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02/06/2009

*A vida pós-admirável mundo novo


Ainda bem que inventaram os apetrechos high techs, porque agora quando entro na minha sala e cozinha até tropeço de tanta coisa que comprei e já não tem mais dispensa pra enfiar.

Também agora quando ando na rua e ligo meu Mp3 super mega foda não conheço mais ninguém, me fecho no meu mundinho roquenroll: não vejo nada, não penso, não ouço, nada.

E ainda bem também (essas duas palavras já foram repetida n vezes e quando isso acontece temos que variar, escolher outra, para mostrar que temos técnicas apuradas e vasto vocabulário) que o big bode acabou. Mas ano que vem tem a edição número 27 para eu me divertir de novo; o Faustão me garantiu ontem que o último big broder foi o melhor em nível intelectual dos participantes. Logo, o próximo será ainda melhor, claro mano.

E eu pequei por empréstimo porque me apossei dos pensamentos transcritos num pornô-erótico que acabei de ler. Agora vou ter que me ajoelhar, rezar pedir misericórdia clemência da alma minha que desejou a mulhé do próximo e aqueles aparelhos maravilhosos todos da casa do meu primo médico. E tornei a pecar porque (de novo essa palavra) havia me engajado politicamente e, portanto, não poderia mais freqüentar aquele supermercado que compra carne de terras que usam trabalho escravo, mas edaí-foda-se, é só hoje, não vou a outro lugar, já estou aqui mesmo e a gasolina é cara, me faltam meios, emprego, cachaça, estou desculpado.

Perdão também mãe natureza por aquela fóda que eu dei no banheiro enquanto a água abundante e quentinha caía pro ralo. Ferrou, vida lazarenta e pobre que não tem nem vinte conto pra sorrir na balada. Agora eu to mal. Vou às compras, voltar com várias sacolas balançando, jogar tudo na cama, abrir uma por uma, que delícia e passar esse mal estar stress momentâneo, depois um lanchinho e.

E nem vai dar também para cachimbar porque foi proibido. E o índio acabou preso, queimado na sarjeta e o outro morreu num sorteio por causa da hiper-lotação e eu não vou querer isso pra mim, claro, afinal sou um rebelde sem causa que tem dinheiro pra sair, um carro que o meu pai me deu (filho homem tem que ter um carro seu) e vários outros investimentos: aulas de natação, plano de saúde e escola particular, outra de idiomas, curso de piano (o Word tá dizendo aqui que essa frase tem 64 palavras e ela deve ter apenas 60). E agora essa minha geração faz tudo pela internet, não luta por nada, debocha de quem pensa e manja tudo de jogos on-line, mas não sabe jogar mãe da rua. Sorte nossa que não teremos problemas com o sistema, porque já estamos inseridos nele, com uma falsa ilusão de consciência e. Estou sem ar, preciso tragar um cigarro pra acalmar, alguém tem um pra eu cerrar?

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* Com algumas pequenas mudanças, esse texto foi originalmente publicado em 2007, no Binóculo, quando o site estava na ativa. A escolha da imagem deve-se ao fato deste conversar com as críticas que Chaplin fez em "Tempos Modernos".

Enquanto posto ouço & Nação Zumbi &

05/05/2009

Gato mia. Miau.


Não voltaria para casa tão cedo, era a única certeza naquele dia acinzentado, clamou aos amigos, dançaria a música que fosse, no inferninho que fosse, com quem quer que fosse, com ela seria melhor, com eles melhor ainda, se divertiria, risadas, passinhos que ninguém entendeu, festejos, convidaria até o garçom solícito e mal pago, igualzinho a todos; comtudo, não se precipite, é um erro proposital, uma tentativa ridícula de ambiguidade, beberia algumas várias pra não fugir ao comum, cumprimentaria os chegados, abraços, tapas, uma risada aberta, sincera para cada outro saudoso que aparecesse...

E, num dia como esses, veja só, ela, ela me apareceu num boteco falando de um livro, de páginas que haviam se transformado num longa de sucesso, que era incrível, eu não podia perder e vários outros ineditismos que as pessoas acrescem quando querem destacar, engrandecer algo que elas mesmas não depositam tanta fé. Mas logo veio aquele clichê barato, aqueles todos na verdade. Que um livro é sempre muito melhor, mais completo e blá-blá-blá-blá.

Dessa vez, porém, não tive coragem de tapar-lhe, apagar-lhe, calar-lhe por completo com a minha boca, poupando assim não apenas as minhas orelhas, mas sobretudo, como diria Rosenfeld, que ela se definhasse na minha frente. Continuou nessas, entre um e outro copo de cerveja. E se foi. Assim mesmo como se deixa voar uma sacola de plástico ao vento. Eu voei junto, imaginando o que poderia ter acontecido depois. Respira-aspira, respira-aspira, no meio de um momento que poderia ser o clímax de outra noite memorável, começou a invadir-me uma tremenda agonia: você olha para o lado e não enxerga conhecido algum para interagir com sua existência que se tornou medíocre neste instante. Olha, percebe as pessoas soltas, rindo à toa, a câmera girando por dentro das luzes coloridas imaginárias que se formaram na sua cabeça, então o equipamento dá um mergulho escancarando aquela sua agonia besta de não saber o que fazer com você mesmo. Mas, felizmente, para alívio da platéia e - não se poderia deixar por menos - para o bem estar do nosso personagem sem nome, a agonia que o tomava como uma matrix modificada desapareceu imediatamente, assim que a fome latiu. Finalmente.

Finalmente, porque o fim se aproxima, isso é triste mas. Este era o momento, seu plano desde as quatro da tarde: passar na feira ou naquele-restaurante-fast-food-que-vende-esfirra-baratinho-mas-que-eu-não-quero-falar-para-não-fazer-propaganda-de-uma-rede-alimentícia-exploradora-de-mão-de-obra-mal-paga-e-no-momento-seguinte-achar-isso-tudo-uma-tolice, seu cérebro supunha devorar dois ou três pastéis de queijo, pizza, frango com catupiri é melhor, esfirra é mais barato e.

Não passaram de planos recortados sob o alto de sua cabeça recostada ao travesseiro, como um gato que era, que adorava-idolatrava-salve-salve o vagar à noite, MIOU. Espreguiçou-se, fez pose magistral e se esticou por ali mesmo, sem maiores esforços.

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24/03/2009

Memórias de um lenço de papel mentolado

Enquanto isso, após deixar meus pensamentos no bueiro dessa calçada mal cuspida, observando a rua com vontade de gastar, não escapo de uma revista-capa. Falava sobre a minha garota subindo pelas paredes e como se vestir no melhor estilo-fashion-street. Sem perder tempo, levei as mãos ao bolso traseiro, aquelas roupas deviam ser demais.


Aproveitei pra comprar lenços de papel numa farmácia ali do outro lado da rua. Uma gripe forte me assolava há dias, regulando a cerveja, espirros ardidos e. Recolho a migalha do troco e adianto um alívio retirando da embalagem de plástico um lenço mentolado. Seguro firme com as mãos, encaro-o de frente, enfio o nariz, mergulhando junto. O vento agressivo desajustava os cabelos finos e encharca a via de papéis, sacos e outros objetos de tamanhos e cores diferentes.

Essa merda toda deve acabar no bueiro, entope tudo, vira um inferno, uma. Assoprei forte as narinas; dobrei o papel ao meio, remanejei-o e assoei novamente, só de um lado. Senti um leve frescor, uma respiração mais nítida. O lenço ficou cheio, escorregadio. Dei uma analisada no conteúdo pra ver se estava tudo bem comigo e abri a janela, sem pressa, motorizado.

Pus o pescoço pra fora: nada, ninguém; um odor suave cinza circulava. Alcancei o lenço escorregadio; tranquilamente, arremessei-o esticando os braços em câmera lenta, para que imortalizasse meus restos ao vento. Fitei o retrovisor e o vi rolar bem ao centro da via, único, pleno; olhei em frente, alguém insinuava alguma coisa na esquina com as mãos, gesticulando freneticamente, corpo, um cabo de vassoura e tudo o que dispunha pra chamar a atenção. Desviei o olhar, desprezando assim aquela miserável criatura que mais parecia o gólum. Ah vá.



E, no instante seguinte, eu era o rei da parada, um astuto vadio como um cão vagal, vagando sobre um motor 83 desregulado, a outra mão erguia agora o volume e eu já cantava junto vivin la vida loca, on sai en sairá, vivin la vida loca, vivin la vida loca, camon! vivin la vida loca, camón!, via o semáfaro acender e já não lembrava mais o que havia feito ou pensado, apenas acelerava de encontro à vida.

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Amanhã, dia 28, sábado, acontece a Hora do Planeta, da qual o Rodolfo tem blogado e pelo qual soube da adesão dos clubes Flamengo e São Paulo. Acho muito interessante a ação da WFF Brasil, porém, não me inscrevi porque não sei se consigo apagar as luzes no horário combinado (das 20:30 - 21:30). Não dá pra aderir só pra fazer propaganda ecológica, sem a participação garantida.
Por outro lado, seria legal saber como e por que, de fato, ações dessa natureza corroboram com o meio; ou se seria um tipo de ação coletiva, pra chamar a atenção do planeta e nos colocar perante a questão, como brasileiros?

Fotos.
A primeira, do bueiro foi capturada por Paula Marina, no RJ; além desta ela tem outras fotos de outros bueiros.
A segunda é do Jim Skea, a rua Tavares Bastos também no Rio.

03/03/2009

Tio Valter passou pra tomar uma água

O tio Valter nos anos 60 tentou editar um livro sobre desapego e viagens econômicas. Tinha até um título, "Viaje tranquilo, viaje sem grana". Claro que morreu no plano das ideias. Quem daria atenção para quem esbanja barba mal aparada, abundante, cabelos bagunçados e veste chinelos no shopping? Diziam que ele só sabia tecer artesanatos baratos e chulos desses que se vende à beira das praças.

Mais tarde, porém, tio Valter tentou uma jogada no ramo alimentício. Todo mundo precisa comer e comida certeza que dá dinheiro gente. Mas eram muitos e variados impostos e ele acabou... Continuou firme, contudo.

Acabou discolando um trampo de moto, mas ele odiava a moto e o trampo e os caras e. Mais a moto. E, de trás de seus óculos de John Lennon resolveu abster: voltou às beiras, aos artesanatos chulos e baratos é a sua mãe seu filho da puta, e as viagens pra todo canto. Nem pensar em publicar nada. Que dá dinheiro em publicação hoje mesmo é auto ajuda (tem hífen senhores da língua?). E auto ajuda, vá se ferrar, estamos falando de literatura. De Machado e do outro Machado, o Alcântara. E o tio, nessas conversas internas da mente nunca esteve tão bem se é que me recordo. Ainda assim às vezes, passa em casa pra dar umas facadas em alguém. Mas a gente nem liga, hoje ele está feliz. E a gente aqui tem orgasmo de ajudar como pode quem quer que seja.

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A Silvia me disse agorinha que vai participar da blogagem coletiva. E a ideia dela é ótima. Contamos contigo Silvia!

17/02/2009

Capítulo de um livro psicodélico

Aqueles olhos coloridos. Nem eram coloridos azuis, verdes, amarelos, vermelhos, rosas, essas coisas que você enxerga quando toma coisas pra alterar o cérebro... Apenas coloridos. E de várias cores. Que ganhavam novas cores psicodélicas conforme a língua piro-le-ta-va, faminta, alagada.

Depois, não mais que de repente. Foi outro festival colorido. Ainda mais. Não como carnavais, embora a festa estivesse ótima.

Tocou Was it You. Seria um filme? Que belo clichê.

Alou? Por gentileza...

Não, obrigado, não quero seus cartões de crédito.

Quando descolei as pálpebras que me faziam mentalizar aquele estupefar de cores & cores (que nem a Luxcolor tem), foram fogos no céu. Fogos estourando nas vias circulatórias. Coloridos. Tipo caixa de lápis de cor, daquelas bem grandonas, as maiores da papelaria.

Mas os olhos tornaram abrir. Estava escuro. O cheiro bom. Apenas bom. E não tinha cores. O escuro não tem cores, é uma cor só. Mas não esta cor que tu imaginas agora. Era outra, vermelho sangue. Eis que aqueles olhos de novo, via-os coloridos. Em volta apenas uma cor.

Estava escuro, o escuro é uma cor apenas. O lugar (o lugar é tudo que estava em volta daqueles olhos) explodia jorrando vermelho pra todos os lados, cantos e dobradiças. E o ser mais maluco naquele ambiente era um fantoche azul, que não parava de rir pra gente um segundo sequer. E aí está o barato.

Mas amanheceu, como sabiamente se pode esperar de um sábado. O lugar tinha suas cores normais, nada coloridas, esbranquiçadas na verdade. O rubro estava agora apenas na delícia-memória do ambiente aceso (ou seria escuro?).

Era hora do seu, digo, do nosso vício colorido, um deles, e seus olhos não mais coloridos elevaram-se para contemplar o instante que antecede o click do isqueiro. Mas deteve-se, breve. Depois do banheiro e do café matinal expresso, sacou o maço e não teve mais dúvidas: acendeu o primeiro câncer.

- Caralho!

E rosnou: - Já falei que meus pulmões são sensíveis, porra!

Mas não havia outra opção melhor para um dia em que se passa o dia todo na cama, era manhã bem cedim e nublava; esticaria o corpo, os dedos do pé, afundar a cabeça por ali durante horas. E a havia ainda a melhor desculpa do mundo: a chuva insistente e ruidosa que jorrava por de trás da janela abafada.

27/11/2008

A quem quer me dar limão

grafiti de Banksy

Meus olhos fitavam, apenas. o corpo sentia, apenas sentia. as cores apenas vibravam. e eu apenas sentia o que se podia sentir. era transfiguração. demais. percebi então que nada era "apenas", de "só, unicamente". era o inverso disso na verdade.

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Os grandes dias vêm acompanhado de sede. Certeza.

04/11/2008

No país da Baurets

Língua: órgão muscular, alongado, móvel, situado na cavidade bucal e que serve para a degustação, a deglutição e a articulação dos sons da voz; conjunto de palavras ou expressões, faladas ou escritas de...

Desencana, esse dicionário não sabe de nada.

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PS. vai aqui um salve pra Oi, que anda ainda capengando, mas que me proporcionou uma ligação pra tia Marisa, parabenizá-la por seu aniversário. Ela ficou feliz da vida.

31/10/2008

Manifesto 1

"Me manifesto anonimamente para exigir coisas nas quais ninguém acredita, como paz, justiça e liberdade".


da página 45 da Piauí que acabaram de arremessar no meu quintal de cimento. Lá tem grafites maravilhosos do artista inglês Banksy, que inventou um jeito de ficar rico com grafite político. Mas ele precisa ficar escondido, pois grafite é crime que dá cadeia na Inglaterra, assim ele segue escuso, anônimo, pintando seus desenhos em paredes públicas ou privadas, sempre acompanhadas de frases bem boladas, como essa acima. Vale o click.

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The Breeders.



PS. Mais manifestos virão sobre o descaso dos donos das baladas com seus funcionários mal pagos e sobre professores que não sabem nada sobre universidade.

14/10/2008

Pescada fresquinha

Acordou no meio da noite. Com frio. Levantou o quadril até alcançar a coberta, nos pés. Cobriu-se e voltou a dormir, confortável.

08/10/2008

As vozes do povo

Lá no shopp centis em Bauru, o pessoal pega “ôibus” na frente do estabelecimento, tem um ponto que se torna grande, de tanta gente, com cobertura pequena e poucos lugares pra sentar. Eles fritam na rua. Diz que é demorado, escasso, esburacado. Sempre a mesma estória. Nem criativo esse povo sabe ser.

A dona Erradicada não passou em branco. A ralé, aliás, costumar reclamar bastante. De barriga cheia, óbvio.O bairro onde ela (sob)reside é distante (o povo parece que gosta de se esconder), e o ônibus não chega. Então, quando dona Erradicada desce do coletivo, no último ponto, ainda precisa andar outros 45 minutos a pé, até sua morada. Todo dia é a mesma ladainha: sapatinho sujo de barro, “o patrão não gosta não”. Mas, andar um pouquinho todos os dias faz bem à saúde, garantem os doutores.

Fora um caso extremo a morte do pai da Darlene. Deu no Jornal da Globo, num sabe? Atente o leitor para a fatalidade, contudo não chores mais, não role no vento, é só um draminha. O pai de Darlene, santista dos tempos de Leão, boina, preta, barba rala, gente boa; chegou ao hospital e não tinha médico. Ah, o restante você já sabe meu amigo Créu.

Outra reclamona, aliás, Dona Barateira usa brincos grandes, gosta de unhas cumpridas e esmalte nos dedos, uma coroa enxuta. Toma café em qualquer lugar. “Não tenho preconceito, pode ser ali na esquina, ou naquele bar, não tem problema”. O problema pra dona Barateira é o café do hospital Estadual de Bauru, que custa valiosos R$ 1, 50.

- Cafezinho caro, sô!

Ela inventou que quem vai ao hospital Estadual não tem dinheiro pra tomar um café, “porque o ônibus já é caro”. Imagina só, caro? Trabalhador tem TRANSPORTE COLETIVO? Pára de reclamar dona Barateira! Mas ela não aqueta.

- A pessoa fica duas, três, quatro horas pra fazer a consulta, um exame mais complexo, fica lá várias horas e não tem dinheiro, muitas vezes só tem a condução. Como vai pagar R$1,50 por um café? A pessoa fica no hospital o dia todo menino! De novo essa conversa de demora pra atender, minha tia?

- Se for comer precisa ir até as barraquinhas lá de fora, porque dentro do Hospital é tudo caro, igual posto de estrada.

Sorte é do seu Jura. Pra ele tá tudo ótimo, a cidade é linda-maravilhosa e não tem problemas. Nenhum. Nem no seu bairro, garantiu-me com expressão séria, não duvidem.

E pra resolver todos os problemas de Jandira, bastava uma creche. Só isso. Quem manda fazer filhos Jandira? O problema agora é da prefeitura, que deve! a estrutura de que Jandira necessita, estrutura que ela diz ser “TUDO que eu preciso na vida”. Como se vê, não carece muito pra ser feliz.

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-> Uma homenagem singela. Ouvi os personagens reais de Bauru, fazendo "fala povo" nas ruas. Mas é só isso que posso dizer, devo me calar, aguardo a liberação dos arquivos secretos da dita!dura! (o que estão esperando senhores liberdade-democracia?), senão eles me pegam, tem gente batendo na porta, que aflição.

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Ato pacífico contra o blogger: vc é ridículo pra ctrl c, ctrl v de textos do word.

PS2. Lucas Ruiz, vc está crescendo.


Sun Walk and Dog Brothers.

05/09/2008

o Agora

Se não quer sentir o horrível peso do Tempo
Que pesa sobre os seus ombros e o esmaga,
Embriague-se sempre.

Com quê?
Com vinho, poesia ou virtude.
Com o que quiseres.
Mas embriague-se.
-baudelaire

Os posts do Blog da Renata são muito bons.

27/08/2008

Como nossos pais

"E Bauru, aqui era o centro de droga, tinha a estação ferroviária ali e chegava, então todo mundo fumava maconha, todo mundo “cherava”, todo mundo tomava ácido, desde o mais rico ao mais pobre, então os nego iam muito loco pro bar."

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Cansei de ser Sexy - Give Up


PS. O blogger não me deixa nem a pau colocar a formatação que quero, ele tem vontade própria neste post.

23/07/2008

Até quando seu lobo não vem

Ei seu editor, onde estão as matérias?
E as fotos? Como assim, e agora?

Temos que entregar o jornal até quando?
Como assim as pessoas não entregaram as matérias?

Como é que vai ser?
Como assim as pessoas desistiram?

"Segura as pontas aí meu filho!".

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Isso dialoga (o de baixo) com um texto do Tetê que ele escreveu em maio de 68. (se for visitar o blogue, leia o texto do cachorro, o "Teorodo").

10/06/2008

A-título

Me perguntaram se eu tinha um plano perfeito-estratégico-infalível pra conquistar aquele coração marginal. Ao que respondi: “Tenho uma cueca”.

Depois me veio com blá-blá-blás corriqueiros sobre ideologias políticas. Perguntou a respeito de leituras óbvias. Claro que já li “Admirável mundo novo”. Ela já fora melhor outras vezes. Deve ter acordado num dia não muito bom. Após isso o assunto melhorou. Mas só um pouco.

Aqueles lábios, porém, seriam melhores de outras maneiras naquele instante, que não fosse o ato de proferir palavras desconexas. Sugeri algo, qualquer coisa, imagine aí o leitor algo criativo. Ao que ela tornou os olhos, finalmente tapei, calei-lhe a boca em definitivo, para o seu próprio bem, aquelas frases eram demasiadamente ruins.

Trocávamos agora umas salivas.

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Não consegui encontrar imagem-temática pra ilustrar o post, mas também nem procurei muito, já está tarde.

04/05/2008

Fechar a porta e descansar lá naquela sombra arbórea


Fajuta sabia, era como um sonho (in)finito, perfeito, deslocado do espaço. Já havia dito mil vezes e tornou a dizê-lo aquela frase que dizem da boca pra fora, mas que ela falava-o com enorme sinceridade. Era como batidas psicodélicas de surf nos ouvidos e sangue, só que na alma. Era um dançar blues extasiado, colado. Era um olhar para ele, saber quem ela era. Era a expressão do músico quando sola. Era como os gritos eufóricos libertinos de 68; um atingir da sabedoria não-romântica. Era um calor que chamavam sal-dade, que vinha, subia dos pés até o fio mais alto, onde se instalava sutil, demorado e cansativo. Depois, ia-se, para tornar em seguida.

E agora, o que faço com essas fotos todas? – perguntou ela ao Chico, buscando solução nos sambas de um CD gravado. Ao que o Chico respondeu:

É uma foto que não era para capa
Era a mera contra-cara, a face obscura
O retrato da paúra quando o cara
Se prepara para dar a cara a tapa

Era como se aquela hora deles houvesse se transformado. Era um belo final de filme, surpreendente, num fim de tarde qualquer. Era uma canção-balada de violão e gaita que estremece as células do braço, com arrepios hipnóticos.

Hey, hey, my, my! Era colocar os óculos e não enxergar mais as palavras daquilo que haviam reportado. Era tirar os pés daqueles chinelos emprestados. Pegar as camisetas, os CDs ali deixados, os filmes e o coração de volta.

08/04/2008

Hino ao seio

Esticou-se no lençol amassado, dos braços aos dedinhos do pé. Chegou bem pertinho. Sentia as pontas dos dedos das mãos passe-a-rem-lhe a cabeça, como formiguinhas que correm de biquíni pelo quintal. Subiam até a cócoras e desciam à nuca, onde a palma se encontrava com a penugem das costas.

Chegou mais perto. Mais. Perto. Alçou vôo com o braço até alcançar o meio das costas. Comprimiu forte o seu peito até as montanhas dela. Tava quentinho e macio e aconchegante, e excitava. Então sentiu desejo de passar a língua.

Mas não pense o leitor que isso aqui vai virar uma putaria. Se a leitora gostar de sacanagem, que atravesse lá proutro lado da rua.

Então passou a língua. De novo. Perdeu as contas. Depois, enfiou a mão. Nos cabelos negros. Da nuca. Aproximou a cabeça dela e lascou-lhe um beijo úmido, onde os narizes se trombam, se enroscam e causam arrepios. Cheirou a bochecha lisa. Quis passar mais a língua. No pescoço. Lamber. Lambeu. Lembeu. Lambeu. Bebeu. Bebericou. E enfim descobriu porque havia mamado por mais tempo.

A TV acordou. Sozinha. Haviam programado-a para ligar, como um relógio-despertador. A madrugada passara, eles ali, nem perceberam. Na TV, a seleção estava prestes a iniciar a partida, a pátria vestiria as chuteiras e cantaria juntos:


Em teu seio, ó liberdade! Desafia o nosso peito a própria morte (...)

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& Raul - Meu amigo Pedro &

Essa canção me lembra o Diego - o Jimmi, o Sussinha - que sabia um repertório imenso de Raul no violão. Lá se vão aqui saudades nostálgicas dele numa das repúblicas mais humanas e acolhedouras de Bauru: a Bravata. Ele fazia muitas caricaturas em festas e também charges. E sempre nos acompanhava nos shots. Tive o imenso prazer de filmar, com outros comparsas bravatinos, o vídeo tosco "Super ping me", uma brincadeira com o documentário anti-Mc Donalds, "Super Size me". O Diego fez a melhor cena desse vídeo, a cena do drive trought.

21/03/2008

Contomarraposasexy

O Sr. Marraposa participou de uma exposição de fotografias digitais, lá no Estação Querida, o blog dos amigos de vida Mateus e Carol. Depois de passear de trem pelos trilhos abandonados do meu Brasil, a senhorita marraposa S.B. apareceu aqui na casa da Tia Neide para uma visita breve:


Mas S.B não quis descer. Convidei-a para sentar-se e aceitar uma xícara de café. Recusou. Porém explicou-se dizendo estar quebradinha.

Aí, a conversa emplacou. Ela solicitou um som. S.B era do róque, notava-se pelas influências. E me aconselhou:

_diga-me o que ouves e eu te direi quem és.

S.B. avistou de longe o disco de vinil sobre a cama. Pediu-me para colocá-lo na agulha.


Em seguida, contou uma estória; dizia-se meio forest gump. E prosseguiu:

_Esses dias atrás, parti daqui das Baurets, e fui visitar a Tati lá na capital. Mas ela ficou com medo e chamou um moço feio, um tal de Zé, porteiro, 34 anos, casado, solteiro de noite, comentarista de futebol, para me tirar da parede da sala dela. O Zé tentou explicar... em vão. A Tati então gritou:

- Tiraaaaaaaaaaaaaaaaaa Zéee! Mata elaaaa!

A sorte é que seu Zé me levou até o jardim, onde conheci a dona Formiga e muitos, muitos outros amiguinhos.


& Steve Ray - Texas Flood &

acabo de descobrir que tocar guitarra invisível é animal.

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Feliz Ovos de chocolate!

12/03/2008

Ensaio sobre a nudez

Ei moça adocicada dos lábios de mel:

Escreva. Faça parar a vida, no caderno, na rua, na solidão do computador, na carona da circular, na parede do banheiro, no trem, escreva!


_E por que queres tanto meu senhor?
_Porque eu quero vê-la.
_Ver-me?
_Sim. Ler as palavras que insistes em esconder-me, lhe revela os pensamentos, lhe revela as idéias, as lutas e, sobretudo, lhe revela a alma. Deixa-a nua. Completamente. E deveis saber que as mulheres são lindas. Mostre-se.
_Ah, sim - moço safado - entendi suas intenções.
_Que bom, vejo-a ser uma pessoa de vasta inteligência. Mas, o que me diz, vais escrever algo e mostrar-me?
_Não!
_E por que não menina?
_Porque não quero que me vejas despida. Tenho vergonha da minha nudez. Estou fora dos padrões estéticos (poéticos) aceitáveis. Peco nas celuligrafias, desconheço regras de estriação...

_Huumm, compreendo. Mas não se importe com os “pecados” que mencionou, praticamente não difere das pessoas a vossa volta e, mesmo que diferenciasse, repito: é coisa pouca, temos outras causas importantes para nos ocupar.
_Entretanto, se a vergonha for, mostrar-se nua, tudo bem, nós temos medo do que as pessoas podem pensar ao nos ver nus.
_Sim, a vergonha és esta mesma que acaba de discorrer, senhorito.
_E então, não quer despir-se mesmo?
_Que atrevido!
_Você entendeu. O que me diz? Mostre-se, deixe-me ver sua alma, através das palavras que escreve!
_Ok, você venceu e os vencedores merecem batatas.

Arrancou do bolso uma grande batata selecionada do campo e lançou-a com extrema força no senhorito. Ele, em pé, rapidamente encolheu-se e moveu os braços e mãos para proteger o rosto. Passou raspando. Quando acalmou-se, olhou-a: ela ouvia blues em um grande fone de ouvidos e lixava as unhas, o fundo branco, com o semblante tranqüilo.

Esticou o indicador, deu três batidinhas no ombro da moça que trajava um vestido cor-de-rosa lindo:

_Sim, pois não, em que posso ajudá-lo senhor?
Que loucura – pensou.

Ao invés de dizer qualquer outra palavra, a moçoila preferiu apontar o dedo para um móvel estacionado ao lado deles. Um livro repousava solitário sobre o criado mudo.

_O que é isso?
_Um livro!
_Estou vendo!
_Então por que perguntas?
_Ah, seja gentil, sou tão educado. Veja o trabalhão que estou tendo. Só quero lê-la, só isso.
_Só isso? Que pena – falou olhando para a lixa e as unhas.
_Seja gentil! – disse sorrindo.

Ganhou outro sorriso de volta. Lembrou-se do livro. Foi em sua direção, mas sentiu-se travado. Lucy agarrou-o pela camiseta, impedindo-o de alcançar o livro dourado.

_Espere – disse harmoniosamente.
_Pronto, agora sim!
_O que você fez?
_Lembrei-me que precisava enviar vibrações positivas pra mamis. Ela pediu-me, ia fazer um curso para aprender a ser feliz - disse-me que agora - que a felicidade era questão de dias! Então, acabei de mandar as vibrações senão depois podia esquecer-me.

Não entendeu muito bem aquilo, estava impaciente, queria abrir logo aquele livro. O livro dourado.

_Posso? – disse desviando o olhar em direção ao livro.
_Pode!


Segurou-o. Não era exatamente um livro, mas um caderno de anotações. E, percebia-se logo, havia muitas coisas escritas, marcas de um caderno que vai de cá para lá a todo instante. Resolveu abrir numa página aleatória, escritos em azul:


Assim como quero aprender um pouquinho de cada religião e ir pro céu com todas elas

Quero aprender cada pouquinho do seu corpo; observar atenta a sujeira escondida na sua unha, achar as perebas e delas cuidar;
beijá-lo na testa, entre as sobrancelhas, descobrir as pintas, sugar o cheiro da tua boca e pele...


Não vou me aborrecer com a sua cabeça gorda de esquecer todas as coisas, talvez meu pai tenha sido assim algum dia; nem vou aborrecer com o seu andar torto e seu bafo de onça, no fim do dia

Não vou ligar se você esquecer de me ligar porque estava entretido nalguma conversa de boteco sobre futebol, política, sexo ou sobre mulheres. E o principal: não vou ligar se as pessoas que lá estavam eu goste ou desgoste, se são amigos ou não.

Provavelmente eu vá pensar em vc toda vez que abrir a geladeira e encontrar potes de geléia de morango

Toda vez que ver uma notícia sobre luxo, naquele jornaleco de merda ou encontrar o livro da Patrícia Mello num sebo barato

Provavelmente me recorde. Toda vez que ouvir alguém divagando sobre Comte e lembrar daquele seu papo furado que não levava a nada, de divagações vagas;

Ou quando vier com aquela estória de felicidade em todos os momentos da vida


Nem vai fazer diferença se me beijares o beiço ou a vulva, contanto que beije.

Não fará diferença se trará um copo de leite ou uma cesta de café na cama, contato que o faça quando estiver afim.

Nem fará diferença se fume maconha, cigarro ou o que quiser, com a condição de que seja lá do outro lado da rua, meus pulmões são delicados;

...

Não terminou de ler. Havia mergulhado na intensidade daquelas palavras e, quando se deu conta ergueu a cabeça para ver o que Lucy fazia. Os quatro olhos se encontraram, refletidos um no outro, ela fitava-o, ansiosa, sedenta, pronta para dizer:

_Agora que estou nua, é a sua vez de despir-se. O tempo está passando e já demoras demais...

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&Franz Ferdinand, que aliás, tem previsão para lançar um disco em breve&

03/03/2008

"Até que a morte os separe"

Postou-se ao sofá novinho de couro confeccionado pelo pessoal ali da fábrica de Caieiras Sentado colocou um dos tornozelos sobre a outra perna Encostou o cotovelo no braço do sofá e apoiou a cabeça com a mão Coçou a cabeça Pensou


A morte não separa nada Conversa fiada Quem separa é outro, o amor.


Quando ele desaparece,

nos caminhos adormecidos,

vai e divide e separa e segrega e rompe e fatia

o que a vida construiu

a morte não aprendeu a dividir.


Desculpe-me seu Padre, mas o senhor foi enganado.

06/02/2008

Uma certeza

Aquelas eram as mais belas palavras. As mais profundas, tocantes, intensas, ardidas no punho, estreladas.

Eram loucas palavras
causavam êxtase
transe
derio
alucinação
imaginação
desvairo
fascínio
empolgação


E
is que, novamente, não criou dúvidas: pegou aquelas palavras escritas numa folha branca, recortou e as enrolou num papel mais fino, o vulgo seda. Tascoou fogo. Tragou suavemente, sentiu prazer. Um prazer incrível.
Ficou muuuito louco, chapado, como nunca na história desse país.

A loucura, era obra das palavras,
aquelas malditas palavras grafadas,
filhas da mãe, insanas.
Certeza.

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