo de os sopos secarem.

Tanto que nenhuma nos consquistou, achamos um som ao vivo, rock n roll, vocal feminino, batera avassalador, com bigode enorme. Nos fomos depois do bis. E nao ganhamos drinks, mas também nao pagamos pra entrar.

Agora vamos conhecer um lugar que tem aiwasca e yoga e soft music. e o restante que esqueci. vai saber.

tchau.
bejo pro tommy.

17/01/2009

Diário de bordo: tren de la muerte a La Paz

Acordamos bem cedo e sem despertador, que estava programado para as 9 da manha. O calor e a claridade nos despertaram. Enchemos o cantil, voltamos para o quarto e fomos passear. Compramos pìlulas que combatem os efeitos da altitude (dor de cabeca, enjoo, etc, que chamam de "soroche") a 2 bolivianos cada.


o nosso quarto em Quijarro, abafadíssimo; Por trás da tela anti insetos, o Kdu. Tivemos uma noite bem tranquila

Depois da postagem anterior encontramos um tiozinho com uma maquina manual, de fazer raspadinha. Sem leite condensado, uma delicia, a 2 bolivianos. Logo em seguida conhecemos 3 brasileiros que estao conosco ate agora: um mineiro, o Lucas, o Mineiro, a Talita, paulista e um carioca, o Rodolfo, o Carioca. Almoçamos e combinamos o encontro na estaçao ferroviaria. Nao os encontramos, pero eles estavam no vagao da frente. Fomos apresentados a outros 3 paulistas, os "los hermanos", Carlos e Vinicius e o Paulo, que tambem estao conosco.

O tren de la muerte

Quase tudo que se fala deste trem nao é verdade. Mesmo viajando na segunda "pior" classe. Nao há malandros, nao ha praticamente com o que se preocupar. Pelo gogó dos outros compramos ate cadeados pra viagem. Desnecessarios, contudo.
Os assentos nao sao confortaveis, mas inclinam para tras o suficiente. É de bouassa. E com los nuevos amigos brasilenos passamos vencemos essa viagem tranquilo demais. Talvez por esperarmos realmente o pior.


O trem faz paradas em varias estaçoes. Em duas, ele permanece durante mais tempo para as pessoas comerem. Ao lado dessas estaçoes ha varias barraquinhas, vendendo comidas, principalmente carne assada, em espetos, frango frito, ou assado, arroz, batatas, pratos com ovo, o "majadito", que tem carne, salada e ovo, além das bebidas, coca, suquinhos naturais de limao e abacaxi, feitos com agua nao se sabe de onde, e agua mineral. Tudo muito provinciano.

estacao de Roboré, onde mandamos um "majadito"

E durante toda a viagem jovens e crianças, principalmente, algumas bem pequenas, passam a todo momento vendendo um montao de coisas, sempre para comer, empanadas, pratos, agua, sucos, pamonha, geladinho...

Provamos uma limonada de procedencia duvidosa (só descobrimos isso mais tarde com uma boliviana muito legal que conhecemos e que vive no Brasil, juntamente com suas duas sobrinhas muito bacanas, Karen e Jocely que estao cursando faculdade e me falaram bastante sobre a situacao politica da Bolivia - prestes a passar por um plebiscito para aprovar uma nova constituicao, em 25 de janeiro), pois a agua era relativamente "cara", 5 bolivianos (para os poucos bolivianos que tinhamos) e os sucos que vinham em embalagens de plástico da coca e de outros refris da coca, a 2 bolivianos. E depois outra limonada e outro suco desses, em garrafinhas, de pinha, ou abacaxi.

Depois comemos um espeto, com carde de boi, vendido por um menino de uns 15 anos, que passou com uma bandeja na nossa frente. 5 bolivianos. Despues, um geladinho amarelo, muito ruim, que fez uma meleca. E seguimos hablando com pessoas ao redor, um senhor que falava bem

No vilarejo a beira da estaçao de Roboré, descemos. Havia muita comida, muita gente, muita fumaça dos assados, muito tudo. Aliás, em cada parada, sempre muita gente vendendo as coisas.


Santa Cruz de la Sierra - 17/01.
Depois de varias horas de tren de la muerte chegamos perto das 8 e meia da manha em Sta Cruz. O tren nao quebrou, descarrilhou, nada. Parece que chegou ate antes do previsto.
Eu e o Kdu fizemos cambio para moeda local, ¿eramos os unicos com reais?, compramos passagem para La Paz em onibus leito para as 17h do mesmo dia. Pagamos 170 bolivianos.

Guardamos nossas bagagens na rodoviçaria (que tambem e a estacao de trem) a 3 bolivianos e, em seguida, tomei uma ducha fria a 3 bolivianos e fomos almocar em Sta Cruz de La Sierra, num mercadao que tem de tudo, principalmente roupas, tenis etc e no ultimo andar, o terceiro, o "comedor". Chama-se Mercado de Loz Pozos.
A 10 bolivianos (cerca de 3.40 reais) almocamos um "majadito" original, prato bem tipico boliviano, arroz amarelo com carne seca no meio, ovo frito, pouco tomate, cebola e uma banana frita que dispensamos, alem do feijao, meio frio, estranho. Mas estava gostoso e pesou bastante no estomago. Alias, as comidas aqui pesam bastante, nao sei se eh o tempero, ou, no caso de La Paz, a altitude.

Depois, o grupo de 8 brasileiros encherem a barriga, fomos passear pela cidade. Eu e o Kdu procuramos um estudio de tatto e andamos pelas ruas de Sta Cruz. Trombamos com movimentos fazendo passeatas. O "no", sao as pessoas que sao contra a constituiçao que o Evo quer implantar.
Os outros foram beber num pub irlandes. Nos encontramos na rodoviaria novamente, pagamos a taxa de embarque e entramos no busao rumo a cidade mais alta da Am. do Sul. Sao quase 4 mil metros acima do nivel do mar.

O kdu foi tentar falar com um boliviano para trocarmos de lugar, afim de permanecermos, o grupo todo, juntos. Mas o cara nao quis. Desencanamos. A viagem comecou. Depois de algumas horas, muita subida, com varios trechos de ruas com pedra, tipo em Quijarro, chuva fina e o veiculo bem lento. Dormimos. Antes, tomei uma capsula de soroche, nao queria passar mal de jeito nenhum com a altitude. Sete horas depois tomei outro.

cobertinhas macias no busao

Quando comecou a amachecer fez um frio tremendo, mas havia cobertas quetinhas disponibilizadas pela cia. Ja perto de La Paz o frio ficou muito forte, eu ate "roubei" a coberta da peruana que estava atras de nos e ja havia descido.

Enfim chegamos, entre 8 e nove horas da manha, foram 15 horas de viagem, sem paradas. Aqui, ou nao se tem o habito de parar em postos na rodovia, ou estes nao existem.
Vesti as roupas de frio que estavam na mochila de bordo comigo no busao, antes de descer e pegar a bagagem. Nos reunimos para decidir o que fazer, pegamos dois taxis, a 10 bolivianos e seguimos para procurar lugar para nos hospedar. Já era sábado, 18/1. Em La Paz conhecemos Tihuanaco, e pegamos a primeira balada da trip...

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Conforme vai dando irei postando mais fotos aqui mesmo neste post, dos outros lugares.

15/01/2009

Diário de bordo: De Corumbá à Puerto Quijaro

Já na estrada rumo ao Peru, de Bauru, eu e o Kdu seguimos até Presidente Prudente, onde o ônibus fez uma escala e conhecemoso Glu Glub, já meio velho, meio bêbado. Misto quente a 3,50.
De lá passamos por Campo Grande, capital do MS e chegamos a Corumbá, a cidade brasileira pertinho da fronteira com a Bolívia.
Depois de conseguirmos a CIV, carteira internacional de vacinaçao, almoçamos pela última vez em terras brasileiras, a 13 reais. Fritas e frango a milanesa, salada, sem feijao. De lá, nos guiamos até uma praça onde pegamos a circular, "fronteira". Na fronteira, do lado brasileiro, um funcionário da receita Federal com farda de polícia nos deu uma info errada de que o visto só poderia ser arranjado na rodoviária de Corumbá, donde tínhamos vindo há 2 horas. Mas um taxista nos informou corretamente para irmos até "aquela casa vermelha" lá do outro lado.
Atravessamos uma pontezinha e enxergamos a tal casa. Era o escritório boliviano da fronteira, uma salinha de tipo 2 cômodos, bem tosca, 2 funcionários e um policial. Uma mesinha de madeira e apenas um pc. Foi só preencher uma ficha dizendo intençoes e dados pessoais para adentrar o país. Tranquilo demais.
Escapamos de uns cambiários e taxistas e tomamos uma "Andes" (cerveza artentina) meio quente e a 2 reais fomos de taxi até a Estaçao Ferroviária de Puerto Quijaro. Compramos os bilhetes para Santa Cruz de la Sierra para o tren de la muerte, a 18 dólares cada, para o dia seguinte, hoje 15 de enero ao meio dia (15h em Brasília). Pegamos a segunda pior categoria. Nao para economizar, mas porque até sábado nao se tinha outra opçao. dizem que esse tren quebra, demora, descarrilha. Se tudo corre bem, ele demora pouco mais de 20 horas pra chegar a Santa Cruz. Uma hora a gente chega.
Em Quijaro, nos alojamos no Hotel Colonial, depois de passar por três "alojamentos" (sao casas que abrigam viajantes, com vários quartos pequenos e ventiladores). Pagamos 30 bolivianos (cerca de dez reais) a diária. A descarga nao funcionava direito, mas em termos de quarto foi o melhor visitado, com tres camas grandes, 2 de casal.
Aqui em Puerto Quijaro (3, 4 Km da fronteira) as ruas esbanjam poeira, pois nao se tem asfaltamento. É um calor que nao dá pra explicar. A agua fica quente em questao de minutos e a sensacao térmica durante o dia é de mais de 40 graus fácil. É uma vila bem pequena e pobre. O comércio funciona nos 3 períodos do dia.
Antes de tentar dormir tomamos uma Paceña a 12 bolivianos (4 reales) e uma hamburguesa a 10 bolivianos, cada. Hamburguer bem parecido com os do Brasil, diferentes dos vendidos na Argentina. Melhores.
Hoje o presidente Lula estará aqui nos arredores da fronteira, onde se encontrará com Evo para discutir assuntos de exploraçao mineral. Por isso a cidade estava ontem agitada. Houve carreata, com carros exibindo cartazes de Evo nos capôs e portas, além de um carro de som com um quadro do Che e outro de Evo e uma camarada discursando. buzinasso.
Aliás, é comum taxis e carros trafegam com tais cartazes, com a figura de Evo e as cores bolivianas. Ele é MUITO querido acá.
Logo embarcamos no tren de la muerte, na classe pullman, a segunda pior. Amanha Santa Cruz, depois La Paz. Deus nos abençoe. Amém.

12/01/2009

Propina Argentina

No único post que fiz comentando a viagem para a Argentina (28/12) falei da propina que nos foi cobrada por guardas rodoviários em rodovias federais daquele país. Vamos ao caso.

Viajávamos a algumas horas no Sucatão quando fomos paradas pelas autoridades federais fardadas da Argentina. Até aí, tudo suave. Começou a demorar. Muito. Com o calor enorme e o ônibus completamente abafado, as pessoas fizeram menção de descer a fim de se refrescarem. Não rolou.

Mas enfim o motorista volta com notícias. Até esse ponto, ninguém sabia o que estava acontecendo. E a bomba:

- É o seguinte, eles não querem liberar no nosso ônibus. Estão exigindo 400 pesos (cerca de 300 reais) para a liberação. Mas eu só tenho 40 pesos.

Ou seja. Para bom entendedor. O ônibus precisava juntar os 400 pesos. Caso contrário o veículo ficaria detido, e os passageiros desabrigados na rodovia.

Alguns quiseram saber qual o motivo de o ônibus precisar ser retido. "Eles inventam qualquer coisa só pra cobrar a propina", explicou o motorista. Deram a (boa) idéia de acionar a embaixada. Mas rapidamente, no meio da discussão, o pessoal começou a juntar a grana, pra ver quanto dava, juntando tudo que (não) tínhamos. Todos haviam gastado tudo, deixado para torrar o que sobrara, na última feira que conheceríamos (feira de San Telmo, tradicionalíssima, que ocorre todos os domingos, no bairro que leva o mesmo nome, bem pertinho de onde nos instalamos), levavam pouco dinheiro. E na verdade era talvez o melhor a fazer, cada um daria quanto pudesse para podermos chegar o mais rápido possível ao nosso País. Era o desejo geral.

Tesoureiro
Como eu estava em pé, começaram a me dar notas e moedas. Confuso, fui juntando e organizando as notas. A Gabriela (acho) (que bateu essas fotos) contou as moedas e mais alguém nos ajudou. Não me recordo agora quanto conseguimos, mas perto dos 250 pesos. Até real tinha no meio. Era como se disséssemos, "toma todo o nosso dinheiro seus porcos filhas da puta".
tudo que arrecadamos, até uma nota de um real tinha

Em caixa.
Contamos tudo e recontamos. Estávamos prestes a entregar o montante, assim que o motorista retornasse. Mas. Para surpresa de todos, o ônibus ligou. E o motorista entrou, disse que os policiais o haviam liberado, pelos únicos 40 pesos que a sua carteira abrigava. Agora, com o ônibus em movimento, o motorista estava no centro, como se fosse o programa Roda Viva. E um grupo de estudantes-jornalistas perguntando. Eu filmava. A Frávia também. Mas o vídeo está em algum lugar no Paraná, ou no pc do Rodolfo Brandão. Tomara. Digam "amém" agora.

Vamos beber esse dinheiro
Depois, redistribuímos o dinheiro de cada, e chingamos os policiais de mierda. Ficamos com a impressão de eles serem ainda mais corruptos que os nossos policiais. Mas pode ser preconceito, impressão equivocada. Fato é que eles abusam dos estrangeiros, sobretudo brasileiros, garantiu-me um dos motoristas, o que negociara com o policial. Disse que isso é bem comum, pois ele faz a viagem há mais de 4 anos. "É uma viagem que ninguém quer fazer, porque às vezes vc toma um prejuízo enorme. Já perdi ônibus que eles apreenderam pois não tinha o montante pedido".

Após a quase-propina, a viagem seguiu quase-tranquila, porque ainda teve um pneu furado. E logo entramos em terras brasilis. Deu uma sensação muito boa, de acolhimento, segurança, de que aquilo que havíamos passado certamente não aconteceria por aqui. Era bom demais estar de volta.

Na primeira parada num posto em Foz do Iguaçu, um colega que estava no outro ônibus contou que o veículo deles não escapou. "Juntamos uma grana, tipo 350 pesos pra dar aos guardas. Por isso saímos bem antes de vcs".

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Na estrada.
E é bom partir também. Hoje embarco até Corumbá-MS, perto da fronteira com a Bolívia, de onde eu e o Kdu viajaremos rumo ao Peru. Será a realização de dois sonhos: fazer um mochilão por terra conhecendo vários lugares e viajar no trem da morte.

*Se o Estado não tivessem sucateado as ferrovias brasileiras, a viagem de Bauru a Corumbá e outras cidades poderia ser feito completamente de trem. Mas as ferrovias e os trens de passageiros da cidade e da região foram sucateados e estão desativados desde o fim dos anos 90. É uma perda de dinheiro público, e uma alternativa "limpa" que perdemos, literalmente. Traduzem isso como responsabilidade, entre outros, da máfia do asfalto, que teria "incentivado" tal sucateamento. Agora, tudo que temos (pelo menos em Bauru), além de apenas trens de carga é um museu. Meus parabéns aos responsáveis.

10/01/2009

Uma estória em Campinas

É mais ou menos como o depoimento que escrevi pro Mel. O baixista da Ranca Bilis e que participou da produção do curta, Cartas a um Irmão.

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Lá em Campinas, 28,3 graus, 9 da noite. avenida qualquer coisa. turnê internacional. alguns malucos param o carro numa esquina. no porta-malas, instrumentos. precisavam de informação:

- oi, por favor, a ranca bilis vai tocar! onde é o bar?

o sujeito fez cara de quem se assusta. pareceu se recolher. olhou pro outro lado, disse qualquer coisa. sem respostas.
o carro partiu. antes, todos gargalharam gostoso. era só o começo.

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Acho que vou desencanar da homenagem do post anterior. Tá fóda.

09/12/2008

Exu caveira

Até ontem não sabia exatamente o que escreveria sobre Buenos Aires, onde estive desde o dia 9 de dezembro. Pero, durante a viagem de retorno ao Brasil, a polícia argentina parou os três ônibus brasileiros, cobrando propina para não retê-los na Argentina. Uma bagatela de 300 reais, alegando qualquer coisa irregular. Tem vídeo até.
Mas antes vem o post que escrevi logo quando cheguei em Buenos Aires. Longo, mas bem corrido, só pra constar para quem quer saber da viagem.

(-> postagem escrita entre os dias 9 e 11/12.)
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A ida.
D
epois de viajar mais de 48 horas do ônibus que apelidamos carinhosamente de sucatão
, chegamos. Foi, na vida, possivelmente (mesmo) a vez que mais passei calor. Como se nao bastasse o calor que é o clima e o aspecto desértico das rodovias hermanas, minha poltrona (se é que aquele assento pode levar tal nome) era a última, bem ao lado do motor do busao, que jogava um bafo quente nas pernas; colocar os pés descalços no chão era impossível, queimava a pele, esquentou pra caralho.

E os postos de beira de rodovia eram risíveis, um fiasco no atendimento. Clima de filme do Almodovar. Com pouquissimas personas atendendo, qualidade nenhuma dos alimentos servidos, os que eram preparados pelo restaurante. A melhor opção eram os industrializados; as comidas, se piorasse um pouquinho só o nível, podia servir o rango para porcos.

No andar do sucatão, muita averiguacao policial federal na rodovia. Nem sei dimensionar quantas vezes nossos 3 onibus do Brasil foram parados. Há boatos de que, em uma dessas paradas, houve a propina de 100 pesos aos guardas.

E havia uma maluca no busao, gritando "exu caveira", ou "cú de rola" o tempo todo e mostrando um pedaco de sua bunda magra na janela ou pro ônibus. Foi assim na ida, na volta e no albergue.

Hexa.

radinho - galera atenta a última rodada do campeonato brasileiro

Depois de conhecer (e não querer voltar nunca mais) as cataratas de Foz do Iguaçú, o Hexacampeonato do São Paulo foi comemorado no sucatão. Logo paramos na fronteira, onde brindamos as primeiras Quilmes da viagem, cerveja argentina clara, muito parecida com a Antártica. Porém, mais leve, mais saborosa.

Quase sem grana em Buenos Aires.
Terca acordamos cedo e de café da manha conhecemos a mea lua, um pao caseiro típico, levemente doce, menor que um pao frances brasileno. (o teclado do albergue nao tem til). Depois prosseguimos todos, da avenida 9 de Julho, onde nos hospedamos, até o micro-centro de Buenos Aires (é tipo o centro velho de Sampa), para fazer câmbio, trocar Real pelo Peso, a moeda argentina. De metrô, com janelas (ventillas) abertas, ventinho bom, tranquilo. É rápido, funcional e muito barato: a passagem custa 0.90 pesos (tipo 60 centavos). Pero nao cobre toda a cidade.

O pessoal fez uma pesquisa para saber qual casa de câmbio era a mais rentável. Trocaram um real por 1.43 pesos. No meu caso, foi um por 1.35, já que preferi fazer o câmbio no meu próprio banco, o do Brasil.

Do caixa eletrônico voce pode sacar direto na moeda local, pagando 2.5 dólares por saque. Mas nem tudo è tao simples . Puxei o Ourocard da carteira, que escorregou e vôou. Num golpe ràpido de reflexo, joguei o braco para pegá-lo, mas meu braco (essa porra nao faz cedilha, no lugar da letra há isso: ñ) comprimiu o cartao contra o meu próprio corpo, que o quebrou. Caralho, fudeu, sem grana em Buenos Aires, quem vai me emprestar grana nessa merda. Que inferno, que zica do cacete, nao vai dar pra comprar nada, pensei.
O azar rendeu um custo de 60 pesos para sacar grana direto de um caixa humano. Foi a única alternativa que restou.

Já na rua, a sede é intensa na Argentina. O clima se parece com o de Sao Paulo, porém mais quente, mais mormaco, mais sensacao de sede e boca seca. Mas venta bastante. Só que a água daqui tem um gosto ruim. É diferente, a opiniao é geral. É tipo uma água salobra, oleosa com um gosto que parece nao matar a sede. Tanto que, nos rolês pelo centro na terca, houve revezamento para comprar água. Que aliás, é meio cara.

Existe uma fama de que tudo é mais barato na Argentina. Por isso, o pessoal aproveita para gastar horrores. Mas nao é o caso. Por causa da crise mundial, os precos equilibraram-se. Na parte central de Buenos Aires os precos sao bastante parecidos com os do Brasil. E há muito chinelo Havaianas por aqui (tem lojas que sò vendem havaianas), eles adoram essas sandálias. E é bem caro tambèm, o chinelo mais simples, aquele que nao tem detalhe algum sai por mais de 35 reais.

Além do clima, o centro de Buenos Aires se assemelha muito com SP. Sao ruas estreiras, por vezes e avenidas largas, calcadas apertadas, trânsito desorganizado, e uma via só para pedestres caminharem (a Floridas), repleta de lojas de ambos os lados. É uma via bem extensa. Caminhando observamos: um velho de barba branca, unha do dedinho comprida, gordo, óculos redondo e camiseta branca fazia um som incrível no violao, plugado numa pequena caixa amplificada. Num banquinho, chapéu ao lado no chao, cujo apreco das pessoas que transitavam ficava ali depositado em pesos. Mais abaixo uma cena parecida. Porém uma jovem muy bela, de cabelos compridos claros, as luzes do cabelo se apagando da regiao alta de sua cabeca, fios soltos e franjinha, unhas dos pés e maos pintadas da mesma cor, um tom tipo salmao, sem amplificacao das cordas ou da voz nenhuma, boca pequena, voz imensa, rasgava, vinha direto da alma, uma cantoria fabulosa, gritada, mas isso nao significava ardência nos ouvidos, ninguém queria deixar de ver que tom ela alcancaria na proxima cancao. Imaginei-a com aquele violao maravilhoso, nalguma casa noturna, pouca luz, mesas, essas coisas. Ficaria ali por horas. Mas El Chavo nos aguardava.

Também num banquinho preto, mas em pé, uma figura do Chaves todo pintado de dourado, pra imitar estátua, buscava os fas(náticos) pelo seriado que o SBT guarda a sete chaves. Ele falava várias linguas, já morou em Sampa, e pede pesos em troca de fotos. Divertido.

Ao lado, na sequencia, uma apresentacao de tango, na faixa. É um absurdo de bom. Vir a Buenos Aires e querer escapar da danca porque é clichê, é a maior besteira que alguém poderia dizer. É muito bonito.
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Hospedagem e rango
Aqui na cidade há gringos por toda parte e de todas as partes do mundo. No albergue que estou hospedado, tem frances, chilenos, porto riquenho e muitos brasileiros. É um tipo de albergue estudantil, em que conforme o número de bicamas nos quartos, mais ou menos caro ele fica.
A comida é um grande problema aqui. Os argentinos se alimentam mal. Mas isso é relativo. A base do rango é batata. Purê, fritas, acompanham os pratos. Os mais comuns sao bife à milanesa, com ou sem molho e algum tipo de churrasco ou hamburgueres (as hamburguesas) . Feijao nem se fala, arroz, algumas vezes é possìvel encontrar, mas servido como se fosse uma salada, frio. No geral, eles comem muita gordura. Há Burguer King e Mc Donald´s, mas nao tem Habib´s.
Alfajor é muito comum, e também o que eles chamam de "empanadas", tipo uma esfirra fechada assada, em forma de risoles, massa fina e saborosa, de milhares de sabores, salgados. É muito gostoso.

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No momento que ajusto este post estao ensinando um argentino a dancar várias coisas: créu, tchan, tigrão etc. O cara está adorando. Nós também.